TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 4ª Câmara Especializada Cível
APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0800681-40.2021.8.18.0028
APELANTE: ROBERTO DE MACEDO BRITO
Advogado(s) do reclamante: ROMERO CAMPELLO WANDERLEY
APELADO: BANCO FICSA S/A.
REPRESENTANTE: BANCO FICSA S/A.
Advogado(s) do reclamado: FERNANDA RAFAELLA OLIVEIRA DE CARVALHO
RELATOR(A): Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
EMENTA
REEXAME DE ACORDÃO. RETORNO DOS AUTOS PARA EVENTUAL REALIZAÇÃO DO JUÍZO DE RETRATAÇÃO. DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA – TEMA REPETITIVO 1.069. AUTENTICIDADE DA ASSINATURA. 1 – Foi firmado Tema nº 1.061, do STJ, sob o rito dos recursos repetitivos, com a seguinte tese firmada, verbis: “Na hipótese em que o consumidor/autor impugnar a autenticidade da assinatura constante em contrato bancário juntado ao processo pela instituição financeira, caberá a este o ônus de provar a autenticidade (CPC, arts. 6º, 6369 e 429, II).”. 2 - A assinatura do autor no contrato, que acompanham a exordial, faz incidir a presunção de existência, validade e eficácia do contrato apresentado. 3 - Juízo negativo de retratação.
RELATÓRIO
APELAÇÃO CÍVEL (198) -0800681-40.2021.8.18.0028 Trata-se de processo devolvido pela egrégia Vice-Presidência a este órgão fracionário, a fim de que exercite juízo de retratação em consonância com a tese fixada no Tema 1061, do STJ. Na origem, trata-se de ação declaratória de nulidade contratual c/c pedido de repetição de indébito e indenização por danos morais com tutela de urgência antecipada proposta por Roberto Macêdo Paulo, em face Banco FICSA S/A. A sentença objurgada, consistiu, essencialmente, em julgar improcedente a ação, visto que restou comprovado que o apelante contratara, junto ao apelado, o empréstimo que questiona. Baseia-se, para tanto, nas cópias do contrato e do comprovante de transferência do valor emprestado, acostadas aos autos pelo último. Dessa decisão foi interposto Recurso de Apelação por Roberto Macêdo Paulo no qual renova os pedidos contidos na inicial e alega, em suma, que não contratara o empréstimo. Afirma que o banco apelado não apresentara contrato idôneo. Foi denegado provimento ao recurso, mantendo-se incólume a sentença. Ainda irresignado, Roberto Macêdo Paulo apresentou Embargos a Declaração alegando, em suma, que a decisão recorrida incorrera no citado vício, pois o acórdão não se pronunciara sobre a autenticidade da assinatura constante no contrato bancário. Foi denegado provimento aos Embargos, mantendo-se incólume a decisão. Ainda irresignado, Roberto Macêdo Paulo, intentara Recurso Especial, o qual fora devolvido a este órgão fracionário, para juízo de retratação, com o entendimento: “(…) a decisão objurgada possui uma aparente desconformidade com o entendimento do Tribunal Superior firmado no precedente indicado, posto que entendeu caber ao consumidor, autor da presente ação, a incumbência de comprovar a autenticidade de assinatura posta em contrato bancário, ora contestada.” - Tema nº 1.061, do STJ. É o quanto necessário relatar. Passa-se ao VOTO.
Origem:
APELANTE: ROBERTO DE MACEDO BRITO
Advogado do(a) APELANTE: ROMERO CAMPELLO WANDERLEY - PI9488-A
APELADO: BANCO FICSA S/A.
REPRESENTANTE: BANCO FICSA S/A.
Advogado do(a) APELADO: FERNANDA RAFAELLA OLIVEIRA DE CARVALHO - PE32766-A
RELATOR(A): Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
VOTO
Em face de Tema nº 1.061, do STJ, firmado sob o rito dos recursos repetitivos, faz-se necessário reexaminar, in casu, a hipótese em que o consumidor/autor impugnar a autenticidade da assinatura constante em contrato bancário juntado ao processo pela instituição financeira, caberá a este o ônus de provar a autenticidade (CPC, arts. 6º, 6369 e 429, II). Nesse contexto, a alegação da parte autora de não ter realizado o contrato, inclusive impugnando a assinatura nele constante, não encontra guarida nos autos. Com efeito, verifica-se que a assinatura do autor no contrato, que acompanham a exordial, faz incidir a presunção de existência, validade e eficácia do contrato apresentado. Conforme já decidiu o E. Supremo Tribunal Federal: (...) a necessidade da produção de prova há de ficar evidenciada para que o julgamento antecipado da lide implique em cerceamento de defesa. A antecipação é legítima se os aspectos decisivos estão suficientemente líquidos para embasar o convencimento do Magistrado (RE nº 101.171-8/SP, Rel. Min. Francisco Rezek, RTJ 115/789). Das provas colacionadas aos autos, infere-se, assim, a importância da juntada do contrato de empréstimo, documentos pessoais da parte Requerente, o que evidencia a cautela necessária e exigida da requerida na realização do contrato. A citada documentação, portanto, comprova de forma suficiente a relação jurídica pactuada entre as partes. Com estes fundamentos, voto pela manutenção do acórdão por seus próprios fundamentos. Devolvam-se os autos ao Exmo. Sr. Vice-Presidente deste Tribunal de Justiça para as providências legais.
Teresina, 14/08/2024
0800681-40.2021.8.18.0028
Órgão JulgadorDesembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
Órgão Julgador Colegiado4ª Câmara Especializada Cível
Relator(a)JOAO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
Classe JudicialAPELAÇÃO CÍVEL
CompetênciaCâmaras Cíveis
Assunto PrincipalEmpréstimo consignado
AutorROBERTO DE MACEDO BRITO
RéuBANCO FICSA S/A.
Publicação28/08/2024