TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 4ª Câmara Especializada Cível
APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0801189-03.2019.8.18.0045
APELANTE: FRANCISCA AURICELIA LIMA
Advogado(s) do reclamante: KELYANA MENEZES FERREIRA, TALYSSON FACANHA VIEIRA, LUCIANO DE CARVALHO E SILVA
APELADO: FUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITORIOS NAO PADRONIZADOS NPL II
REPRESENTANTE: FUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITORIOS NAO PADRONIZADOS NPL II
Advogado(s) do reclamado: WILSON SALES BELCHIOR REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO WILSON SALES BELCHIOR
RELATOR(A): Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
EMENTA
APELAÇÃO CÍVEL. CONTRATO BANCÁRIO. AÇÃO DE DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE NEGÓCIO JURÍDICO JULGADA PROCEDENTE. MAJORAÇÃO DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS. IMPOSSIBILIDADE. VALORES JÁ FIXADOS EM PATAMARES RAZOÁVEIS. TEMA 1059 DO STJ. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. Não merece provimento o apelo que visa à majoração de quantia fixada a título de indenização por danos morais quando o valor já tenha sido firmado em patamar razoável, inclusive excedente ao valor usualmente utilizado pelo órgão julgador. 2. De igual modo, não merece majoração o quantum dos honorários advocatícios sucumbenciais, em atenção ao tema 1059, do Superior Tribunal de Justiça. 3. Recurso conhecido e não provido.
RELATÓRIO
APELAÇÃO CÍVEL (198) -0801189-03.2019.8.18.0045 Trata-se de apelação cível interposta por Francisca Auricélia Lima, contra sentença proferida pelo d. juízo a quo nos autos da ação declaratória de inexistência de débito com pedido liminar e cumulada com pedido de indenização por danos morais, ajuizada em face do Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizados NPL II, ora apelado. No quanto é suficiente relatar, a autora fundamentou os seus pleitos em razão da inserção, pelo apelado, de seus dados, em cadastros restritivos de crédito, em pacto que reputa inexistente. Em sentença, o d. juízo de 1º grau julgou parcialmente procedentes os pedidos da apelante, declarando nulo o contrato firmado entre as partes e que teria fundamentado a inclusão do nome da autora nos cadastros restritivos de crédito. Condenou, ainda, o apelado a pagar indenização por danos morais no valor de R$ 3.000,00. Julgou improcedentes, contudo, os pedidos de restituição em dobro, das quantias alegadamente pagas, por não haver provas nos autos quanto à quitação das parcelas referentes ao contrato. Determinou, por fim, a retirada do nome da apelante dos retromencionados cadastros restritivos, sob pena de multa diária, condenando o apelado, ainda, a pagar custas e honorários advocatícios sucumbenciais, estes fixados em 10% sobre o valor da condenação. Daí o recurso em apreço, no qual a apelante busca unicamente a majoração da indenização por danos morais, imposta ao apelado, para o patamar de R$ 8.000,00, e a majoração dos honorários sucumbenciais, suscitando julgados sobre a matéria e apontando o teor do § 11, do artigo 85, do Código de Processo Civil. Embora intimado, o apelado deixou de apresentar as suas contrarrazões. O Ministério Público Superior, por sua vez, deixou de exarar parecer quanto ao mérito da demanda por entender desnecessária sua intervenção. É o quanto basta relatar, a fim de se passar ao voto, prorrogando-se, antes, a gratuidade judiciária deferida em primeiro grau, para efeito de admissão do recurso.
Origem:
APELANTE: FRANCISCA AURICELIA LIMA
Advogados do(a) APELANTE: KELYANA MENEZES FERREIRA - PI21854-A, LUCIANO DE CARVALHO E SILVA - PI10014-A, TALYSSON FACANHA VIEIRA - PI13499-A
APELADO: FUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITORIOS NAO PADRONIZADOS NPL II
REPRESENTANTE: FUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITORIOS NAO PADRONIZADOS NPL II
Advogado do(a) APELADO: WILSON SALES BELCHIOR - PI9016-A
RELATOR(A): Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
VOTO
Senhores julgadores, versa o caso acerca do exame do contrato firmado entre as partes integrantes da lide, e que teria ensejado a inscrição da apelante em cadastro restritivo de crédito. Como já visto, o inconformismo da apelante reside unicamente no pleito de majoração da indenização por danos morais e dos honorários sucumbenciais, ambos em desfavor do apelado. Adiante-se, contudo, não assistir-lhe razão. A condenação do apelado ao pagamento de danos morais não merece reforma no tocante ao quantum indenizatório. Sabe-se que a estipulação do montante indenizatório deve ser compatível com a dor causada, bem como se ater aos critérios de proporcionalidade e razoabilidade, a fim de não causar o enriquecimento sem causa da vítima e fazer por onde o responsável pelo evento danoso seja excessivamente punido. Exatamente neste ponto reside a impossibilidade de majorar-se o referido quantum, de uma vez que o valor estipulado já atende a tais finalidades, tendo sido, inclusive, fixado em quantia acima dos parâmetros usualmente estabelecidos por este órgão julgador. No que diz respeito aos honorários sucumbenciais, melhor sorte não socorre à apelante. O douto magistrado, considerando as particularidades do litígio, fixou, com acerto, salvo melhor juízo, tais verbas no mínimo legal, conforme as disposições do artigo 85, do Código de Processo Civil. A majoração prevista no § 11, do artigo 85, do códex processual, apontada pela recorrente, em verdade tem incidência quando não obtenha integral êxito o recurso da parte derrotada na demanda. São essas as orientações, inclusive, encontradas no tema n. 1059, do Superior Tribunal de Justiça. Outrossim, a apelante, além de suas alegações, nada trouxe de concreto capaz de demonstrar que as verbas advocatícias sucumbenciais devessem ter sido fixadas em patamar maior do que o utilizado na sentença recorrida. Diante do exposto sendo o quanto basta asseverar, voto para que seja denegado provimento à apelação, mantendo-se incólume a decisão hostilizada, mercê dos seus próprios e jurídicos fundamentos, Sem majoração de honorários advocatícios em razão do tema 1.059 do STJ. Preclusas as vias impugnativas, dê-se baixa na distribuição. É como voto.
Teresina, 31/07/2024
0801189-03.2019.8.18.0045
Órgão JulgadorDesembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
Órgão Julgador Colegiado4ª Câmara Especializada Cível
Relator(a)JOAO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
Classe JudicialAPELAÇÃO CÍVEL
CompetênciaCâmaras Cíveis
Assunto PrincipalInclusão Indevida em Cadastro de Inadimplentes
AutorFRANCISCA AURICELIA LIMA
RéuFUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITORIOS NAO PADRONIZADOS NPL II
Publicação03/08/2024