Acórdão de 2º Grau

Cláusulas Abusivas 0800965-15.2021.8.18.0136


Ementa

RECURSO INOMINADO. PLANO DE SAÚDE. COPARTICIPAÇÃO. PREVISÃO EXPRESSA E CLARA. RELAÇÃO DE CONSUMO. PROVA DA CONTRATAÇÃO. EXPRESSA E CLARA. INTELIGENCIA DO ART. 373, II DO CPC. AUSÊNCIA DE ATO ILÍCITO. DANOS MORAIS E MATERIAIS. IMPROCEDÊNCIA. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. (TJPI - RECURSO INOMINADO CÍVEL 0800965-15.2021.8.18.0136 - Relator: ELVANICE PEREIRA DE SOUSA - 1ª Turma Recursal - Data 27/06/2024 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Turma Recursal

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0800965-15.2021.8.18.0136

RECORRENTE: ELIANE DE MOURA SOARES

Advogado(s) do reclamante: YASKARA REGINA BEZERRA E SILVA, LANA GRAZIELA DA SILVA CORDEIRO, DIEGO BEZERRA DA SILVA

RECORRIDO: UNIMED TERESINA COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO
REPRESENTANTE: UNIMED TERESINA COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO

Advogado(s) do reclamado: IGOR MELO MASCARENHAS

RELATOR(A): 2ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

 


EMENTA


 

 

RECURSO INOMINADO. PLANO DE SAÚDE. COPARTICIPAÇÃO. PREVISÃO EXPRESSA E CLARA. RELAÇÃO DE CONSUMO. PROVA DA CONTRATAÇÃO. EXPRESSA E CLARA. INTELIGENCIA DO ART. 373, II DO CPC. AUSÊNCIA DE ATO ILÍCITO. DANOS MORAIS E MATERIAIS. IMPROCEDÊNCIA. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.

 

 


RELATÓRIO


 

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0800965-15.2021.8.18.0136
Origem: 
RECORRENTE: ELIANE DE MOURA SOARES 
Advogados do(a) RECORRENTE: DIEGO BEZERRA DA SILVA - PI13515, LANA GRAZIELA DA SILVA CORDEIRO - PI18997-A, YASKARA REGINA BEZERRA E SILVA - PI17905-A

RECORRIDO: UNIMED TERESINA COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO
REPRESENTANTE: UNIMED TERESINA COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO

Advogado do(a) RECORRIDO: IGOR MELO MASCARENHAS - PI4775-A

RELATOR(A): 2ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

Visa o recurso a reforma total da sentença que julgou improcedente o pedido inicial, com resolução do mérito, nos termos do Enunciado n. 162 do Fonaje.

Sustenta a recorrente em síntese: da violação ao princípio da legalidade; da violação ao princípio da boa fé contratual; da revelia; do reconhecimento dos fatos pela ré; da violação ao Código de Defesa do Consumidor; da indenização por danos morais; por fim, requer a reforma da sentença para julgar procedente os pedidos iniciais.

Sem contrarrazões do recurso pela parte recorrida.

É o relatório.

 


VOTO


 

 

Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.

Trata-se de AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO C/C REPARAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS, na qual a parte autor afirma que possui vínculo com a Requerida, em um plano de saúde na modalidade de coparticipação (UNILIGHT AMBULATORIAL registrado na ANS sob o nº 433230000), no entanto afirma que o registro do contrato junto a Agência Nacional de Saúde Suplementar foi realizado sem a previsão da cobrança de coparticipação. Alega ainda, ser indevida a cobrança realizada ao longo dos anos, uma vez que não há previsão contratual tampouco registro e autorização legal para tanto. Requer a restituição do que foi pago a título de coparticipação, no valor de R$ 910,47 (novecentos e dez reais e quarenta e sete centavos), bem como indenização por danos morais.

Examinando o recurso, vejo, no caso destes autos, que a questão deve ser enfrentada sob a ótica da relação de consumo, incidindo, portanto, as normas previstas no CDC.

Apreciando o mérito, pude constatar que o caso em tela é referente a um contrato de plano de saúde firmado pelo recorrente.

Embora seja aplicado ao presente caso, a inversão do ônus da prova, observo que a sentença do magistrado a quo não merece ser reformada visto que a recorrida colacionou aos autos as provas da autorização da referida modalidade de plano de saúde, juntando TERMO DE ADESÃO À CONTRATAÇÃO NA MODALIDADE COPARTICIPAÇÃO, devidamente assinado pela parte autora , agindo desta forma conforme preceitua o art. 373, II do CPC.

Ademais, conforme entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça é permitida a cobrança de coparticipação nos contratos de plano de saúde, desde que esteja previsto no contrato de forma clara.

Assim, não resta dúvida, que houve a indicação clara de que o plano de saúde contratado é com coparticipação, tendo sido, inclusive, indicado o percentual da coparticipação, de modo que se tem adequação ao previsto no art. 16, VIII, da Lei 9.656/1998, bem como aos ditames do Código de Defesa do Consumidor, com informação adequada e clara sobre a coparticipação.

Desta forma, não há como se imputar qualquer responsabilidade ou mesmo ocorrência de ato ilícito da empresa recorrida, pois de acordo com as provas dos autos resta comprovada a regular contratação pela modalidade coparticipação, não sendo indevidos os valores pagos referentes à utilização dos serviços pela parte autora, já que se referem a serviços de saúde correlatos à opção contratada.

Diante dos fatos narrados e das provas produzidas pela recorrida, a sentença a quo deve ser mantida in totum.

Isto posto, voto pelo conhecimento e improvimento ao recurso interposto, mantendo a sentença em todos os seus termos.

Ônus de sucumbência pela recorrente nas custas e honorários advocatícios, estes em 10% sobre o valor da causa atualizado, com exigibilidade suspensa pelo prazo de 5 anos, nos termos do art. 98 § 3º do CPC, em razão da concessão da justiça gratuita.

Datado e assinado eletronicamente.

 

 

 



Teresina, 24/06/2024

Detalhes

Processo

0800965-15.2021.8.18.0136

Órgão Julgador

2ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

Órgão Julgador Colegiado

1ª Turma Recursal

Relator(a)

ELVANICE PEREIRA DE SOUSA

Classe Judicial

RECURSO INOMINADO CÍVEL

Competência

Turma Recursal

Assunto Principal

Cláusulas Abusivas

Autor

ELIANE DE MOURA SOARES

Réu

UNIMED TERESINA COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO

Publicação

27/06/2024