TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 2ª Turma Recursal
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0001729-04.2017.8.18.0062
RECORRENTE: ALBERTO ALEIXO DA COSTA
Advogado(s) do reclamante: JOSE BENEDITO NETO
RECORRIDO: BANCO BMG SA
REPRESENTANTE: BANCO BMG S/A
Advogado(s) do reclamado: FERNANDO MOREIRA DRUMMOND TEIXEIRA, MARCELO TOSTES DE CASTRO MAIA, FLAVIA ALMEIDA MOURA DI LATELLA
RELATOR(A): 3ª Cadeira da 2ª Turma Recursal
EMENTA
JUIZADOS ESPECIAIS. RECURSO INOMINADO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRATUAL C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. DESCONTOS EM BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO ADVINDO DE CARTÃO DE CRÉDITO. DESCONTOS INDEVIDOS. DANOS MORAIS E MATERIAIS CONFIGURADOS. SENTENÇA PARCIALMENTE PROCEDENTE. RECURSO INOMINADO. RECURSO CONHECIDO. RECURSO IMPROVIDO. SENTENÇA MANTIDA.
I - RELATÓRIO
Trata-se de AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRATUAL C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS interposta por ALBERTO ALEIXO DA COSTA. O autor aduz que está sofrendo descontos indevidos em seu benefício provenientes de um contrato de cartão de crédito que não realizou.
BANCO BMG S.A visa o RECURSO INOMINADO para atacar sentença de primeiro grau que julgou parcialmente procedentes os pedidos autorais e condenou o réu a declarar inexistente qualquer débito originado do contrato nº 10534605, condenou o réu a devolver à autora, em dobro, os valores que tenham sido cobrados e condenou o réu a pagar ao autor a quantia de R$ 1.000,00 (Um mil reais), a título de danos morais.
Em suas razões, a parte recorrente alega preliminarmente incompetência do juizado e a litispendência. No mérito argumenta que a contratação está eivada de legalidade, pois o recorrente comprovou que a parte recorrida firmou o contrato alvo do processo. Portanto, está claro que a contratação é legal. Ademais, anexou aos autos cópia do contrato e TED. Requer que a sentença seja reformada e os pedidos autorais sejam julgados improcedentes.
Em sede de contrarrazões ao recurso inominado, a recorrida aduz que não houve a realização do negócio jurídico, uma vez que este sequer existe. Nos autos a recorrente, no momento oportuno, não demonstrou a existência do suposto contrato, este que enseja os ilícitos e injustos descontos dos parcos rendimentos da recorrida. Em nenhum dos eventos ocorridos durante a presente ação a recorrida apresentou/anexou SEQUER a cópia do suposto contrato, restando assim impossibilitada qualquer possibilidade de acordo ou procedência de pedido contraposto. Requer que a sentença seja mantida
É o breve relatório.
VOTO
II - VOTO
Presentes os pressupostos de admissibilidade, há de se conhecer do recurso.
In casu, trata-se de AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRATUAL C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS interposta por ALBERTO ALEIXO DA COSTA. O autor aduz que está sofrendo descontos indevidos em seu benefício provenientes de um contrato de cartão de crédito que não realizou.
Em sede de contestação, a ré alega preliminarmente conexão e litispendência. No mérito, argumenta que houve a decadência do direito, pois o Autor já possuía conhecimento dos lançamentos ora em debate. Por conseguinte, alega que os contratos foram efetivados em total consonância com as normas legais e regulamentares, partindo-se da premissa da boa-fé e culminando com a apresentação e comprovação dos dados pessoais do Autor no ato da efetivação da contratação. Ademais, diz que o autor realizou saques nos valores de R$1.056,44 (mil, cinquenta e seis reais e quarenta e quatro centavos); e R$1.070,00 (mil e setenta reais) e que as referidas quantias foram disponibilizadas na forma de TED em conta corrente do autor. Requer a improcedência dos pedidos.
Na sentença, o juízo de primeiro grau entendeu por rejeitar as preliminares arguidas pela parte ré. No mérito, entendeu que não houve decadência do direito, pois aplica-se ao caso em tela o prazo quinquenal prescricional do art. 27 do CDC. Acerca dos contratos juntados pela ré, nenhum deles faz referência ao contrato discutido na inicial, de nº 10534615. Ademais, a parte requerida também juntou informação sobre a disponibilização dos valores em favor do requerente, todavia não diz respeito ao valor contratado. Por fim, entendeu que a operação de crédito debatida se deu por meio de fraude e sem a participação da requerente. Em casos tais, a responsabilidade de indenizar os danos sofridos pelo consumidor é do réu/fornecedor, posto que sua omissão em tomar medidas de segurança necessárias a evitar contratações indevidas é causa do evento danoso.
Diante o exposto, a sentença merece ser confirmada por seus próprios fundamentos, o que se faz na forma do disposto no artigo 46 da Lei 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão.
Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão.
III - DISPOSITIVO
Ante o exposto, conheço do recurso para negar-lhe provimento.
Ônus de sucumbência pela recorrente nas custas e honorários advocatícios, estes em 10% sobre o valor corrigido da causa.
Teresina (PI), datado eletronicamente
Juíz Relator
Teresina, 29/07/2024
0001729-04.2017.8.18.0062
Órgão Julgador3ª Cadeira da 2ª Turma Recursal
Órgão Julgador Colegiado2ª Turma Recursal
Relator(a)SEBASTIAO FIRMINO LIMA FILHO
Classe JudicialRECURSO INOMINADO CÍVEL
CompetênciaTurma Recursal
Assunto PrincipalDireito de Imagem
AutorALBERTO ALEIXO DA COSTA
RéuBANCO BMG SA
Publicação14/08/2024