Acórdão de 2º Grau

Contratos Bancários 0800067-73.2023.8.18.0122


Ementa

JUIZADO ESPECIAL. RECURSO INOMINADO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE NEGÓCIO JURÍDICO CUMULADO COM DANOS MATERIAIS E MORAIS. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. EMPRÉSTIMO BANCÁRIO. CONDENAÇÃO POR LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. LITISPENDÊNCIA RECONHECIDA. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. (TJPI - RECURSO INOMINADO CÍVEL 0800067-73.2023.8.18.0122 - Relator: JOAO ANTONIO BITTENCOURT BRAGA NETO - 1ª Turma Recursal - Data 20/06/2024 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Turma Recursal

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0800067-73.2023.8.18.0122

RECORRENTE: JOAO BATISTA GOMES

Advogado(s) do reclamante: VITOR GUILHERME DE MELO PEREIRA

RECORRIDO: BANCO BRADESCO S.A.
REPRESENTANTE: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A

 

RELATOR(A): 1ª Cadeira da 1ª Turma Recursal



EMENTA


 

JUIZADO ESPECIAL. RECURSO INOMINADO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE NEGÓCIO JURÍDICO CUMULADO COM DANOS MATERIAIS E MORAIS. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. EMPRÉSTIMO BANCÁRIO. CONDENAÇÃO POR LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. LITISPENDÊNCIA RECONHECIDA. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO.



RELATÓRIO


 

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0800067-73.2023.8.18.0122
Origem: 
RECORRENTE: JOAO BATISTA GOMES 
Advogado do(a) RECORRENTE: VITOR GUILHERME DE MELO PEREIRA - PI7562-A

RECORRIDO: BANCO BRADESCO S.A.
REPRESENTANTE: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A


RELATOR(A): 1ª Cadeira da 1ª Turma Recursal - Juiz João Antônio Bittencourt Braga Neto


Trata-se demanda judicial, na qual a autora alega: que sofre com descontos indevidos em seu benefício previdenciário; que os descontos são provenientes de um empréstimo fraudulento; que nunca realizou negócio jurídico com o Banco Requerido e que não recebeu qualquer valor decorrente do suposto empréstimo. Por essas razões, requereu: os benefícios da justiça gratuita; a inversão do ônus da prova; a suspensão dos descontos indevidos; a devolução em dobro da quantia descontada indevidamente e a condenação do Requerido por danos morais.


Sem contestação, em razão do julgamento antecipado da lide.


Sobreveio sentença, resumidamente, nos termos que se seguem: Após minucioso e trabalhoso serviço de conferência, que tem se tornado obrigatório devido a prática de repetição de ações, detectou-se que a presente ação é a repetição integral do processo 0800651-65.2022.8.18.0029. Com efeito, comparações dos processos da autora foi constatado a existência do Processo nº0800651-65.2022.8.18.0029, igualmente tramitando perante esse Juízo, envolvendo as mesmas partes, a mesma causa de pedir e pedido. Comprovada a identidade de ações, a extinção do feito mais moderno é medida imperativa, pois independente da vontade das partes não pode prosseguir sendo matéria de ordem pública. A conduta do demandante atenta diretamente contra a administração da Justiça, movendo e ocupando de forma totalmente desnecessária a máquina judicial e a defesa da outra parte. Perceba-se que aqui não foi apenas um único incidente manifestamente infundado como prevê o código, mas todo um processo. Diante do exposto evidenciada a LITISPENDÊNCIA, consoante o art. 485, inciso V, c/c art. 337, §5º, ambos do Código de Processo Civil, declaro EXTINTO o presente processo, sem julgamento do mérito, pelas razões acima descritas. Com fulcro no art. 80, II, V e VI, e art. 81, ambos do CPC, condeno a requerente e solidariamente o advogado subscritor da inicial por litigância de má-fé. Fixo a multa no valor correspondente a 8% (oito por certo) do valor da causa atualizado por ter a conduta de forma reiterada, bem como CONDENO, mais, a parte autora, da mesma forma solidária ao pagamento de indenização para a parte demandada, o valor correspondente a 02 (dois) salários-mínimos, podendo serem cobradas conforme autoriza o artigo 98 §4 do CPCº.


Inconformado, o Autor, ora Recorrente alegou em suas razões: que ao se deparar com inúmeros empréstimos consignados, procurou os patronos para acionar o judiciário em busca de justiça; que a penalidade por litigância de má-fé não pode ser aplicada ao advogado; que a decisão de primeiro grau foi equivocada e que não houve atuação maliciosa nem do autor e nem dos advogados. Por fim, requereu a reforma da sentença para afastar a condenação do autor e dos advogados por litigância de má-fé.


Apesar de regularmente intimado, o Banco Recorrido não apresentou contrarrazões.


É o relatório.


VOTO


 

Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.

Após analisar os argumentos apresentados pelas partes e avaliar as evidências disponíveis nos autos, chego a conclusão que a sentença em questão requer revisão, especificamente para excluir a condenação do causídico por litigância de má-fé, ante a necessidade da aludida conduta ser apurada em ação própria, conforme depreende-se de uma simples leitura do Art. 32 da Lei 8.906/94.

No mesmo sentido, cito julgado do STJ:

AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. ALEGADA AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ. CONDENAÇÃO DO ADVOGADO POR LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. IMPOSSIBILIDADE. PARCIAL PROVIMENTO. 1. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória (Súmula n. 7/STJ). 2. As penas por litigância de má-fé, previstas nos artigos 79 e 80 do CPC de 2015, são endereçadas às partes, não podendo ser estendidas ao advogado que atuou na causa, o qual deve ser responsabilizado em ação própria, consoante o artigo 32 da Lei 8.906/1994. Precedentes. 3. Agravo interno parcialmente provido.
(STJ - AgInt no AREsp: 1722332 MT 2020/0159573-3, Data de Julgamento: 13/06/2022, T4 - QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJe 21/06/2022)”



Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, apenas para excluir a condenação do causídico por litigância de má-fé, mantendo, nos demais termos, a sentença por seus próprios fundamentos.


Sem imposição do ônus sucumbencial.


É como voto.





Detalhes

Processo

0800067-73.2023.8.18.0122

Órgão Julgador

1ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

Órgão Julgador Colegiado

1ª Turma Recursal

Relator(a)

JOAO ANTONIO BITTENCOURT BRAGA NETO

Classe Judicial

RECURSO INOMINADO CÍVEL

Competência

Turma Recursal

Assunto Principal

Contratos Bancários

Autor

JOAO BATISTA GOMES

Réu

BANCO BRADESCO S.A.

Publicação

20/06/2024