Acórdão de 2º Grau

Despejo para Uso Próprio 0801891-45.2021.8.18.0152


Ementa

RECURSO INOMINADO. RELAÇÃO DE CONSUMO. AÇÃO DE DESPEJO PARA USO PRÓPRIO C/C AÇÃO DE COBRANÇA, COM PEDIDO DE LIMINAR. CONTRATO VERBAL DE LOCAÇÃO. IMÓVEL LOCADO É OBJETO DE PROGRAMA HABITACIONAL MINHA CASA MINHA VIDA. AUTORA NÃO É A BENEFICIÁRIO DO PROGRAMA. CONTRATO DE COMPRA E VENDA NULO. DESRESPEITO DO ART. 11, IX, DA LEI Nº 14.620/2023. TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE NÃO PRODUZIU EFEITO. CONTRATO DE LOCAÇÃO NULO. IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIR O DESPEJO. AUSÊNCIA DO PODER DE REAVER. SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS E JURÍDICOS FUNDAMENTOS. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. (TJPI - RECURSO INOMINADO CÍVEL 0801891-45.2021.8.18.0152 - Relator: FRANCISCO JOAO DAMASCENO - 3ª Turma Recursal - Data 30/05/2024 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 3ª Turma Recursal

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0801891-45.2021.8.18.0152

RECORRENTE: RITA TERESA DOS SANTOS
REPRESENTANTE: DEFENSORIA PUBLICA DO ESTADO DO PIAUI

 

RECORRIDO: MARIA DAS GRACAS DOS SANTOS

Advogado(s) do reclamado: ANA DE JESUS MONTEIRO REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO ANA DE JESUS MONTEIRO

RELATOR(A): 3ª Cadeira da 3ª Turma Recursal



EMENTA

RECURSO INOMINADO. RELAÇÃO DE CONSUMO. AÇÃO DE DESPEJO PARA USO PRÓPRIO C/C AÇÃO DE COBRANÇA, COM PEDIDO DE LIMINAR. CONTRATO VERBAL DE LOCAÇÃO. IMÓVEL LOCADO É OBJETO DE PROGRAMA HABITACIONAL MINHA CASA MINHA VIDA. AUTORA NÃO É A BENEFICIÁRIO DO PROGRAMA. CONTRATO DE COMPRA E VENDA NULO. DESRESPEITO DO ART. 11, IX, DA LEI Nº 14.620/2023. TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE NÃO PRODUZIU EFEITO. CONTRATO DE LOCAÇÃO NULO. IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIR O DESPEJO. AUSÊNCIA DO PODER DE REAVER. SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS E JURÍDICOS FUNDAMENTOS. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.


 


RELATÓRIO

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0801891-45.2021.8.18.0152


RECORRENTE: RITA TERESA DOS SANTOS
REPRESENTANTE: DEFENSORIA PUBLICA DO ESTADO DO PIAUI

RECORRIDO: MARIA DAS GRACAS DOS SANTOS
Advogado do(a) RECORRIDO: ANA DE JESUS MONTEIRO - PI19290-A

RELATOR(A): 3ª Cadeira da 3ª Turma Recursal


Trata-se de AÇÃO DE DESPEJO PARA USO PRÓPRIO C/C AÇÃO DE COBRANÇA, COM PEDIDO DE LIMINAR em que a parte autora pleiteia a desocupação do imóvel, pelo prazo legal, sob pena de despejo, e a condenação da requerida ao pagamento dos alugueis em atraso, bem como de todas as faturas de água e energia até o dia da efetiva desocupação.

A sentença julgou IMPROCEDENTE os pedidos formulados na inicial, extinguindo o feito, com resolução do mérito, na forma do artigo 487, inciso I, do Código de Processo Civil.

A parte autora interpôs recurso inominado alegando: da má-fé da requerida; dos alugueis devidos; e por fim, requer a reforma da sentença para que seja julgada procedente a demanda.

Sem contrarrazões da parte recorrida.

É o relatório sucinto.



 


VOTO

 

Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.

Compulsando os autos, constata-se que o imóvel objeto do contrato firmado entre as partes é proveniente do programa habitacional Minha Casa Minha Vida, tendo sido adquirido por pessoa distinta da autora que vendeu a terceiro e este vende à autora.

Ocorre que, nos termos do art. 11, IX, da Lei nº 14.620/2023,a família beneficiária dos programas habitacionais do Minha Casa Minha Vida se encontram impedidas de venderem o imóvel em virtude do objetivo social do programa. Desse modo, a compra realizada pela parte autora não se reveste de legalidade, constituindo ato nulo.

Assim, havendo a nulidade do contrato de compra e venda do referido imóvel, a parte autora não goza do direito de reaver o imóvel. Portanto, agiu acertadamente o juízo a quo. Dessa forma, entendo que a sentença merece ser confirmada por seus próprios e jurídicos fundamentos, o que se faz na forma do disposto no 46 da Lei nº 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão.

Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão.

Diante do exposto, voto pelo conhecimento do recurso para negar-lhe provimento, mantendo-se a sentença a quo em todos os seus termos.

Ônus de sucumbência em custas e honorários advocatícios em 10% sobre valor corrigido da causa, no entanto, fica suspensa a exigibilidade da condenação, nos termos do art. 98, §3º, do CPC.

Teresina (PI), datado e assinado eletronicamente.





 

Detalhes

Processo

0801891-45.2021.8.18.0152

Órgão Julgador

3ª Cadeira da 3ª Turma Recursal

Órgão Julgador Colegiado

3ª Turma Recursal

Relator(a)

FRANCISCO JOAO DAMASCENO

Classe Judicial

RECURSO INOMINADO CÍVEL

Competência

Turma Recursal

Assunto Principal

Despejo para Uso Próprio

Autor

RITA TERESA DOS SANTOS

Réu

MARIA DAS GRACAS DOS SANTOS

Publicação

30/05/2024