TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 3ª Turma Recursal
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0823584-92.2019.8.18.0140
RECORRENTE: FRANCINALVA COELHO DE MELO
Advogado(s) do reclamante: THIAGO FELIPE COELHO VIANA
RECORRIDO: DEPARTAMENTO ESTADUAL DE TRANSITO
REPRESENTANTE: DEPARTAMENTO ESTADUAL DE TRANSITO
RELATOR(A): 1ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
EMENTA
RECURSO INOMINADO. JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C DANOS MORAIS E ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. RECONHECIMENTO DE DEFICIÊNCIA E LIBERAÇÃO DE CARTEIRA NACIONAL DE HABILITAÇÃO ESPECIAL PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS. DIVERGÊNCIA ENTRE LAUDO PARTICULAR E JUNTA MÉDICA DO DETRAN/PI. NECESSIDADE DE PROVA PERICIAL EM JUÍZO. COMPLEXIDADE DA DEMANDA QUE AFASTA A COMPETÊNCIA DOS JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS. INTELIGÊNCIA DO ART. 51, II, DA LEI 9.099/95. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.
RELATÓRIO
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0823584-92.2019.8.18.0140 Trata-se de AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C DANOS MORAIS E ANTECIPAÇÃO DE TUTELA em que a parte autora pleiteia o reconhecimento de deficiência física e a liberação de emissão de CNH Especial para PCD. Sobreveio sentença que declarou a incompetência deste Juízo, e julgou extinto o processo sem resolução do mérito, o fazendo com fulcro no art. 27 da Lei 12.153/2009 c/c 51, inciso II, da Lei 9099/95, bem como com base no Ofício nº 007/2016, da Supervisão Geral dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais (SGJE). A parte autora interpôs recurso inominado alegando, em síntese, que a não-aplicação do dispositivo legal mencionado, envolto do melhor entendimento doutrinário e jurisprudencial, acaba por obstacularizar o exercício de um direito posto no ordenamento jurídico pátrio, ferindo a própria dignidade da pessoa humana – preceito maior da vida - permitindo tratamento com DISCRIMINAÇÃO, em contrariedade à proteção constitucional já tutelada nesta inicial. Aduz ainda que a situação narrada acarretou abalos morais. Por fim, requer a reforma da sentença para julgar procedente o pedido inicial. Contrarrazões pela parte recorrida pugnando pela manutenção da sentença. É a sinopse dos fatos.
Origem:
RECORRENTE: FRANCINALVA COELHO DE MELO
Advogado do(a) RECORRENTE: THIAGO FELIPE COELHO VIANA - PI16288-A
RECORRIDO: DEPARTAMENTO ESTADUAL DE TRANSITO
REPRESENTANTE: DEPARTAMENTO ESTADUAL DE TRANSITO
RELATOR(A): 1ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
VOTO
Satisfeitos os pressupostos processuais viabilizadores da admissibilidade do recurso, tanto os objetivos quanto os subjetivos, deve ser ele conhecido. Compulsando os autos, verifica-se que o cerne da presente demanda é se o problema de saúde diagnosticado da parte autora constitui causa suficiente para liberação da CNH Especial para PCD. Analisando o lastro probatório verifica-se que os exames juntados pela autora atestam a doença sem, contudo, determinar se esta é suficiente ou não para o deferimento do seu pleito. Acrescenta-se que o parecer da junta médica do DETRAN/PI entendeu que o problema de saúde da recorrente não a impossibilita de exercer as atividades normais para condução de veículos convencionais. Desta forma, tenho que agiu acertadamente o juízo a quo, eis que, não há como este juízo chegar a uma conclusão sem a realização de perícia médica, prova esta que assume alta complexidade, portanto, não é compatível com o sistema dos Juizados Especiais. Nestes termos, entendo que a sentença merece ser confirmada por seus próprios e jurídicos fundamentos, o que se faz na forma do disposto dos arts. 27 da Lei n. 12.153/2009 e 46 da Lei nº 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão. Lei nº 12.153/2009: Art. 27. Aplica-se subsidiariamente o disposto nas Leis nos 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, 9.099, de 26 de setembro de 1995, e 10.259, de 12 de julho de 2001. Lei nº 9.099/1995: Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão. Diante do exposto, voto pelo conhecimento do recurso para negar-lhe provimento, mantendo-se a sentença a quo por seus próprios e jurídicos fundamentos. Ônus de sucumbência pela parte recorrente em custas e honorários advocatícios, estes fixados em 10% sobre o valor corrigido da causa, no entanto, fica suspensa a exigibilidade da condenação pelo prazo de 05 anos em virtude da gratuidade da justiça, nos termos do art. 98, §3º, do CPC. Teresina (PI), datado e assinado eletronicamente
Teresina, 24/05/2024
0823584-92.2019.8.18.0140
Órgão Julgador1ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
Órgão Julgador Colegiado3ª Turma Recursal
Relator(a)ANTONIO LOPES DE OLIVEIRA
Classe JudicialRECURSO INOMINADO CÍVEL
CompetênciaTurma Recursal
Assunto PrincipalDireito de Imagem
AutorFRANCINALVA COELHO DE MELO
RéuDEPARTAMENTO ESTADUAL DE TRANSITO
Publicação27/05/2024