TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 4ª Câmara Especializada Cível
APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0801202-25.2023.8.18.0089
APELANTE: ISABEL ROSA DO NASCIMENTO TRINDADE
Advogado(s) do reclamante: ROMULO BEZERRA CAMINHA VELOSO, FLAVIO CLEITON DA COSTA JUNIOR, RAFAEL DA CRUZ PINHEIRO
APELADO: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A
REPRESENTANTE: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A
Advogado(s) do reclamado: JOSE ALMIR DA ROCHA MENDES JUNIOR REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO JOSE ALMIR DA ROCHA MENDES JUNIOR
RELATOR(A): Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
EMENTA
PROCESSUAL CIVIL – APELAÇÃO – NEGÓCIO BANCÁRIO – CONTRATO DE EMPRÉSTIMO CONSIGNADO – INSTRUMENTO CONTRATUAL INVÁLIDO – AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE TRANSFERÊNCIA DE VALOR – NULIDADE DO CONTRATO – INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS – QUANTUM INDENIZATÓRIO RAZOÁVEL – MAJORAÇÃO INDEVIDA – RECURSO DESPROVIDO. 1. O valor da condenação por danos morais deve ser fixado em observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, a fim de cumprir a sua função punitiva-pedagógica, sem, contudo, representar enriquecimento sem causa para aquele que suportou o dano causado. 2. Quantum indenizatório fixado no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais), patamar considerado razoável por esta Câmara. Precedentes. Majoração não acolhida. 3. Sentença mantida. Recurso desprovido.
RELATÓRIO
APELAÇÃO CÍVEL (198) -0801202-25.2023.8.18.0089 Trata-se de Apelação interposta por Isabel Rosa do Nascimento Trindade, a fim de reformar sentença proferida nos autos da Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica c/c Repetição de Indébito c/c Indenização por Danos Patrimoniais e Morais, aqui versada, ajuizada contra o Banco Bradesco Financiamentos S.A., ora Apelado. A sentença consiste, essencialmente, em julgar procedente a ação, para declarar a nulidade do contrato de empréstimo consignado discutido nos autos e condenar o Apelado a ressarcir, em dobro, os valores indevidamente descontados da requerente e ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais). Condenou-o, ainda, ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios, estes fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação. Para tanto, entendeu o juiz sentenciante que a instituição financeira demandada trouxe aos autos instrumento contratual firmado por autor não alfabetizado sem assinatura a rogo e não logrou demonstrar que disponibilizou à parte o valor do contrato, pelo que se impunha a declaração de sua nulidade, nos termos da Súmula nº 18 deste TJPI. Inconformada com o quantum indenizatório, a Apelante pede a sua majoração. Requer também a manutenção da gratuidade judiciária já deferida em 1º grau. O Apelado contesta os argumentos expendidos no recurso, pugnando pelo seu improvimento. O Ministério Público informa a desnecessidade de intervenção no feito. Recurso recebido e mantida a gratuidade de justiça para a Apelante, já deferida em 1º grau, conforme Decisão de ID 14146637. É o quanto basta relatar, a fim de se passar ao VOTO.
Origem:
APELANTE: ISABEL ROSA DO NASCIMENTO TRINDADE
Advogados do(a) APELANTE: FLAVIO CLEITON DA COSTA JUNIOR - PI15817-A, RAFAEL DA CRUZ PINHEIRO - PI15771-A, ROMULO BEZERRA CAMINHA VELOSO - PI20429-A
APELADO: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A
REPRESENTANTE: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A
Advogado do(a) APELADO: JOSE ALMIR DA ROCHA MENDES JUNIOR - PI2338-A
RELATOR(A): Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
VOTO
Senhores julgadores, a Apelante insurge-se contra a sentença com o único intuito de que seja majorado o quantum indenizatório, por entender que o valor outrora arbitrado não é suficiente para indenizá-la pelo dano que o Apelado lhe causara. No caso em comento, o magistrado a quo reconheceu a ilegalidade dos descontos discutidos, entendendo que contrato juntado aos autos pelo banco requerido é inválido, por ausência de assinatura a rogo, bem como por não haver comprovação da disponibilização do respectivo valor à conta da parte autora. Condenou, assim, o requerido a restituir em dobro os valores descontados e ao pagamento de indenização. Fixou o quantum indenizatório em R$ 2.000,00 (dois mil reais). No tocante à indenização por danos morais, sabe-se que o valor da condenação deve ser fixado em observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, a fim de cumprir a sua função punitiva-pedagógica, sem, contudo, representar enriquecimento sem causa para aquele que suportou o dano causado. No caso sob análise, entendo que o valor fixado está em consonância com os mencionados princípios, conforme jurisprudência desta Câmara. Com efeito, esta egrégia 4ª Câmara Especializada Cível, em casos semelhantes e recentemente julgados, tem considerado razoável a quantia de R$ 2.000,00 (dois mil reais) devidas a título de danos morais. Portanto, a majoração do valor fixado não deve ser acolhida, não merecendo reparo a sentença. EX POSITIS e sendo o quanto necessário asseverar, VOTO pelo desprovimento do recurso. Deixo de majorar os honorários advocatícios, em razão de a Apelante já ter sido vencedora na ação de origem. É como voto.
Teresina, 09/05/2024
0801202-25.2023.8.18.0089
Órgão JulgadorDesembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
Órgão Julgador Colegiado4ª Câmara Especializada Cível
Relator(a)JOAO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
Classe JudicialAPELAÇÃO CÍVEL
CompetênciaCâmaras Cíveis
Assunto PrincipalPráticas Abusivas
AutorISABEL ROSA DO NASCIMENTO TRINDADE
RéuBANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A
Publicação13/05/2024