TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 3ª Turma Recursal
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0800328-47.2023.8.18.0119
RECORRENTE: BANCO LOSANGO S.A. - BANCO MULTIPLO, BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A, KARINA DE ALMEIDA BATISTUCI
RECORRIDO: JOSE DOMINGOS PEREIRA DA SILVA, AECIA LOPES DE BARROS TORRES, ALVINO ALEIXO DE BARROS FILHO
REPRESENTANTE: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A
RELATOR(A): 3ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
EMENTA
RECURSO INOMINADO. RELAÇÃO DE CONSUMO. INSCRIÇÃO NOS CADASTROS DE INADIMPLENTES. COBRANÇA DE CRÉDITO DIRETO AO CONSUMIDOR. CONTRATO ANEXADO AOS AUTOS. CONTRATO COM ASSINATURA A ROGO. AUTOR ALFABETIZADO. FALSIFICAÇÃO GROSSEIRA. COBRANÇA INDEVIDA. INSCRIÇÃO NOS CADASTROS DE INADIMPLENTES. INDEVIDA. ILÍCITO CONFIGURADO. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. QUANTUM INDENIZATÓRIO PROPORCIONAL E RAZOÁVEL. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.
RELATÓRIO
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0800328-47.2023.8.18.0119
RECORRENTE: BANCO LOSANGO S.A. - BANCO MULTIPLO, BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A, KARINA DE ALMEIDA BATISTUCI
Advogado do(a) RECORRENTE: KARINA DE ALMEIDA BATISTUCI - PI7197-A
RECORRIDO: JOSE DOMINGOS PEREIRA DA SILVA, AECIA LOPES DE BARROS TORRES, ALVINO ALEIXO DE BARROS FILHO
Advogados do(a) RECORRIDO: AECIA LOPES DE BARROS TORRES - PI16750-A, ALVINO ALEIXO DE BARROS FILHO - PI20646-A
RELATOR(A): 3ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
Trata-se de AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR COBRANÇA INDEVIDA C/ C REPARAÇÃO POR DANOS MORAIS em que a parte autora aduz ter sido cobrada indevida por fatura de cartão de crédito já quitada, tendo sido inscrita nos cadastros de inadimplentes.
Sobreveio sentença que julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO para declarar inexistente a dívida junto à parte promovida, Banco Losango S/A, referente ao contrato n° 0030200981480602, bem como para condenar a demandada a pagar à parte autora, a título de indenização pelos danos morais sofridos, a quantia de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), por ser valor que atende, precipuamente, à composição do dano moral experimentado pela requerente, bem como o potencial econômico da empresa demandada, atendendo, via reflexa, à tese do valor desestímulo, consagrada pelo CDC, em seu art. 6º, VI, acrescendo-se ainda correção monetária a partir da data da sentença, conforme súmula 362 do STJ, de acordo com a tabela prática instituída pela Justiça Federal e juros de mora fixados em 1% ao mês a partir da citação, com fundamento no art. 405 do Código Civil c/c art. 161, § 1º, do Código Tributário Nacional. Outrossim, determino que o banco réu CANCELE IMEDIATEMENTE os débitos em nome da autora referente ao contrato impugnado, sob pena de incidência de multa diária no valor de R$ 200,00 (duzentos reais) até o montante de R$ 2.000,00 (dois mil reais).
A requerida interpôs recurso inominado alegando, em síntese: das razões de reforma da sentença; da possibilidade de redução do valor; do mérito; inexistência de dano moral; da necessidade de redução do valor da condenação; do enriquecimento sem causa; e por fim, requer o provimento do recurso para julgar improcedente o pedido inicial.
Contrarrazões pelo recorrido pugnando pela manutenção da sentença.
É o relatório.
VOTO
Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.
Consigna-se que relação jurídica existente entre as partes configura-se como de consumo, pelas características inerentes aos sujeitos participantes, conforme as definições legais de consumidor e fornecedor, a responsabilidade, portanto, é objetiva.
Compulsando os autos constato que é incontroverso que a parte autora foi inscrita no cadastro de restrições ao crédito pela requerida, conforme extrato anexo à inicial. Ademais, verifica-se que a inscrição foi realizada pela parte recorrente referente a contrato de crédito direto ao consumidor, conforme contrato anexado aos autos.
Ocorre que, analisando o contrato aos autos, verifica-se que este foi preenchido e assinado a rogo por pessoa desconhecida do autor, enquanto que, o autor é pessoa alfabetizada, configurando, portanto, falsificação grosseira.
Dessa forma, a ré não se desincumbiu do ônus de provar fato extintivo ou modificativo do direito do autor, nos termos do art. 373, II, do CPC. Assim, entendo que a inscrição do nome do recorrido é indevida.
A inclusão indevida de nome em órgão de proteção ao crédito configura o dano moral in re ipsa. Configurada a conduta ilícita, presentes o nexo causal e o dano, é consequência o dever de indenizar.
Para fixação dos danos morais, deve-se levar em consideração as circunstâncias de cada caso concreto, tais como a natureza da lesão, as consequências do ato, o grau de culpa, as condições financeiras das partes, atentando-se para a sua dúplice finalidade, ou seja, meio de punição e forma de compensação à dor da vítima, não permitindo o seu enriquecimento imotivado.
No que toca ao valor da indenização, é entendimento do Superior Tribunal de Justiça que há a possibilidade de majorar ou reduzir, quando irrisório ou absurdo, o valor das verbas fixadas a título de dano moral, por se tratar de matéria de direito e não de reexame fático-probatório. No caso em questão entendo que o valor fixado em sentença encontra-se adequado e atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, devendo ser mantido.
Isto posto, voto pelo conhecimento do recurso para negar-lhe provimento, mantendo a sentença em todos seus termos.
Ônus de sucumbência pela parte recorrente em custas e honorários advocatícios, estes fixados em 20% do valor atualizado da condenação.
Teresina, datado e assinado eletronicamente.
0800328-47.2023.8.18.0119
Órgão Julgador3ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
Órgão Julgador Colegiado3ª Turma Recursal
Relator(a)FRANCISCO JOAO DAMASCENO
Classe JudicialRECURSO INOMINADO CÍVEL
CompetênciaTurma Recursal
Assunto PrincipalInclusão Indevida em Cadastro de Inadimplentes
AutorBANCO LOSANGO S.A. - BANCO MULTIPLO
RéuJOSE DOMINGOS PEREIRA DA SILVA
Publicação30/05/2024