Acórdão de 2º Grau

Inclusão Indevida em Cadastro de Inadimplentes 0801814-50.2022.8.18.0136


Ementa

RECURSO INOMINADO. RELAÇÃO DE CONSUMO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C DANOS MORAIS. FRAUDE. COBRANÇAS INDEVIDAS EM FATURA DE CARTÃO DE CRÉDITO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. INVERSÃO DO ÔNUS PROBATÓRIO. NEGATIVAÇÃO INDEVIDA. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. (TJPI - RECURSO INOMINADO CÍVEL 0801814-50.2022.8.18.0136 - Relator: ELVANICE PEREIRA DE SOUSA - 1ª Turma Recursal - Data 15/05/2024 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Turma Recursal

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0801814-50.2022.8.18.0136

RECORRENTE: BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A., PAULO ROBERTO JOAQUIM DOS REIS, PICPAY INSTITUICAO DE PAGAMENTO S/A, RAMON HENRIQUE DA ROSA GIL, BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.

RECORRIDO: PABLO PHILIPE LOPES MOURA, RANIE CARBONARI APARECIDO PEREIRA DE SANTANA
REPRESENTANTE: PICPAY INSTITUICAO DE PAGAMENTO S/A, BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.

RELATOR(A): 2ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

 


EMENTA


 

RECURSO INOMINADO. RELAÇÃO DE CONSUMO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C DANOS MORAIS. FRAUDE. COBRANÇAS INDEVIDAS EM FATURA DE CARTÃO DE CRÉDITO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. INVERSÃO DO ÔNUS PROBATÓRIO. NEGATIVAÇÃO INDEVIDA. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.

 


RELATÓRIO


RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0801814-50.2022.8.18.0136
Origem: 
RECORRENTE: BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A., PAULO ROBERTO JOAQUIM DOS REIS, PICPAY INSTITUICAO DE PAGAMENTO S/A, RAMON HENRIQUE DA ROSA GIL, BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. 
Advogado do(a) RECORRENTE: RAMON HENRIQUE DA ROSA GIL - SP303249-A
Advogado do(a) RECORRENTE: PAULO ROBERTO JOAQUIM DOS REIS - SP23134-A

RECORRIDO: PABLO PHILIPE LOPES MOURA, RANIE CARBONARI APARECIDO PEREIRA DE SANTANA
REPRESENTANTE: PICPAY INSTITUICAO DE PAGAMENTO S/A, BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.

Advogado do(a) RECORRIDO: RANIE CARBONARI APARECIDO PEREIRA DE SANTANA - PI8649-A

RELATOR(A): 2ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

Cuida-se de AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C DANOS MORAIS ajuizada por PABLO PHILIPE MOPES MOURA em face do BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. e PICPAY INSTITUICAO DE PAGAMENTO S/A, alegando, em síntese, que na data de 29-10-2021 foi alvo de um golpe, pois houve uma compra realizada sem o seu consentimento no valor total de R$ 4.399,70, realizada pelo o PIC PAY*sd3 P.

Sobreveio sentença onde o juízo a quo julgou PARCIALMENTE PROCEDENTES EM PARTE os pedidos autorais, senão vejamos:

 

Em face de todo o exposto e nos termos do Enunciado 162 do Fonaje, julgo parcialmente procedente a ação, o que faço para excluir a pretensão dos danos materiais. De outro modo, condeno o réu a pagar ao autor, a título de danos morais, o importe de R$ 2.000,00 (dois mil reais), valor este sujeito à atualização monetária a partir desta data, com base na súmula 362 do STJ, e juros de 1% (um por cento) ao mês a partir do evento danoso, nos termos da súmula 54 do STJ. Ademais, determino a inexistência do débito no valor de R$ 4.399,70.

                        Em julgamento de embargos de declaração interposto pela requerida PICPAY INSTITUIÇÃO DE PAGAMENTO S/A, este foi conhecido e provido apenas para esclarecer a condenação solidária entre os requeridos.

O recorrente, BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A alega em suas razões, em síntese: das razões de direito da inexistência de conduta ilícita - ausência de comprovação de dano moral - improcedência do pleito indenizatório - ausência de responsabilidade civil; indenização por danos morais demasiadamente elevada - enriquecimento sem causa - minoração da condenação. Por fim, requer a reforma da sentença para julgar improcedente o pedido inicial ou, alternativamente, afastada a indenização por danos morais.

Com contrarrazões da parte recorrida.

É o relatório.


VOTO



Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.

Conforme explicitado na sentença, não restou demonstrada a legalidade da transação questionada.

 A Súmula 479 do STJ dispõe que: “as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias. Ademais, nos termos do art. 14, § 3º, do CDC, o ônus da prova, na hipótese de causa excludente de responsabilidade, é do fornecedor. É dever deste demonstrar a causa excludente da responsabilização capaz de romper com o nexo de causalidade entre sua conduta e o dano  experimentado pelo consumidor.

 Cabe ressaltar, ainda, que o art. 6º, VIII, do CDC, autoriza, a critério do julgador, a inversão do ônus da prova nas situações em que o consumidor for hipossuficiente.

 A simples alegação da existência de senha no cartão, por si só, não afasta o risco de fraude. A presunção de segurança das operações realizadas com cartões de crédito/débito não é absoluta e cabe ao réu/recorrente demonstrar, por meio de outros meios de prova à sua disposição, a responsabilidade da parte autora.

 Assim, a compra mediante fraude faz incidir sobre a instituição a responsabilização pelo ato, haja vista que a fraude cometida por terceiro não pode ser considerada ato isolado e exclusivo do infrator (CDC, art. 14, § 3º, inciso II), de forma a excluir o nexo de causalidade entre a conduta do fornecedor e o dano sofrido pelo consumidor, pois se trata de fortuito interno, relacionado à atividade desenvolvida pela empresa e aos riscos inerentes a ela.

Após a análise dos argumentos dos litigantes e do acervo probatório existente nos autos, entendo que a sentença deve ser mantida por seus próprios fundamentos, o que se faz na forma do disposto no artigo 46 da Lei 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão.


“Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de Acórdão.”


            Ante o exposto, voto para conhecer do recurso e negar-lhe provimento, mantendo a sentença por seus próprios e jurídicos fundamentos.

            Ônus de sucumbência pela parte recorrente nas custas e honorários advocatícios, sendo estes em 15% sobre o valor da condenação atualizado.

 

Teresina(PI), assinado e datado eletronicamente.

 



Teresina, 10/05/2024

Detalhes

Processo

0801814-50.2022.8.18.0136

Órgão Julgador

2ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

Órgão Julgador Colegiado

1ª Turma Recursal

Relator(a)

ELVANICE PEREIRA DE SOUSA

Classe Judicial

RECURSO INOMINADO CÍVEL

Competência

Turma Recursal

Assunto Principal

Inclusão Indevida em Cadastro de Inadimplentes

Autor

BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.

Réu

PABLO PHILIPE LOPES MOURA

Publicação

15/05/2024