Acórdão de 2º Grau

Crimes Previstos no Estatuto da criança e do adolescente 0001517-35.2020.8.18.0140


Ementa

EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO CRIMINAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. ALEGAÇÃO DE FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA NA APLICAÇÃO DAS DUAS CAUSAS DE AUMENTO DE PENA. MATÉRIA NÃO SUSCITADA NAS RAZÕES DE APELAÇÃO. INOVAÇÃO RECURSAL. INADMISSIBILIDADE. EMBARGOS REJEITADOS. 1. A matéria suscitada nos embargos não foi analisada no acórdão vergastado porque não foi suscitada pela Defesa nas razões de apelação. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento de que "Embora o recurso de apelação devolva ao Juízo ad quem toda a matéria objeto de controvérsia, o seu efeito devolutivo encontra limites nas razões aventadas pelo recorrente, em homenagem ao princípio da dialeticidade, que rege os recursos no âmbito do Processo Penal, por meio do qual se permite o exercício do contraditório pela parte adversa, garantindo-se, assim, o respeito ao cânone do devido processo legal" ( HC n. 185.775/RJ, Sexta Turma, Relª. Minª. Maria Thereza de Assis Moura, DJe de 1º/8/2013). 2. Em sede de apelação, a Defesa limitou-se a pugnar pela reforma da sentença com o decote da majorante do emprego de arma de fogo, redução ou parcelamento da pena de multa imposta e suspensão da cobrança das custas processuais devidas. 3. O que se percebe, portanto, é que o embargante, inconformado com a decisão que negou provimento à apelação, pretende sua reforma, utilizando novos argumentos. Contudo, não se admite inovação recursal na via estreita dos aclaratórios. 4. Embargos conhecidos e rejeitados. (TJPI - APELAÇÃO CRIMINAL 0001517-35.2020.8.18.0140 - Relator: JOSE VIDAL DE FREITAS FILHO - Vice-Presidência do Tribunal de Justiça - Data 29/05/2024 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 2ª Câmara Especializada Criminal

APELAÇÃO CRIMINAL (417) No 0001517-35.2020.8.18.0140

APELANTE: MARCOS HENRIQUE GONCALVES

 

APELADO: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PIAUÍ

 

RELATOR(A): Desembargador JOSÉ VIDAL DE FREITAS FILHO

 


EMENTA

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO CRIMINAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. ALEGAÇÃO DE FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA NA APLICAÇÃO DAS DUAS CAUSAS DE AUMENTO DE PENA. MATÉRIA NÃO SUSCITADA NAS RAZÕES DE APELAÇÃO. INOVAÇÃO RECURSAL. INADMISSIBILIDADE. EMBARGOS REJEITADOS.

1. A matéria suscitada nos embargos não foi analisada no acórdão vergastado porque não foi suscitada pela Defesa nas razões de apelação. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento de que "Embora o recurso de apelação devolva ao Juízo ad quem toda a matéria objeto de controvérsia, o seu efeito devolutivo encontra limites nas razões aventadas pelo recorrente, em homenagem ao princípio da dialeticidade, que rege os recursos no âmbito do Processo Penal, por meio do qual se permite o exercício do contraditório pela parte adversa, garantindo-se, assim, o respeito ao cânone do devido processo legal" ( HC n. 185.775/RJ, Sexta Turma, Relª. Minª. Maria Thereza de Assis Moura, DJe de 1º/8/2013).

2. Em sede de apelação, a Defesa limitou-se a pugnar pela reforma da sentença com o decote da majorante do emprego de arma de fogo, redução ou parcelamento da pena de multa imposta e suspensão da cobrança das custas processuais devidas.

3. O que se percebe, portanto, é que o embargante, inconformado com a decisão que negou provimento à apelação, pretende sua reforma, utilizando novos argumentos. Contudo, não se admite inovação recursal na via estreita dos aclaratórios.

4. Embargos conhecidos e rejeitados.

 

 

 

 


ACÓRDÃO



Vistos, relatados e discutidos estes autos, em Sessão Ordinária do Plenário Virtual, realizada no período de 10 a 17 de maio de 2024, acordam os componentes da SEGUNDA CÂMARA ESPECIALIZADA CRIMINAL, à unanimidade, CONHECER dos presentes embargos de declaração para, no mérito, NEGAR-LHES provimento, na forma do voto do Relator.


PLENÁRIO VIRTUAL DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ, Teresina/PI.


 Des. José Vidal de Freitas Filho

 

Relator


 

 

RELATÓRIO



Trata-se de Embargos de Declaração opostos por MARCOS HENRIQUE GONÇALVES, por intermédio da d. Defensoria Pública Estadual, em face de acórdão, ID 14342122, lavrado na Apelação Criminal n. 0001517-35.2020.8.18.0140, oportunidade em que este Órgão Fracionário, por votação unânime, julgou improcedente o recurso interposto, conforme parecer ministerial.

Em razões (ID 14824139), a ilustre Defensora Pública alegou falta de fundamentação idônea na aplicação das duas causas de aumento da parte especial. Pugnou pelo prequestionamento da matéria ventilada.

Em resposta aos embargos opostos, a d. Procuradoria-Geral de Justiça defendeu a inexistência de qualquer ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão na decisão guerreada, o que afasta a possibilidade de prequestionamento. Defendeu ainda que o embargante pretende inovação recursal de mérito, o que não se admite por meio desse recurso (ID 15443808).

Eis o breve relatório.

 


 

VOTO



Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço dos embargos de declaração.

Inicialmente, insta consignar que os embargos de declaração são cabíveis quando houver na decisão embargada qualquer contradição, omissão ou obscuridade a ser sanada, sendo imperioso ressaltar que também podem ser admitidos para a correção de eventual erro material, como têm reconhecido a doutrina e jurisprudência pátria, possibilitando, excepcionalmente, a alteração ou modificação do decisum quando evidenciado vício no julgado, não se prestando, contudo, para o exame de matéria ainda não suscitada.

Conforme relatado, as razões de insurgência do embargante se fundam na alegação de que não houve fundamentação idônea na aplicação de duas causas de aumento, o que teria resultado em pena alta e desproporcional.

Contudo, ao contrário do que tenta fazer crer a Defesa, o acórdão vergastado não apresenta nenhum vício que justifique a interposição do presente recurso.

A tese levantada pelo embargante não foi analisada por este Órgão Fracionário porque não foi suscitada pela Defesa em momento oportuno. Embora a apelação possua ampla devolutividade, seu efeito encontra limites nas razões apresentadas. Esse é o entendimento firmado pela Corte Superior. Vejamos:


PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBRIAGUÊS AO VOLANTE. ART. 306 DO CTB. FUNDAMENTOS DA SENTENÇA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE RECURSAL. INOBSERVÂNCIA. MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. I - Nas razões da apelação da defesa , o recorrente genericamente pleiteou a absolvição por ausência de provas, sem impugnar, de forma específica e pormenorizada, os fundamentos utilizados pela decisão recorrida, em consonância com o princípio da dialeticidade recursal. II - Este Superior Tribunal possui entendimento de que "Embora o recurso de apelação devolva ao Juízo ad quem toda a matéria objeto de controvérsia, o seu efeito devolutivo encontra limites nas razões aventadas pelo recorrente, em homenagem ao princípio da dialeticidade, que rege os recursos no âmbito do Processo Penal, por meio do qual se permite o exercício do contraditório pela parte adversa, garantindo-se, assim, o respeito ao cânone do devido processo legal" ( HC n. 185.775/RJ, Sexta Turma, Relª. Minª. Maria Thereza de Assis Moura, DJe de 1º/8/2013). Agravo regimental desprovido. (STJ - AgRg no AREsp: 2060531 SC 2022/0029994-2, Data de Julgamento: 17/05/2022, T5 - QUINTA TURMA, Data de Publicação: DJe 20/05/2022).

 

Ora, em sede de apelação, limitou-se a Defesa a pugnar pela exclusão da majorante do emprego de arma de fogo em razão da dúvida se o instrumento utilizado seria ou não um simulacro. Requereu ainda a exclusão ou parcelamento da multa aplicada e a suspensão da cobrança das custas processuais.

Observa-se, pois, que o embargante, inconformado com a decisão que negou provimento à apelação, pretende sua reforma valendo-se de novos argumentos, o que não é admitido por esta via estreita.

Nesse sentido vale ressaltar o entendimento de nossos Tribunais Superiores:



PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU ERRO MATERIAL. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. INOVAÇÃO RECURSAL. VEDAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual existência de obscuridade, contradição, omissão ou erro material (CPC/2015, art. 1.022). 2. "A jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que é vedada a inovação recursal em sede de embargos de declaração, ainda que sobre matéria considerada de ordem pública, haja vista o cabimento restrito dessa espécie recursal às hipóteses em que existente vício no julgado" (EDcl no REsp 1.776.418/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 09/02/2021, DJe de 11/02/2021). 3. Embargos de declaração rejeitados. (STJ - EDcl no AgInt no AREsp: 1827049 DF 2021/0020167-0, Relator: Ministro RAUL ARAÚJO, Data de Julgamento: 14/03/2022, T4 - QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJe 07/04/2022).

 

Ademais, cumpre destacar que não se admite a interposição de embargos declaratórios com o fito exclusivo de prequestionamento, exigindo-se, como em todos os casos, a existência de vício.

 

DISPOSITIVO

ANTE O EXPOSTO, com base nas razões expendidas, CONHEÇO dos presentes embargos de declaração para, no mérito, NEGAR-LHES provimento.

 

Teresina, 29/05/2024

Detalhes

Processo

0001517-35.2020.8.18.0140

Órgão Julgador

Vice Presidência do Tribunal de Justiça

Órgão Julgador Colegiado

Vice-Presidência do Tribunal de Justiça

Relator(a)

JOSE VIDAL DE FREITAS FILHO

Classe Judicial

APELAÇÃO CRIMINAL

Competência

Vice-Presidência

Assunto Principal

Crimes Previstos no Estatuto da criança e do adolescente

Autor

MARCOS HENRIQUE GONCALVES

Réu

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PIAUÍ

Publicação

29/05/2024