Acórdão de 2º Grau

Abuso de Poder 0802217-58.2022.8.18.0026


Ementa

RECURSO INOMINADO. JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA. DIREITO ADMINISTRATIVO. ENSINO SUPERIOR. TRANSFERÊNCIA DE CAMPOS EM VIRTUDE DE PROBLEMAS DE SAÚDE. DIREITO FUNDAMENTAL AO ENSINO E À SAÚDE. ATESTADO MÉDICO EVIDENCIANDO A EXISTÊNCIA DE FREQUENTES EPISÓDIOS DE AGUDIZAÇÃO. USO CRÔNICO DE MEDICAMENTO. COMPROVADO. AUTONOMIA DIDÁTICA E CIENTÍFICA DA UNIVERSIDADE NÃO PODE PREVALECER SOBRE O DIREITO AO ENSINO E À SAÚDE. TRANSFERÊNCIA DE CAMPOS. SENTENÇA PROCEDENTE MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS E JURÍDICOS FUNDAMENTOS. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. (TJPI - RECURSO INOMINADO CÍVEL 0802217-58.2022.8.18.0026 - Relator: FRANCISCO JOAO DAMASCENO - 3ª Turma Recursal - Data 04/05/2024 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 3ª Turma Recursal

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0802217-58.2022.8.18.0026

RECORRENTE: FUNDACAO UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUI FUESPI
REPRESENTANTE: ESTADO DO PIAUI

 

RECORRIDO: LUMA LEITE RODRIGUES BATISTA

Advogado(s) do reclamado: ITALO RENNAN DE FIGUEIREDO RESENDE

RELATOR(A): 3ª Cadeira da 3ª Turma Recursal



EMENTA


 


RECURSO INOMINADO. JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA. DIREITO ADMINISTRATIVO. ENSINO SUPERIOR. TRANSFERÊNCIA DE CAMPOS EM VIRTUDE DE PROBLEMAS DE SAÚDE. DIREITO FUNDAMENTAL AO ENSINO E À SAÚDE. ATESTADO MÉDICO EVIDENCIANDO A EXISTÊNCIA DE FREQUENTES EPISÓDIOS DE AGUDIZAÇÃO. USO CRÔNICO DE MEDICAMENTO. COMPROVADO. AUTONOMIA DIDÁTICA E CIENTÍFICA DA UNIVERSIDADE NÃO PODE PREVALECER SOBRE O DIREITO AO ENSINO E À SAÚDE. TRANSFERÊNCIA DE CAMPOS. SENTENÇA PROCEDENTE MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS E JURÍDICOS FUNDAMENTOS. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.



 


RELATÓRIO


 

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0802217-58.2022.8.18.0026

RECORRENTE: FUNDACAO UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUI FUESPI
REPRESENTANTE: ESTADO DO PIAUI

RECORRIDO: LUMA LEITE RODRIGUES BATISTA
Advogado do(a) RECORRIDO: ITALO RENNAN DE FIGUEIREDO RESENDE - PI15565-A

RELATOR(A): 3ª Cadeira da 3ª Turma Recursal



Trata-se de AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C PEDIDO LIMINAR em que a parte autora pleiteia a transferência de campos de ensino em virtude de doença do tratamento para uma doença permanente, de cunho respiratório, sendo portadora de BRONQUITE ASMATICA AGUDA.

Sobreveio sentença que julgou PROCEDENTE o pedido inicial, resolvendo o mérito na forma do artigo 487, I do código de processo civil, para confirmar a liminar deferida nos autos e em definitivo determinar que o requerido proceda a Matrícula Curricular da autora, LUMA LEITE RODRIGUES BATISTA, matrícula institucional nº 1078061, no Curso de Bacharelado em Direito, no Campus Pirajá em Teresina – PI, ou no Campus Clovis Moura, bairro Dirceu, em Teresina – PI.

A parte requerida interpôs recurso inominado alegando em síntese: da autonomia didático-científica; da desobediência do requisito de submissão a edital de transferência INTERCAMPI; e por fim, requer a reforma da sentença de acordo com as razões despendidas.

Sem contrarrazões da parte recorrida.

É o relatório sucinto.



 


VOTO


 


Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.

Compulsando os autos, verifica-se que o pedido de transferência de campos de ensino da autora é baseado na preexistência de problemas de saúde, necessitando de constante tratamento com uso crônico de medicamentos e com frequentes episódios de crises agudas, conforme atestado e receituário médico juntado aos autos.

Ressalta-se que embora seja reconhecida a plenitude das instituições de ensino superior na condução do processo de ensino-aprendizagem a ela inerentes, a mesma não pode prevalecer em absoluto. Desta forma, existindo o conflito de princípios fundamentais é necessário que seja ponderado visando o respeito aos direitos garantidos constitucionalmente.

No caso em questão, entendo que a autonomia das instituições de ensino não podem prevalecer sobre o direito fundamental da autora ao ensino e à saúde, razão pela qual a sentença merece ser confirmada por seus próprios e jurídicos fundamentos, o que se faz na forma do disposto dos arts. 27 da Lei n. 12.153/2009 e 46 da Lei nº 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão.

Lei n. 12.153/2009:

Art. 27.  Aplica-se subsidiariamente o disposto nas Leis nos 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, 9.099, de 26 de setembro de 1995, e 10.259, de 12 de julho de 2001.

Lei n. 9.099/1995:

Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão.

Diante do exposto, voto pelo conhecimento dos recursos para negar-lhes provimento, mantendo a sentença por seus próprios e jurídicos fundamentos.

Imposição de ônus de sucumbência em honorários advocatícios no percentual de 10% do valor corrigido da causa.

 Teresina, datado e assinado eletronicamente.



 



Teresina, 02/05/2024

Detalhes

Processo

0802217-58.2022.8.18.0026

Órgão Julgador

3ª Cadeira da 3ª Turma Recursal

Órgão Julgador Colegiado

3ª Turma Recursal

Relator(a)

FRANCISCO JOAO DAMASCENO

Classe Judicial

RECURSO INOMINADO CÍVEL

Competência

Turma Recursal

Assunto Principal

Abuso de Poder

Autor

FUNDACAO UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUI FUESPI

Réu

LUMA LEITE RODRIGUES BATISTA

Publicação

04/05/2024