Acórdão de 2º Grau

Empréstimo consignado 0010184-05.2017.8.18.0014


Ementa

EMENTA JUIZADOS ESPECIAIS. RECURSO INOMINADO. DIREITO CIVIL. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS / COM RESTITUIÇÃO DE VALORES DESCONTADOS IRREGULARMENTE. SENTENÇA EM FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. SUPOSTO DESCUMPRIMENTO DOS TERMOS DA SENTENÇA. MULTA E ASTREINTES. DISCORDÂNCIA DOS VALORES. NÃO SE VERIFICA NOS AUTOS DESCUMPRIMENTO PELO REQUERIDO DAS DETERMINAÇÕES DA SENTENÇA. SENTENÇA QUE DEVE SER MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. (TJPI - RECURSO INOMINADO CÍVEL 0010184-05.2017.8.18.0014 - Relator: REGINALDO PEREIRA LIMA DE ALENCAR - 3ª Turma Recursal - Data 20/04/2024 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 3ª Turma Recursal

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0010184-05.2017.8.18.0014

RECORRENTE: MARIA DAS DORES FERREIRA DA SILVA

Advogado(s) do reclamante: ANTONIO DE CARVALHO BORGES

RECORRIDO: BANCO BRADESCO SA

Advogado(s) do reclamado: FREDERICO NUNES MENDES DE CARVALHO FILHO REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO FREDERICO NUNES MENDES DE CARVALHO FILHO

RELATOR(A): 2ª Cadeira da 3ª Turma Recursal



EMENTA


JUIZADOS ESPECIAIS. RECURSO INOMINADO. DIREITO CIVIL. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS / COM RESTITUIÇÃO DE VALORES DESCONTADOS IRREGULARMENTE. SENTENÇA EM FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. SUPOSTO DESCUMPRIMENTO DOS TERMOS DA SENTENÇA. MULTA E ASTREINTES. DISCORDÂNCIA DOS VALORES. NÃO SE VERIFICA NOS AUTOS DESCUMPRIMENTO PELO REQUERIDO DAS DETERMINAÇÕES DA SENTENÇA. SENTENÇA QUE DEVE SER MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.

 


RELATÓRIO

 

Trata-se de AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS COM RESTITUIÇÃO DE VALORES DESCONTADOS IRREGULARMENTE ajuizada por MARIA DAS DORES FERREIRA DA SILVA em face do BANCO BRADESCO S/A.

Narra a parte autora que o requerido deixou de cumprir os termos da sentença proferida nos autos, pois continuou efetuando cobranças mesmo após ter sido determinado em sentença a cessação das cobranças. Nesse sentido requereu o cumprimento de sentença.

Em resumo, conforme decidido em sede de sentença, fora reconhecida a ilegalidade das cobranças realizadas em conta bancária de titularidade da Requerente, determinando que o réu se abatesse de cobrar da parte demandante qualquer tarifa bancária não prevista em contrato e não solicitada ou autorizada por ele, sob pena de multa no valor correspondente ao décuplo da quantia indevidamente cobrada, além da restituição em dobro desse montante.

Verifica-se nos autos, evento n. 29, que a parte autora ajuizou pedido de execução, alegando que os descontos em sua conta não cessaram e que seriam estes os mesmos encargos sofridos por ela à época do ajuizamento da demanda, sendo devida, segundo a exequente, a aplicação da multa determinada pelo juízo a quo.

Durante a fase de execução, o banco fora intimado para demonstrar cumprimento da obrigação. Tal determinação foi realizado, conforme evento n. 39. Após, conforme documentos anexos nos autos, o executado demonstrou que exequente possuía outros contratos de empréstimos firmados com a instituição financeira, inclusive, após o ajuizamento da ação, a exemplo do contrato n. 324422244. Por fim, alega que pretensão do exequente não merece prosperar, pois as cobranças lançadas são referentes a outros contratos e estão relacionados aqueles que são objetos da sentença proferida no processo.

Sobreveio sentença que julgou: “Diante disso, com base na jurisprudência dos Tribunais Superiores e na praxe adotada neste juízo, e, em decorrência disso, acolho os embargos à execução excluo o montante cobrado a título de obrigação principal e de astreintes, pelos motivos acima expostos”.

Inconformado com a sentença proferida, a parte exequente interpôs o presente recurso inominado aduzindo, em síntese: seja o recurso acolhido e provido para modificar a sentença em sede de execução, para que o executado pague o valor da aplicação de multa por descumprimento da sentença. Por fim, requer o conhecimento e provimento do recurso, a fim de reformar a sentença.

Contrarrazões nos autos requerendo a manutenção da sentença.

É sucinto o relatório.

 

VOTO


Presentes os pressupostos de admissibilidade, conhece-se do recurso e passa-se à sua análise.

A sentença merece ser confirmada por seus próprios e jurídicos fundamentos, o que se faz na forma do disposto no art. 46 da Lei nº 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão.

“Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão”.

Diante do exposto, conheço do recurso, mas para negar-lhe provimento, mantendo-se a sentença a quo em todos os seus termos.

Ônus de sucumbência pela parte Recorrente nas custas e horários advocatícios, estes em 10% sobre o valor corrigido da causa, considerando os parâmetros previstos no artigo 85, §2º, do CPC. Porém, deve ser suspensa a exigibilidade do ônus da sucumbência, nos termos do disposto no artigo 98, §3º, do CPC, em virtude do benefício da justiça gratuita.

É como se vota.



Teresina, datado e assinado eletronicamente.

 

 

Detalhes

Processo

0010184-05.2017.8.18.0014

Órgão Julgador

2ª Cadeira da 3ª Turma Recursal

Órgão Julgador Colegiado

3ª Turma Recursal

Relator(a)

REGINALDO PEREIRA LIMA DE ALENCAR

Classe Judicial

RECURSO INOMINADO CÍVEL

Competência

Assunto Principal

Empréstimo consignado

Autor

MARIA DAS DORES FERREIRA DA SILVA

Réu

BANCO BRADESCO SA

Publicação

20/04/2024