TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Turma Recursal
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0804695-10.2020.8.18.0123
RECORRENTE: ANDRE LUIZ DO NASCIMENTO SAMPAIO
Advogado(s) do reclamante: CYRA MARIA MENESES DE CASTRO RODRIGUES FERRAZ, TELIUS RAIMUNDO MEMORIA FERRAZ JUNIOR
RECORRIDO: MULTIMARCAS ADMINISTRADORA DE CONSORCIOS LTDA, RAFAEL RODRIGUES RAMALHO
Advogado(s) do reclamado: WASHINGTON LUIZ DE MIRANDA DOMINGUES TRANM, MATHEUS CAZECA OLIVEIRA FERREIRA
RELATOR(A): 1ª Cadeira da 1ª Turma Recursal
EMENTA
JUIZADO ESPECIAL. RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE RESCISÃO DE CONTRATO E RESTITUIÇÃO DE VALORES C/C DANOS MORAIS. DIREITO DO CONSUMIDOR. CONSÓRCIO. CONTRATAÇÃO REGULAR. INEXISTÊNCIA DE INDÍCIOS DE ILEGALIDADE OU ABUSIVIDADE. DANO MORAL NÃO CONFIGURADO. IMPROCEDÊNCIA. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO.
RELATÓRIO
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0804695-10.2020.8.18.0123
Origem:
RECORRENTE: ANDRE LUIZ DO NASCIMENTO SAMPAIO
Advogados do(a) RECORRENTE: CYRA MARIA MENESES DE CASTRO RODRIGUES FERRAZ - PI6197-A, TELIUS RAIMUNDO MEMORIA FERRAZ JUNIOR - PI2536-A
RECORRIDO: MULTIMARCAS ADMINISTRADORA DE CONSORCIOS LTDA, RAFAEL RODRIGUES RAMALHO
Advogado do(a) RECORRIDO: MATHEUS CAZECA OLIVEIRA FERREIRA - MG190474-A
Advogado do(a) RECORRIDO: WASHINGTON LUIZ DE MIRANDA DOMINGUES TRANM - MG133406-A
RELATOR(A): 1ª Cadeira da 1ª Turma Recursal - Juiz João Antônio Bittencourt Braga Neto
Trata-se de AÇÃO DE RESCISÃO DE CONTRATO E RESTITUIÇÃO DE VALORES C/C DANOS MORAIS, na qual a parte autora alega: que firmou contrato de consórcio com a empresa MULTIMARCAS ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIOS (primeira requerida); que a venda do consórcio foi realizada pela empresa RAFAEL RODRIGUES RAMALHO (segunda requerida); que lhe foi apresentado um contrato em condições diferentes das acordadas; que requereu o cancelamento do contrato com a devolução da quantia paga. Por esta razão, requereu: a inversão do ônus da prova; a devolução da quantia paga; a devolução da quantia paga e a anulação do contrato de consórcio objeto da demanda.
Em contestação, a Primeira Requerida aduziu: que o contrato é válido; que o Juizado Especial não possui competência para julgar o feito; que não houve vício de consentimento e que não praticou nenhum ato que autorize sua condenação por danos morais.
A Segunda Requerida aduziu em sua contestação: que não é parte legítima para figurar no polo passivo da demanda; que não houve vício de consentimento; que a Requerente recebeu todas as informações relativas ao negócio jurídico firmado; que o departamento do controle de qualidade comunicou novamente à requerente, que não existia nenhuma garantia de data de contemplação e que juntou provas que corroboram as alegações apresentadas.
Sobreveio sentença, resumidamente, nos termos que se seguem: Demonstrou-se nos autos que ás parte requeridas informaram individualmente o consumidor sobre que tipo de negócio que ele aderiu, qual seja, contrato de participação em grupo de consórcio com a finalidade de adquirir um veículo, bem como que não existiria data certa para contemplação do bem almejado e que em que pese a alegação de que o autor teria sido induzido ao erro para a realização do negócio, o conjunto probatório não trouxe suporte para demonstrar ter ocorrido vícios de consentimento suficientes a abalar o entendimento do homem médio. Diante disso, julgo IMPROCEDENTE a pretensão autoral, extinguindo o processo com resolução de mérito, nos termos do art. 487, I do CPC.
Inconformado, o Recorrente, alegou em suas razões: que firmou contrato de consórcio; que as condições inseridas no contrato são diferentes das acordadas; que há vício de consentimento e que solicitou o cancelamento do contrato com a consequente devolução dos valores pagos. Por fim, requereu a reforma da sentença, julgando procedentes os pedidos constantes na inicial.
Contrarrazões refutando as razões do recurso e pedindo a manutenção da sentença, nos exatos fundamentos em que se encontra.
É o relatório.
VOTO
Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.
Após a análise dos argumentos das partes e do acervo probatório existente nos autos, entendo que a sentença recorrida não merece reparos, devendo ser confirmada por seus próprios e jurídicos fundamentos, o que se faz na forma do disposto no artigo 46 da Lei 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão.
“Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão”.
Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo a sentença a quo em todos os seus termos.
Condenação da Recorrente em custas processuais e honorários advocatícios no percentual de 10% (dez por cento) do valor da causa atualizado. A exigibilidade dos honorários de sucumbência deve ser suspensa, nos moldes do art. 98, §3º, CPC.
É como voto.
Teresina, 11/04/2024
0804695-10.2020.8.18.0123
Órgão Julgador1ª Cadeira da 1ª Turma Recursal
Órgão Julgador Colegiado1ª Turma Recursal
Relator(a)JOAO ANTONIO BITTENCOURT BRAGA NETO
Classe JudicialRECURSO INOMINADO CÍVEL
CompetênciaTurma Recursal
Assunto PrincipalAbatimento proporcional do preço
AutorANDRE LUIZ DO NASCIMENTO SAMPAIO
RéuMULTIMARCAS ADMINISTRADORA DE CONSORCIOS LTDA
Publicação14/04/2024