Acórdão de 2º Grau

Irregularidade no atendimento 0800665-97.2022.8.18.0013


Ementa

RECURSO INOMINADO. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO DANOS MATERIAIS E MORAIS. ALEGAÇÃO DE FURTO NOTEBOOK DENTRO DE VEÍCULO NO ESTACIONAMENTO DO ESTABELECIMENTO DA RÉ. AUSÊNCIA DE PROVA MÍNIMA DE QUE OS AUTORES ESTAVAM NAS DEPENDÊNCIAS DA RÉ QUANDO O NOTEBOOK FOI FURTADO. AUSÊNCIA DE PROVA MÍNIMA DO DIREITO DOS AUTORES. PROTOCOLO JUNTADO COM DATA MUITO POSTERIOR AO OCORRIDO. CONVERSA DE WHATSAPP INSUFICIENTE PARA PROVAR O ALEGADO. DOCUMENTOS INCAPAZES DE COMPROVAR A PRESENÇA DOS AUTORES NO ESTACIONAMENTO DA EMPRESA RÉ NO MOMENTO ALEGADO DO FURTO. BOLETIM DE OCORRÊNCIA QUE, POR SI SÓ, NÃO REVELA A DINÂMICA DOS ACONTECIMENTOS. NATUREZA UNILATERAL DO DOCUMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DOS AUTORES NÃO OBSERVADA NO PROCESSO. ARTIGO 373, I, DO CPC. DEVER DE INDENIZAR INEXISTENTES. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. (TJPI - RECURSO INOMINADO CÍVEL 0800665-97.2022.8.18.0013 - Relator: REGINALDO PEREIRA LIMA DE ALENCAR - 3ª Turma Recursal - Data 14/05/2024 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 3ª Turma Recursal

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0800665-97.2022.8.18.0013

RECORRENTE: MAGNO ALVES DOS SANTOS, MARIA DO SOCORRO DA SILVA SANTOS

Advogado(s) do reclamante: JEYSON JOHANN DE SOUSA QUEIROZ, EVANILDO JOSE DE ALMEIDA JUNIOR

RECORRIDO: FIC PROMOTORA DE VENDAS LTDA., COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUICAO

Advogado(s) do reclamado: FELICIANO LYRA MOURA REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO FELICIANO LYRA MOURA

RELATOR(A): 2ª Cadeira da 3ª Turma Recursal



EMENTA


 

RECURSO INOMINADO. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO DANOS MATERIAIS E MORAIS. ALEGAÇÃO DE FURTO NOTEBOOK DENTRO DE VEÍCULO NO ESTACIONAMENTO DO ESTABELECIMENTO DA RÉ. AUSÊNCIA DE PROVA MÍNIMA DE QUE OS AUTORES ESTAVAM NAS DEPENDÊNCIAS DA RÉ QUANDO O NOTEBOOK FOI FURTADO. AUSÊNCIA DE PROVA MÍNIMA DO DIREITO DOS AUTORES. PROTOCOLO JUNTADO COM DATA MUITO POSTERIOR AO OCORRIDO. CONVERSA DE WHATSAPP INSUFICIENTE PARA PROVAR O ALEGADO. DOCUMENTOS INCAPAZES DE COMPROVAR A PRESENÇA DOS AUTORES NO ESTACIONAMENTO DA EMPRESA RÉ NO MOMENTO ALEGADO DO FURTO. BOLETIM DE OCORRÊNCIA QUE, POR SI SÓ, NÃO REVELA A DINÂMICA DOS ACONTECIMENTOS. NATUREZA UNILATERAL DO DOCUMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DOS AUTORES NÃO OBSERVADA NO PROCESSO. ARTIGO 373, I, DO CPC. DEVER DE INDENIZAR INEXISTENTES. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.


 


RELATÓRIO


 

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0800665-97.2022.8.18.0013

RECORRENTE: MAGNO ALVES DOS SANTOS, MARIA DO SOCORRO DA SILVA SANTOS 
Advogados do(a) RECORRENTE: EVANILDO JOSE DE ALMEIDA JUNIOR - PI18872-A, JEYSON JOHANN DE SOUSA QUEIROZ - PI19840-A

RECORRIDO: FIC PROMOTORA DE VENDAS LTDA., COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUICAO
Advogado do(a) RECORRIDO: FELICIANO LYRA MOURA - PI11268-A

RELATOR(A): 2ª Cadeira da 3ª Turma Recursal


Cuida-se de Recurso Inominado em face de sentença que julgou parcialmente procedentes os pedidos, nos termos do artigo 487, I, primeira parte, do Código de Processo Civil, e o faço para condenar a ré, a título de dano moral, ao pagamento do valor de R$ 3.000,00 ( três mil reais), com os acréscimos de correção monetária, contada a partir da data desta sentença (Súmula 362/STJ) e juros de mora de 1% (um por cento) ao mês (CC, art. 406 e CTN, art. 161, § 1º), contados a partir da citação condenar ré a restituir o valor do dano material em R$ 2.999,00 com juros e correção desde da citação.

Inconformada com a sentença proferida, a parte requerida interpôs o presente recurso inominado aduzindo, em síntese, ausência do dever de indenizar - culpa exclusiva de terceiro, excludente de responsabilidade falta de segurança pública caso fortuito externo, ausência de provas da ocorrência do furto não comprovação de danos materiais aplicação do art. 373, I do CPC/15, ausência de provas de grave abalo aos direitos da personalidade, princípios da razoabilidade e da proporcionalidade valor indenizatório eventual mínimo aplicação do art. 944 do CC/2002.

A parte recorrida apresentou contrarrazões ao recurso. (ID 11283314).

É o relatório sucinto.


 

VOTO

 


Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.

Inicialmente faz-se necessário consignar que a relação jurídica existente entre as partes litigantes é de consumo, de modo que se aplicam ao caso todas as disposições do Código de Defesa do Consumidor, inclusive no que se refere à responsabilidade objetiva do prestador de serviço.

Porém, no presente caso, entendo que apesar de tratar-se de uma relação de consumo, os autores detinha meios de provar o fato constitutivo do seu direito e não o fez. As provas colacionadas nos autos não demonstram nenhuma evidência de que eles estavam no estacionamento da empresa ré no momento que o notebook foi furtado.

Os documentos juntados aos autos não são suficientes para provar o alegado, primeiro porque o protocolo juntado está datado de 09/09/2020, meses após o ocorrido, que segundo os autores foi no dia 23/06/2020, segundo porque o boletim de ocorrência tem natureza unilateral, assim, para ser considerado deve estar amparado em outras provas.

Ademais, a conversa no whatsApp, também, não prova a presença do autor na hora dos fatos alegados, até porque as horas não estão em conformidade com o colocado no Boletim de Ocorrência.

Desse modo, incumbia aos autores a comprovação da efetiva existência de fato constitutivo dos seus direitos, a teor do disposto no artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, ônus do qual não se desincumbiu.

Nesse sentido:


EMENTA:

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. INDENIZATÓRIA. FURTO DE VEÍCULO EM ESTACIONAMENTO COMERCIAL. IMPROCEDÊNCIA NA ORIGEM. IRRESIGNAÇÃO DA AUTORA. NÃO ACOLHIMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA QUE NÃO AFASTA O DEVER DE FAZER PROVA MÍNIMA DOS FATOS CONSTITUTIVOS DO SEU DIREITO. BOLETIM DE OCORRÊNCIA QUE, POR SI SÓ, NÃO REVELA A DINÂMICA DOS ACONTECIMENTOS. NATUREZA UNILATERAL DO DOCUMENTO. RÉ QUE ALEGA CIÊNCIA DOS FATOS SOMENTE COM O AJUIZAMENTO DA AÇÃO, QUASE DOIS ANOS APÓS O FURTO. CIRCUNSTÂNCIA NÃO IMPUGNADA PELA CONSUMIDORA. AUSÊNCIA DE MÍNIMA PROVA DE QUE A AUTORA ESTAVA NAS DEPENDÊNCIAS DO REQUERIDO NA DATA DA OCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE TICKET DE ESTACIONAMENTO OU OUTRA PROVA APTA A DEMONSTRAR QUE O FURTO DO VEÍCULO OCORREU NO LOCAL. ILICITUDE NÃO VERIFICADA. DEVER DE INDENIZAR NÃO CARACTERIZADO. IMPROCEDÊNCIA MANTIDA. JUSTIÇA GRATUITA. HIPOSSUFICIÊNCIA ECONÔMICA DEMONSTRADA A CONTENTO. DEFERIMENTO. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. "A despeito de ser pacífico na jurisprudência que o furto ocorrido em estacionamento é responsabilidade do empreendimento (súmula 130/STJ), faz-se indispensável que haja comprovação suficiente dos fatos constitutivos do direito do autor, não se mostrando satisfatório o mero boletim de ocorrência desacompanhado de qualquer outra prova." (STJ - REsp n. 1.448.994/MA, Min. Marco Buzzi, j. em 23.11.2015). (TJSC, RECURSO CÍVEL n. 5011534-22.2019.8.24.0008, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, rel. Marcio Rocha Cardoso, Primeira Turma Recursal - Florianópolis (Capital), j. Thu Jun 09 00:00:00 GMT-03:00 2022).

(TJ-SC - RECURSO CÍVEL: 50115342220198240008, Relator: Marcio Rocha Cardoso, Data de Julgamento: 09/06/2022, Primeira Turma Recursal - Florianópolis (Capital))



Destarte, embora aplicáveis as regras do Estatuto Consumerista, necessário a presença de verossimilhança das alegações, o que não ocorre no caso dos autos.

No mesmo sentido, a jurisprudência dos tribunais:


APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PRIVADO NÃO ESPECIFICADO. AÇÃO INDENIZATÓRIA. AUSÊNCIA DE PROVAS DOS FATOS ALEGADOS NA INICIAL. SENTENÇA MANTIDA.

I. O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito (art. 373, I, do CPC).

II. A inversão do ônus probatório, por si só, não desincumbe a parte autora de comprovar a veracidade dos fatos alegados, na medida em que o reconhecimento de sua pretensão depende de um mínimo de prova para permitir a verossimilhança de suas alegações.

III. No caso a parte autora não comprovou os fatos aduzidos na exordial, ônus esse que era seu. Portanto, ante a ausência de provas dos fatos alegados em sede primordial, impõe-se a manutenção da sentença de improcedência. APELO DESPROVIDO. UNÂNIME.

(TJ-RS – AC: 70079784211, Relator: Liege Puricelli Pires, Data de Julgamento: 21-03-2019, Décima Sétima Câmara Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 29-03-2019).


Por todos estes argumentos, considero que não há provas nos autos suficientes para que seja julgada procedente a pretensão dos autores, sendo de rigor a reforma da sentença, que julgou parcialmente procedente a ação.

Portanto, ante o exposto, voto para conhecer do recurso e dar-lhe provimento, reformando a sentença integralmente para julgar improcedentes os pedidos autorais.

Sem ônus de sucumbência.

Assinado e datado eletronicamente.




 

Detalhes

Processo

0800665-97.2022.8.18.0013

Órgão Julgador

2ª Cadeira da 3ª Turma Recursal

Órgão Julgador Colegiado

3ª Turma Recursal

Relator(a)

REGINALDO PEREIRA LIMA DE ALENCAR

Classe Judicial

RECURSO INOMINADO CÍVEL

Competência

Turma Recursal

Assunto Principal

Irregularidade no atendimento

Autor

FIC PROMOTORA DE VENDAS LTDA.

Réu

MAGNO ALVES DOS SANTOS

Publicação

14/05/2024