Decisão Terminativa de 2º Grau

Rescisão / Resolução 0807398-91.2019.8.18.0140


Decisão Terminativa

poder judiciário 
tribunal de justiça do estado do piauí
GABINETE DO Desembargador ADERSON ANTONIO BRITO NOGUEIRA

PROCESSO Nº: 0807398-91.2019.8.18.0140
CLASSE: APELAÇÃO CÍVEL (198)
ASSUNTO(S): [Rescisão / Resolução]
APELANTE: DANILO CALACA DE SOUSA, VANESSA CONCEICAO POLUCA CALACA DE SOUSA, CLARA MARIA DA CONCEICAO POLUCA
REPRESENTANTE: DEFENSORIA PUBLICA DO ESTADO DO PIAUI

APELADO: KEITY CRISTINA MOREIRA DE OLIVEIRA


DECISÃO TERMINATIVA

 

Trata-se de Apelação Cível (id. 13250792) interposta por DANILO CALACA DE SOUSA e VANESSA CONCEICAO POLUCA em face da sentença (id.13250783) proferida nos autos da Ação de Despejo por falta de pagamento c/c cobrança de aluguéis e acessórios da locação, ora apelado.

Em sentença foi julgado procedente o pedido da autora nos seguintes termos:

Ante o exposto, nos termos do artigo 487, I, do Código de Processo Civil, JULGO PROCEDENTE o pedido para, com fulcro no artigo 9º, inciso III c/c art. 63, da Lei nº 8.245/91:

a) Declarar rescindido o contrato de locação firmado entre as partes, fixando como termo final o dia 08/08/2019;

b) confirmar a imissão do autor na posse do imóvel em razão do abandono do bem;

c) Condenar a parte requerida ao pagamento do aluguéis e demais acessórios vencidos até a efetiva desocupação do imóvel, a serem corrigidos e acrescidos de juros de mora, a contar das respectivas datas de vencimento, bem como ao pagamento dos demais encargos previsto no contrato;

d) Condenar a parte requerida ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, os quais arbitro em 10% do valor atualizado da condenação.

Assim, o ponto controvertido dessa demanda refere-se à falta de pagamento de aluguel.

A parte recorrente em suas razões recursais não dialoga com a sentença nesse sentido, visto que apela alegando em síntese que inexistem bens passíveis de constrição e da necessidade de parcelamento da execução.

A meu ver, as razões recursais não dizem respeito a fase de conhecimento, e eventual discussão acerca de bens passíveis de constrição e de parcelamento de valores deverá ser feita em sede de cumprimento de sentença.

Desta forma, deixou o recorrente de impugnar a conclusão do juízo a quo, fato que torna formalmente irregular o recurso, pois é ônus da parte apelante apresentar as razões fáticas e jurídicas (CPC, art. 1.010, II e III) pelas quais entende que o pronunciamento jurisdicional combatido deve ser reformado, sob pena de afronta ao princípio recursal da dialeticidade.

Sobre o tema, disserta Eduardo Arruda Alvim:

 

Verifica-se que uma constante entre os requisitos de regularidade formal das várias modalidades recursais é a de que todo recurso seja fundamentado, seguindo orientação do princípio da dialeticidade, deduzindo-se os fundamentos de fato e de direito pelos quais se impugna a decisão recorrida. A não fundamentação do recurso deve conduzir a seu não conhecimento, sendo virtualmente impossível a formação do contraditório em sede recursal se o recorrente não expressa as razões do inconformismo com a decisão recorrida. Até porque o tribunal jamais poderia "adivinhar" as razões pelas quais a parte impugnou a decisão porque isso implicaria em ferir o princípio da paridade de tratamento entre as partes. O recurso deve trazer razões e motivos com que se procura demonstrar o desacerto do que foi decidido, e não se constitui em protesto ou inconformismo, puro e simples. (Direito processual civil. 3. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2010. p. 797).”

ALEXANDRE FREITAS CÂMARA ensina:

Não basta, porém, que o recorrente afirme fundamentos quaisquer. É preciso que estes se prestem a impugnar a decisão recorrida. (...) É muito frequente, na prática, que haja uma petição veiculando ato postulatório e, indeferido este, seja interposto recurso que é mera reprodução daquela petição anteriormente apresentada, sem a apresentação de fundamentos que ataquem, especificamente, o pronunciamento recorrido.

Neste caso se deve considerar que o recurso está apenas aparentemente fundamentado, mas isto não é suficiente para assegurar a admissibilidade do recurso. É preciso, portanto, que o recurso veicule fundamentação específica, na qual se apontam os motivos pelos quais a decisão recorrida é impugnada, sob pena de não conhecimento. (CÂMARA, Alexandre Freitas. O novo processo civil brasileiro. São Paulo: Atlas, 2015; p.500-501)”.

 

Ademais, a ausência de fundamentação recursal implica em ofensa ao princípio tantum devolutum quantum appellatum (art. 1.013 do CPC/15), tendo em conta a necessidade de a parte apelante apresentar os fundamentos pelos quais entende deva ser anulada ou reformada a sentença recorrida.

Assim sendo, como as razões do recurso de apelação do recorrente encontram-se completamente dissociadas dos fundamentos expostos na sentença, o recurso não satisfaz os pressupostos elencados nos incisos II e III do art. 1.010 do Código de Processo Civil, no sentido de apresentar os motivos do pedido de reforma ou de decretação de nulidade da sentença recorrida, que reconheceu a existência de litispendência.

Compete invocar, por fim, a incidência da Súmula nº 14 desta Egrégia Corte, que proclama ser desnecessária a prévia intimação da parte recorrente, para fins de não conhecimento do recurso, na hipótese de ofensa ao princípio da dialeticidade, dada a impossibilidade jurídica de emenda da peça recursal.

 Diante do exposto, com fundamento no artigo 932, inciso III, do CPC, não conheço do presente recurso de apelação, eis que ausente a dialeticidade recursal.

 Intimem-se as partes desta decisão.

 Transcorrido in albis o prazo recursal, sem necessidade de nova conclusão, certifique-se o trânsito em julgado, dando baixa na distribuição, com remessa dos autos à origem e demais cautelas de praxe.

 Expedientes necessários.

 Cumpra-se. 

 

 

TERESINA-PI, 9 de janeiro de 2024.

(TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0807398-91.2019.8.18.0140 - Relator: ADERSON ANTONIO BRITO NOGUEIRA - 1ª Câmara Especializada Cível - Data 09/01/2024 )

Detalhes

Processo

0807398-91.2019.8.18.0140

Órgão Julgador

Desembargador ADERSON ANTONIO BRITO NOGUEIRA

Órgão Julgador Colegiado

1ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

ADERSON ANTONIO BRITO NOGUEIRA

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Rescisão / Resolução

Autor

DANILO CALACA DE SOUSA

Réu

KEITY CRISTINA MOREIRA DE OLIVEIRA

Publicação

09/01/2024