TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 2ª Turma Recursal
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0800123-40.2022.8.18.0123
RECORRENTE: JOAO CARLOS DA SILVA LIRA GOES
Advogado(s) do reclamante: CLAUDIO ROBERTO CASTELO BRANCO
RECORRIDO: TELEFONICA BRASIL S.A.
Advogado(s) do reclamado: JOSE ALBERTO COUTO MACIEL
RELATOR(A): 1ª Cadeira da 2ª Turma Recursal
EMENTA
RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO, C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS, COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. INSCRIÇÃO DO NOME DA CONSUMIDORA NOS ÓRGÃOS DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA EXISTÊNCIA E REGULARIDADE DO DÉBITO. INSCRIÇÃO INDEVIDA. DANOS MORAIS NÃO CONFIGURADOS. EXISTÊNCIA DE INSCRIÇÃO PREEXISTENTE. DEVEDOR CONTUMAZ. SÚMULA 385 DO STJ. SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS E JURÍDICOS FUNDAMENTOS. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.
RELATÓRIO
Trata-se de AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO, C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS, COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA na qual a parte autora narra que passou a ter conhecimento de que seu nome encontra-se negativado desde 14 de março de 2017 pela empresa TELEFÔNICA BRASIL S.A. Acontece que, o autor desconhece tal pendência em questão, uma vez que o mesmo nunca realizou adesão de nenhum plano junto a empresa.
Após a devida instrução processual, sobreveio sentença do magistrado de origem (ID nº 10168510), que resolveu o mérito, na forma do art. 487, I do CPC, para determinar as seguintes providências: a) que a requerida se abstenha de negativar o nome da parte autora de todo e qualquer cadastro de inadimplentes, referente ao contrato de n° 0000899994081400, no valor de R$ 379,40 (trezentos e setenta e nove reais e quarenta centavos), com vencimento em 15.09.2016, incluída no dia 14.03.2017, sob pena de multa diária de R$ 200,00 (DUZENTOS REAIS), até o limite de R$ 2.000,00 (DOIS MIL REAIS); b) Declaro inexistente o débito supra citado.
Inconformada com a sentença proferida, a parte requerente/recorrente interpôs o presente recurso inominado (ID nº 10168513), pleiteando em síntese, seja reformada a sentença a quo, totalmente, que julgará totalmente procedente os pedidos da recorrente. que a colenda turma arbitre o dano moral, pelos seus próprios critérios analíticos e jurídicos, levando-se em consideração a gravidade do dano e a condição socioeconômica das partes.
A parte recorrida apresentou contrarrazões (ID nº 10168818)
É o relatório.
VOTO
Presentes os pressupostos de admissibilidade, há de se conhecer do recurso.
Analisando detidamente os autos, observo que restou demonstrado que houve a inscrição do nome do consumidor nos cadastros de inadimplentes por parte da empresa promovida, mesmo sem qualquer relação contratual que a justifique.
O juízo de origem declarou a inexistência do débito, ante a ausência de prova da contratação, e determinou que a requerida se abstenha de negativar o nome da parte autora de todo e qualquer cadastro de inadimplentes, referente ao contrato em discussão.
No tocante aos danos morais, a sentença afirma não ser possível seu reconhecimento no presente caso, em virtude da existência de negativação anterior a restrição indevida, aplicando a súmula nº 385 do Superior Tribunal de Justiça, a qual estabelece o seguinte: “Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por dano moral, quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento.”
Assim, diante da existência de inscrição preexistente nos cadastros de inadimplentes e do disposto no Súmula 385 do STJ, além da ausência de provas sobre os danos morais alegados na inicial, entendo que a sentença deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos, nos termos do artigo 46 da Lei 9.099/95.
Ante o exposto, conheço do recurso e nego-lhe provimento.
Custas e honorários pelo recorrente parcialmente vencido, estes últimos fixados em 15% (quinze por cento) do valor da condenação atualizado. Porém, deve ser suspensa a exigibilidade do ônus de sucumbência, nos termos do artigo 98, §3º, do CPC, em razão da concessão do benefício da justiça gratuita.
É como voto.
Teresina/PI, datado e assinado eletronicamente.
Juíza GLÁUCIA MENDES DE MACÊDO
0800123-40.2022.8.18.0123
Órgão Julgador1ª Cadeira da 2ª Turma Recursal
Órgão Julgador Colegiado2ª Turma Recursal
Relator(a)GLAUCIA MENDES DE MACEDO
Classe JudicialRECURSO INOMINADO CÍVEL
CompetênciaTurma Recursal
Assunto PrincipalInclusão Indevida em Cadastro de Inadimplentes
AutorJOAO CARLOS DA SILVA LIRA GOES
RéuTELEFONICA BRASIL S.A.
Publicação26/02/2024