TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 3ª Turma Recursal
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0014862-34.2019.8.18.0001
RECORRENTE: JADYEL SILVA ALENCAR
Advogado(s) do reclamante: CAIO IATAM PADUA DE ALMEIDA SANTOS
RECORRIDO: GERARDO SOARES DA SILVA NETO
RELATOR(A): 2ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
EMENTA
RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. PRELIMINARES AFASTADAS. AUSÊNCIA DE LAUDO PERICIAL DEMONSTRANDO A DINÂMICA DO ACIDENTE E QUE ATESTE QUAL VEÍCULO COLIDIU COM O DO AUTOR. VERSÕES CONFLITANTES. DESCUMPRIMENTO DO PREVISTO NO ART. 373, I, DO CPC. ELEMENTOS PROBATÓRIOS INSUFICIENTES PARA DEMONSTRAÇÃO DA CULPA DA PARTE RÉ PELO ACIDENTE. IMPOSSIBILIDADE DE ESTABELECER-SE PRESUNÇÃO DE CULPA DO DEMANDADO. AUSÊNCIA DE PROVA SUFICIENTE COMPROVANDO SER O CARRO DO RÉU QUE COLIDIU COM O VEÍCULO DO AUTOR. SENTENÇA REFORMADA. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.
RELATÓRIO
Trata-se de recurso inominado contra sentença que julgou procedente em parte os pedidos do autor (art. 487, I, do NCPC) para condenar a parte requerida a pagar, a título de danos materiais, a quantia de R$ 1.517,61 (hum mil quinhentos e dezessete reais e sessenta e um centavos), com correção monetária incidindo desde o efetivo prejuízo (súmula 43 do STJ), e juros de mora incidentes desde o evento danoso (Súmula 54 do STJ), a saber, desde 22/01/2019. Com relação ao pedido de danos morais, julgou improcedente, vez que não restaram configurados. Por fim, Indeferiu o benefício da Justiça Gratuita em favor da parte ré, na forma dos artigos 98 e seguintes do CPC, tendo em vista o entendimento atual do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que cabe à parte requerente da gratuidade da justiça o ônus de demonstrar à saciedade o preenchimento do requisito do art. 5º, inciso LXXIV, da Constituição Federal, mediante prova concreta da real necessidade do benefício legal desejado, ônus este que o réu se omitiu de exercer/praticar nos autos. (ID 3014314).
O recorrente/requerido apresentou recurso alegando, em suma: cerceamento do direito de defesa, incompetência absoluta do juizado especial - perícia técnica, ilegitimidade passiva, incompetência territorial, as razões da reforma, boletim de ocorrência produzido unilateralmente, ausência do dever de indenizar.
Contrarrazões não apresentadas.
É o relatório.
VOTO
Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.
Inicialmente, quanto a preliminar de cerceamento de defesa, verifico que a questão posta se confunde com a análise de mérito, no sentido de verificar se o documento juntado, por si só, foi o essencial para a decisão do Juízo a quo, pois caso contrário não houve cerceamento de defesa, assim analisarei essa questão no mérito.
Quanto as demais preliminares, uso dos mesmos fundamentos da sentença para afastá-las e passo ao mérito.
Assim, compulsando o processado, constato que o conjunto probatório carreado aos autos é insuficiente para a comprovação dos fatos controvertidos, não havendo elementos que indiquem, com segurança, quem o veículo que colidiu com o do autor era o do requerido.
Da análise do contexto probatório não permite que se chegue a uma conclusão de que o veículo do réu foi o causador do acidente, principalmente por não haver o laudo pericial que demonstre a dinâmica do acidente, ou mesmo fotos que comprovem que o veículo do réu foi o que gerou dano para o autor, nem o print de tela em que o autor conversa com o condutor do veículo é capaz de fazer a referida prova. O recibo juntado só comprova um pagamento de franquia, mas não a culpa do réu.
Resta claro que não há elementos capazes de provar o fato constitutivo do direito do autor, não se desincumbindo do seu ônus, nos termos do art. 373, I, do CPC.
Assim, outra não pode ser a conclusão de que não há como formar-se um decreto condenatório em relação a qualquer das partes.
Ante o exposto, voto para conhecer do recurso inominado e dar-lhe provimento para julgar improcedentes os pedidos iniciais, nos termos do art. 487, I, do CPC.
Sem imposição de ônus de sucumbência.
Teresina, assinado e datado eletronicamente.
Teresina, 03/05/2024
0014862-34.2019.8.18.0001
Órgão Julgador2ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
Órgão Julgador Colegiado3ª Turma Recursal
Relator(a)REGINALDO PEREIRA LIMA DE ALENCAR
Classe JudicialRECURSO INOMINADO CÍVEL
Competência Assunto PrincipalAcidente de Trânsito
AutorJADYEL SILVA ALENCAR
RéuGERARDO SOARES DA SILVA NETO
Publicação04/05/2024