TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 3ª Turma Recursal
APELAÇÃO CRIMINAL (417) No 0000132-21.2017.8.18.0152
APELANTE: MIRIA ELLEN DOS SANTOS VIEIRA, IONE GONCALVES DE MOURA, DENERSON LIMA LOPES
Advogado(s) do reclamante: EMANUELA DE MOURA OLIVEIRA, ALEXSANDER RENZO DE ARAUJO SOARES CORREIA E OLIVEIRA, ANA CAROLINA RODRIGUES LOPES
APELADO: 6º PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE PICOS, 6ª PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE PICOS - PI, PROCURADORIA GERAL DA JUSTICA DO ESTADO DO PIAUI
RELATOR(A): 3ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
EMENTA
APELAÇÃO CRIMINAL. AÇÃO PENAL. LESÃO CORPORAL LEVE. ARTIGO 129 DO CÓDIGO PENAL. PENA INFERIOR A UM ANO. APLICAÇÃO DA PENA IMPOSTA EM SENTENÇA PARA CONTAGEM DO PRAZO RECURSAL. PRAZO PRESCRICIONAL DE 3 ANOS. ARTIGOS 109, VI, E 110 DO CP. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO POR PROLAÇÃO DE SENTENÇA. CONTAGEM DE TODO O PRAZO PRESCRICIONAL A PARTIR DA DATA INTERRUPÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 117 DO CP. PRESCRIÇÃO SUSCITADA DE OFÍCIO. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. RECURSO DE APELAÇÃO CONHECIDO. MÉRITO DO RECURSO PREJUDICADO.
RELATÓRIO
APELAÇÃO CRIMINAL (417) -0000132-21.2017.8.18.0152
APELANTE: MIRIA ELLEN DOS SANTOS VIEIRA, IONE GONCALVES DE MOURA, DENERSON LIMA LOPES
Advogado do(a) APELANTE: ANA CAROLINA RODRIGUES LOPES - PI6424-A
Advogado do(a) APELANTE: ALEXSANDER RENZO DE ARAUJO SOARES CORREIA E OLIVEIRA - PI13418-A
Advogado do(a) APELANTE: EMANUELA DE MOURA OLIVEIRA - PI14365-A
APELADO: 6º PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE PICOS, 6ª PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE PICOS - PI, PROCURADORIA GERAL DA JUSTICA DO ESTADO DO PIAUI
RELATOR(A): 3ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
Trata-se de queixa-crime intentada em desfavor de IONE GONÇALVES DE MOURA, imputando a esta a prática de crime de lesão corporal leve, prevista no art. 129 do Código Penal Brasileiro.
Sobreveio sentença que JULGOU PROCEDENTE o pedido formulado na denúncia, para condenar IONE GONÇALVES DE MOURA, com qualificação nos autos, como incursa nas sanções do artigo 129, caput, do Código Penal, definindo a pena em 03 (três) meses de detenção, determinando a suspensão da execução da pena privativa de liberdade pelo prazo de 02 (dois) anos.
O réu interpôs recurso de apelação requerendo, em síntese, o provimento do recurso para que seja reformada a sentença, para o fim de absolver o defendente da imputação que lhe é irrogada na denúncia.
Contrarrazões pela parte apelada.
É o relatório.
VOTO
Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do presente recurso.
Intimado o Ministério Público para se manifestar nos presentes autos, este se manteve inerte.
No mérito, analisando os autos, verifico a ocorrência da prescrição, conforme os fundamentos a seguir.
O crime de lesão corporal leve está disciplinado no art. 129 do CP: “Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano”.
Ademais, em sentença a pena final imposta ao apelante foi 03 (três) meses de detenção, assim, nos termos do art. 110 do CP, esta deve ser considerada para regular o prazo prescricional.
Constata-se que a pena imposta é inferior a 1 ano. Dessa forma, a prescrição dos referidos crimes é de 3 anos, na forma do art. 109, VI, do CP:
Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto no § 1o do art. 110 deste Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime, verificando-se:
[…]
VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) ano.
Ademais, conforme previsão do art. 117 do Código Penal a prescrição é interrompida pela publicação da sentença. Ressalta-se que o §2º do referido artigo prevê que sendo interrompida a prescrição, esta deve ser contada em sua integralidade a partir do dia da interrupção.
No presente caso, a prescrição da pretensão punitiva foi interrompida com a prolação da sentença no dia 23 de outubro de 2019, data que todo o prazo prescricional volta a correr. Assim, na presente data, constato que transcorreu o prazo prescricional de 3 anos.
DIANTE DO EXPOSTO, voto pelo conhecimento do recurso para, de ofício, reconhecer a prescrição, decretando extinta a punibilidade do réu quanto ao crime de ameaça, com fulcro no artigo 107, inciso IV c/c artigo 109, inciso VI, todos do Código Penal, ficando o mérito do recurso prejudicado.
Teresina, datado e assinado eletronicamente.
0000132-21.2017.8.18.0152
Órgão Julgador3ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
Órgão Julgador Colegiado3ª Turma Recursal
Relator(a)FRANCISCO JOAO DAMASCENO
Classe JudicialAPELAÇÃO CRIMINAL
CompetênciaTurma Recursal
Assunto PrincipalCompetência dos Juizados Especiais
AutorMIRIA ELLEN DOS SANTOS VIEIRA
Réu6º PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE PICOS
Publicação27/02/2024