TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Turma Recursal
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0800127-69.2022.8.18.0061
RECORRENTE: JOSE CHAVES
Advogado(s) do reclamante: MARCELO CARVALHO RODRIGUES
RECORRIDO: BANCO CETELEM S.A.
REPRESENTANTE: BANCO CETELEM S.A.
Advogado(s) do reclamado: DIEGO MONTEIRO BAPTISTA
RELATOR(A): 1ª Cadeira da 1ª Turma Recursal
EMENTA
EMENTA
JUIZADO ESPECIAL. RECURSO INOMINADO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE RELAÇÃO JURÍDICA C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. DIREITO DO CONSUMIDOR. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. CONTRATO E COMPROVANTE DE TRANSFERÊNCIA APRESENTADOS. ALTERAÇÃO DA VERDADE DOS FATOS. CONDENAÇÃO POR LITIGÂNCIA DE MÁ FÉ. DANO MORAL NÃO CONFIGURADO. IMPROCEDÊNCIA. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO.
RELATÓRIO
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0800127-69.2022.8.18.0061
Origem:
RECORRENTE: JOSE CHAVES
Advogado do(a) RECORRENTE: MARCELO CARVALHO RODRIGUES - PI12530-A
RECORRIDO: BANCO CETELEM S.A.
REPRESENTANTE: BANCO CETELEM S.A.
Advogado do(a) RECORRIDO: DIEGO MONTEIRO BAPTISTA - RJ153999-A
RELATOR(A): 1ª Cadeira da 1ª Turma Recursal - Juiz João Antônio Bittencourt Braga Neto
RELATÓRIO
Trata-se AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE RELAÇÃO JURÍDICA C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS, na qual a parte autora alega: que é aposentado e titular de benefício junto a Previdência Social; que não contratou empréstimo com o Banco Requerido; que não recebeu os valores decorrentes do suposto empréstimo e que foi vítima de uma fraude. Por esta razão, requereu: o benefício da justiça gratuita; a inversão do ônus da prova; a nulidade dos contratos a serem consignados posteriormente; a devolução em dobro dos valores descontados de forma irregular e a condenação do Banco Requerido por danos morais.
Em contestação o Recorrido aduziu: que o juizado especial é incompetente para julgar a demanda; que juntou aos autos o contrato de empréstimo, não havendo controvérsia sobre a existência do negócio jurídico; que o Autor recebeu os valores decorrentes do empréstimo em conta/corrente de sua titularidade e que houve má-fé do Requerente, restando nítida que sua intenção é auferir lucro às custas da instituição financeira (ID 13694095).
Sobreveio sentença, resumidamente, nos termos que se seguem: que no caso dos autos, o Banco requerido juntou cópia do instrumento contratual e comprovante de disponibilização de recursos à parte autora; que a autora celebrou o contrato de empréstimo, tendo recebido o valor dele proveniente, onde o pagamento se realizou mediante descontos no benefício previdenciário da demandante e que alterou a verdade dos fatos na tentativa de receber em dobro o valor que já tinha recebido, bem como uma condenação por danos morais. Por consequência, com base no art. 487, I, CPC, JULGOU IMPROCEDENTES os pedidos da inicial, vez que reconhecida a responsabilidade da parte autora pelo débito existente. Condenou a parte Autora por litigância de má-fé, a efetuar o pagamento de multa de 9% sobre o valor corrigido da causa em favor do réu (ID 13694105).
Em suas razões, a parte recorrente alega: que não realizou negócio jurídico com o Requerido; que o Recorrido não apresentou comprovante de transferência bancária e que o contrato apresentado não obedece às formalidades legais. Por fim, requereu o reconhecimento do Recurso Inominado, para reformar integralmente a sentença de primeiro grau (ID 13694108).
Em sede de contrarrazões, o Recorrido informou que o Recorrente desde a propositura da ação vem distorcendo a verdade dos fatos; que a parte Autora celebrou o contrato de empréstimo; que o valor disponibilizado à parte Autora foi disponibilizado por meio de DOC/TED em conta bancária de sua titularidade; que juntou aos autos, comprovante de transferência eletrônica, com autenticação mecânica da instituição bancária e que não houve qualquer fraude quando da realização do contrato (ID 13694112).
É o relatório.
VOTO
Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.
Após a análise dos argumentos das partes e do acervo probatório existente nos autos, entendo que a sentença recorrida não merece reparos, devendo ser confirmada por seus próprios e jurídicos fundamentos, o que se faz na forma do disposto no artigo 46 da Lei 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão.
“Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão”.
Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo a sentença a quo em todos os seus termos.
Condenação do Recorrente em custas processuais e honorários advocatícios no percentual de 10% (dez por cento) do valor da causa atualizado. A exigibilidade dos honorários de sucumbência deve ser suspensa, nos moldes do art. 98, §3º, CPC.
É como voto.
Teresina, 19/12/2023
0800127-69.2022.8.18.0061
Órgão Julgador1ª Cadeira da 1ª Turma Recursal
Órgão Julgador Colegiado1ª Turma Recursal
Relator(a)JOAO ANTONIO BITTENCOURT BRAGA NETO
Classe JudicialRECURSO INOMINADO CÍVEL
CompetênciaTurma Recursal
Assunto PrincipalEmpréstimo consignado
AutorJOSE CHAVES
RéuBANCO CETELEM S.A.
Publicação23/01/2024