TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Câmara Especializada Cível
APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0801553-61.2020.8.18.0102
APELANTE: ANDERSON DA SILVA SALMENTO
Advogado(s) do reclamante: JERONIMO BORGES LEAL NETO
APELADO: BANCO BRADESCO S.A., FUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITORIOS NAO-PADRONIZADOS NPL I
Advogado(s) do reclamado: ANTONIO DE MORAES DOURADO NETO
RELATOR(A): Desembargador HAROLDO OLIVEIRA REHEM
EMENTA
EMENTA
CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ANULATÓRIA. TEMÁTICA JÁ LEVANTADA E DECIDIDA. COISA JULGADA. CONFIGURAÇÃO. EXTINÇÃO DO FEITO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. CONSEQUÊNICA PROCESSUAL ESCORREITA.
1. Na dicção do art. 337, VII e § 1º, do CPC, a coisa julgada se caracteriza quando se reproduz ação anteriormente ajuizada.
2. A ação anulatória, que tem em mira questões já ventiladas em autos de outra ação, afeta aos mesmos litigantes, e já enfrentadas por meio de decisões já alcançadas pela preclusão máxima, desafia extinção, sem resolução de mérito, à luz do art. 485, V, do CPC.
3. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.
RELATÓRIO
APELAÇÃO CÍVEL (198) -0801553-61.2020.8.18.0102
Origem:
APELANTE: ANDERSON DA SILVA SALMENTO
Advogado do(a) APELANTE: JERONIMO BORGES LEAL NETO - PI12087-A
APELADO: BANCO BRADESCO S.A., FUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITORIOS NAO-PADRONIZADOS NPL I
Advogado do(a) APELADO: ANTONIO DE MORAES DOURADO NETO - PE23255-A
RELATOR(A): Desembargador HAROLDO OLIVEIRA REHEM
RELATÓRIO
O DESEMBARGADOR HAROLDO OLIVEIRA REHEM (Relator): Eminentes julgadores,
Cuida-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta por ANDERSON DA SILVA SALMENTO para reformar a sentença exarada na Ação Declaratória de Inexistência de Débito (Processo nº 0801553-61.2020.8.18.0102, Vara Única da Comarca de Marcos Parente/PI), ajuizada por BANCO BRADESCO S.A., FUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITORIOS NAOPADRONIZADOS NPL I, ora apelados.
Ingressou a parte autora com a ação, alegando que teve seu nome inscrito indevidamente no cadastro de inadimplentes e que já ajuizou duas demandas judiciais referentes ao mesmo contrato, a primeira delas resultando em condenação da parte ré e a segunda com sentença homologando acordo entre as partes, mas que a parte ré insiste em continuar cobrando a dívida.
A parte ré apresentou contestação, alegando inadequação da via eleita e coisa julgada, além de, no mérito, pedir a improcedência da ação.
Por sentença, Id 5789604 - Pág. 1/2, o d. Magistrado a quo julgou: “(…) RECONHEÇO a existência de coisa julgada do pedido e, com fulcro no art. 485, V e art. 240 do Código de Processo Civil, EXTINGO o processo sem julgamento do mérito. Condeno a parte em custas e honorários advocatícios, estes arbitrados em 10% sobre o valor da causa, na forma do art. 98, § 3º do Código de Processo Civil.(...)”
Inconformado, o autor apresentou recurso de Apelação, reiterando os argumentos da ação originária.
Intimada, a parte ré apresentou contrarrazões requerendo o improvimento deste apelo.
É o relatório.
VOTO
VOTO DO RELATOR
O DESEMBARGADOR HAROLDO OLIVEIRA REHEM (votando): Senhores Julgadores, a apelação cível merece ser conhecida, uma vez que existentes os pressupostos extrínsecos de admissibilidade: tempestividade, preparo, regularidade formal e inexistência de fato impeditivo, e intrínsecos: legitimidade, interesse e cabimento.
Observa-se da documentação constante dos autos, que parte requerente promoveu ação anterior a que deu origem a esta Apelação Cível em que questionou o mesmo contrato objeto da presente demanda, qual seja, ação nº 0000164- 25.2016.8.18.0099. Na aludida ação o feito foi julgado procedente em 19 de setembro de 2017, não havendo, portanto, razão para a parte autora ingressar novamente em juízo questionando novamente mérito que foi devidamente julgado em outra oportunidade.
Consta na petição da Ação Originária, Id 5789562 - Pág. 1/8, o próprio autor/apelante informando que propôs ação judicial, processo n° 0000164- 25.2016.8.18.0099 e posteriormente ação judicial, processo nº 0000169- 42.2019.8.18.0099 com as mesmas partes e contrato.
Demonstrado nos autos de que esta demanda já foi julgada em outros autos, há de se reconhecer a coisa julgada.
Na dicção do art.337, § 1º, do CPC, a coisa julgada se caracteriza quando se reproduz demanda anteriormente ajuizada. Para a configuração do instituto, faz-se necessária a presença da tríplice identidade entre as ações, ou seja: mesmas partes, mesma causa de pedir e mesmo pedido. Sobre o instituto da coisa julgada, desataco a norma do art. 502 do CPC, segundo a qual:
Art. 502 - Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso.
Desta forma, não merece reforma a sentença recorrida.
Diante do exposto, VOTO pelo conhecimento deste recurso e no mérito pelo seu IMPROVIMENTO, mantendo a sentença a quo em todos os seus termos.
É o voto.
Teresina, 16/01/2024
0801553-61.2020.8.18.0102
Órgão JulgadorDesembargador HAROLDO OLIVEIRA REHEM
Órgão Julgador Colegiado1ª Câmara Especializada Cível
Relator(a)HAROLDO OLIVEIRA REHEM
Classe JudicialAPELAÇÃO CÍVEL
CompetênciaCâmaras Cíveis
Assunto PrincipalInclusão Indevida em Cadastro de Inadimplentes
AutorANDERSON DA SILVA SALMENTO
RéuBANCO BRADESCO S.A.
Publicação17/01/2024