TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 3ª Turma Recursal
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0800593-30.2022.8.18.0169
RECORRENTE: WASHINGTON LUIS BARBOSA DA SILVA JUNIOR
Advogado(s) do reclamante: ANANDDHA KELLEN DE MORAIS MARQUES DOS REIS, FRANCISCO WALTER DE AMORIM MENESES JUNIOR
RECORRIDO: SAMUEL C BRANCO & F EMANOEL LTDA
Advogado(s) do reclamado: MARCELO ANTONIO DE CASTRO RODRIGUES REGO REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO MARCELO ANTONIO DE CASTRO RODRIGUES REGO, SAMUEL CASTELO BRANCO SANTOS REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO SAMUEL CASTELO BRANCO SANTOS
RELATOR(A): 1ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
EMENTA
RECURSO INOMINADO. PUBLICAÇÃO DE MATÉRIA JORNALÍSTICA. PROCESSO ADMINISTRATIVO. DIVULGAÇÃO EM SITE DE NOTÍCIAS. LIBERDADE DE INFORMAÇÃO E DE EXPRESSÃO. INFORMAÇÃO. VERACIDADE DOS DADOS. ANIMUS NARRANDI. MERO CUNHO INFORMATIVO. ATO ILÍCITO INEXISTENTE.. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.
RELATÓRIO
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0800593-30.2022.8.18.0169
Origem:
RECORRENTE: WASHINGTON LUIS BARBOSA DA SILVA JUNIOR
Advogados do(a) RECORRENTE: ANANDDHA KELLEN DE MORAIS MARQUES DOS REIS - PI16143-A, FRANCISCO WALTER DE AMORIM MENESES JUNIOR - PI5641-A
RECORRIDO: SAMUEL C BRANCO & F EMANOEL LTDA
Advogados do(a) RECORRIDO: MARCELO ANTONIO DE CASTRO RODRIGUES REGO - PI21321-A, SAMUEL CASTELO BRANCO SANTOS - PI6334-A
RELATOR(A): 1ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
Trata-se de AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS COM PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA em que a parte autora aduz que é policial militar e que sempre cumpriu suas obrigações profissionais com responsabilidade e honra. No entanto, foi publicado no Diário Oficial n°30 que fora instaurado um procedimento administrativo para apurar supostas fraudes praticadas no Concurso Público para provimento de cargos de Soldado da Polícia Militar do Estado do Piauí regido pelo Edital n° 5/2013. Que foi surpreendido ao saber que seu nome constava no rol dos policiais militares que responderiam pelo processo administrativo. Que o Portal de notícias El Piauí publicou uma matéria em que dizia que o autor estava envolvido na fraude, com uns amigos e familiares. Ao final, requereu o a retirada da reportagem do sítio da internet, bem como indenização por danos morais.
A sentença que julgou TOTALMENTE IMPROCEDENTE os pedidos formulados pela autora, com resolução do mérito, nos termos do art. 487, I, do Código de Processo Civil.
O recorrente alega em suas razões: do mérito recursal; dos limites constitucionais impostos às liberdades de expressão e de imprensa; do dever de observância da verdade; da presunção de inocência e da veiculação de informações falsas; do dano moral sofrido pelo autor dano in re ipsa; da necessidade de repreensão da conduta; do quantum indenizatório; da obrigação de fazer; da tutela de urgÊncia. Por fim, requer o provimento do recurso para julgar procedentes o pedido inicial de indenização por danos morais.
O recorrido não apresentou contrarrazões.
É o relatório sucinto.
VOTO
Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.
Compulsando os autos, constata-se que o teor da publicação questionada pelo recorrente não vislumbro qualquer abuso ou falha na atuação do veículo de imprensa, pois a matéria jornalística não extrapola os limites atribuídos ao regular exercício de liberdade de expressão, pensamento e informação, garantidos pelo art. 5°, IV, V, X, XIII, XIV da Constituição Federal.
A publicação objeto dos autos demonstra que o portal de notícias se limitou à reprodução dos fatos de interesse público concernentes à existência de processo administrativo referente à fraude em concurso público.
Desse modo, após a análise dos argumentos dos litigantes e do acervo probatório existente nos autos, entendo que a sentença deve ser mantida por seus próprios fundamentos, o que se faz na forma do disposto no artigo 46 da Lei 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão.
“Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão.”.
Ante o exposto, conheço do recurso e NEGO-LHE PROVIMENTO, mantendo a sentença por seus próprios e jurídicos fundamentos.
Ônus de sucumbência pela recorrente nas custas e honorários advocatícios, estes em 15% sobre o valor da causa, porém com exigibilidade suspensa pelo prazo de 05(cinco) anos, nos termos do art.98, §3° do CPC.
É como voto.
Teresina, assinado e datado eletronicamente.
Teresina, 13/11/2023
0800593-30.2022.8.18.0169
Órgão Julgador1ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
Órgão Julgador Colegiado3ª Turma Recursal
Relator(a)ANTONIO LOPES DE OLIVEIRA
Classe JudicialRECURSO INOMINADO CÍVEL
CompetênciaTurma Recursal
Assunto PrincipalDireito de Imagem
AutorWASHINGTON LUIS BARBOSA DA SILVA JUNIOR
RéuSAMUEL C BRANCO & F EMANOEL LTDA
Publicação14/11/2023