Acórdão de 2º Grau

Defeito, nulidade ou anulação 0822492-79.2019.8.18.0140


Ementa

RECURSO INOMINADO. ANULAÇÃO DE MULTAS DE TRÂNSITO POR INFRAÇÕES COMETIDAS COM VEÍCULO DE PLACA CLONADA. DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DO DÉBITO. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE VEÍCULO DUBLÊ COM A MESMA PLACA DO VEÍCULO QUE ERA DE PROPRIEDADE DO AUTOR, O QUE ENSEJA A ANULAÇÃO DAS AUTUAÇÕES E DA PONTUAÇÃO LANÇADA. INSUBSISTÊNCIA DAS MULTAS APLICADAS. SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS E JURÍDICOS FUNDAMENTOS. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. 1 - Verificando-se que as infrações de trânsito discutidas não foram praticadas pelo proprietário do veículo sobre o qual recaíram as multas e sim por condutor de veículo diverso, cuja placa era clonada, mostra-se escorreita a sentença que declarou insubsistente as multas imputadas à autora/recorrida. 2 - A manutenção das multas aplicadas, mesmo após o órgão de trânsito ter constatado que as respectivas infrações foram cometidas por condutor de veículo cuja placa era clonada, impossibilitando proprietário do veículo sobre o qual recaíram as multas de realizar o licenciamento e, consequentemente, de dispor de seu bem, não havendo que se falar em ausência de nexo de causalidade entre a conduta do órgão de trânsito e os danos sofridos pela autora/recorrida. (TJPI - RECURSO INOMINADO CÍVEL 0822492-79.2019.8.18.0140 - Relator: ELVANICE PEREIRA DE SOUSA - 1ª Turma Recursal - Data 30/10/2023 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Turma Recursal

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0822492-79.2019.8.18.0140

RECORRENTE: STRANS - SUPERINTENDÊNCIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES E TRÂNSITO DE TERESINA, DEPARTAMENTO DE ESTADUAL DE TRÂNSITO DO PIAUÍ - DETRAN - PI, JOSE FRANCISCO BENICIO DE MACEDO, SUPERINTENDENCIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES E TRANSITO

 

RECORRIDO: LIVIA MARA DE MELO BATISTA, MARIA CLARA MARTINS LUZ E SILVA, RICARDO STARVOS CASTRO DE SOUSA MARTINS
REPRESENTANTE: PROCURADORIA DETRAN, PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO DE TERESINA

 

RELATOR(A): 2ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

 


EMENTA


 

 

RECURSO INOMINADO. ANULAÇÃO DE MULTAS DE TRÂNSITO POR INFRAÇÕES COMETIDAS COM VEÍCULO DE PLACA CLONADA. DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DO DÉBITO. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE VEÍCULO DUBLÊ COM A MESMA PLACA DO VEÍCULO QUE ERA DE PROPRIEDADE DO AUTOR, O QUE ENSEJA A ANULAÇÃO DAS AUTUAÇÕES E DA PONTUAÇÃO LANÇADA. INSUBSISTÊNCIA DAS MULTAS APLICADAS. SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS E JURÍDICOS FUNDAMENTOS. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.

1 - Verificando-se que as infrações de trânsito discutidas não foram praticadas pelo proprietário do veículo sobre o qual recaíram as multas e sim por condutor de veículo diverso, cuja placa era clonada, mostra-se escorreita a sentença que declarou insubsistente as multas imputadas à autora/recorrida.

2 - A manutenção das multas aplicadas, mesmo após o órgão de trânsito ter constatado que as respectivas infrações foram cometidas por condutor de veículo cuja placa era clonada, impossibilitando proprietário do veículo sobre o qual recaíram as multas de realizar o licenciamento e, consequentemente, de dispor de seu bem, não havendo que se falar em ausência de nexo de causalidade entre a conduta do órgão de trânsito e os danos sofridos pela autora/recorrida.

 

 


RELATÓRIO


 

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0822492-79.2019.8.18.0140
Origem: 
RECORRENTE: STRANS - SUPERINTENDÊNCIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES E TRÂNSITO DE TERESINA, DEPARTAMENTO DE ESTADUAL DE TRÂNSITO DO PIAUÍ - DETRAN - PI, JOSE FRANCISCO BENICIO DE MACEDO, SUPERINTENDENCIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES E TRANSITO 
Advogado do(a) RECORRENTE: JOSE FRANCISCO BENICIO DE MACEDO - PI144-A

RECORRIDO: LIVIA MARA DE MELO BATISTA, MARIA CLARA MARTINS LUZ E SILVA, RICARDO STARVOS CASTRO DE SOUSA MARTINS
REPRESENTANTE: PROCURADORIA DETRAN, PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO DE TERESINA

Advogados do(a) RECORRIDO: MARIA CLARA MARTINS LUZ E SILVA - PI7255-A, RICARDO STARVOS CASTRO DE SOUSA MARTINS - PI7271-A

RELATOR(A): 2ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

Trata-se de AÇÃO ANULATÓRIA C/C PEDIDO DE INDENIZAÇÃO E PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA proposta por LÍVIA MARA DE MELO BATISTA em face da SUPERINTENDÊNCIA MUNICIPAL DE TRANSPORTE E TRÂNSITO (STRANS) e DEPARTAMENTO ESTADUAL DE TRÂNSITO (DETRAN – PI), por meio da qual alega que recebeu 03 (três) Notificações de Penalidade, referentes aos seguintes autos de infração: SR00764706, SR00764655 e SR00787354, emitidos, respectivamente em 31/07/19, 31/07/19 e 02/07/19. As notificações supracitadas informavam que o condutor do veículo HB20, placa PIO-4838, teria transitado em velocidade superior à máxima permitida em mais de 20% até 50%, apontando-se a infração prevista no artigo 212, II do Código de Trânsito Brasileiro, no dia 02/03/2019 às 10h10min e 23h31min, e no dia 31/03/19, às 15h25min, no entanto, a parte autora não transitou pela via em que ocorreu a infração, motivo pelo qual entende que deve ser reparado pelo dano sofrido.

Sobreveio sentença julgando parcialmente procedente os pedidos:

Ante o exposto, rejeito a preliminar de ilegitimidade passiva do DETRAN-PI na forma da fundamentação ante exposta e JULGO TOTALMENTE PROCEDENTE, nos termos do art. 487, I do Código de Processo Civil, os pedidos constantes na petição inicial para anular os Autos de Infrações SR00764706, SR00764655 e SR00787354 e dos Pontos atribuídos à CNH do Requerente, bem como condenar o DETRAN-PI para mudança de placa do veículo da parte autora.

JULGO TOTALMENTE IMPROCEDENTE, nos termos do art. 487, I do Código de Processo Civil, o pedido de indenização por danos morais.

 

Indefiro o pedido de justiça gratuita.

 

Sem Custas e Honorários Advocatícios, a teor dos arts. 54 e 55 da Lei nº 9.099/95.

 

Razões da requerida/Recorrente, sustentando, em síntese, da  regularidade das autuações promovidas pela STRANS; inexistência de prova inequívoca da clonagem. Por fim, requer o provimento do recurso para julgar improcedentes os pedidos iniciais

É a sinopse dos fatos.

 


VOTO


 

 

Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso e passo a sua análise.

No caso, entendo que a sentença merece ser confirmada por seus próprios e jurídicos fundamentos, o que se faz na forma do disposto no artigo 46 da Lei 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão.

 

Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão”.

 

Diante do exposto, conheço do recurso para negar-lhe provimento, mantendo a sentença pelos seus próprios e jurídicos fundamentos.

Com base no art. 55, da Lei nº 9099/95, condeno a parte Recorrente ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios, que arbitro em 15% (quinze por cento) sobre o valor da causa atualizado.

Teresina, datado e assinado eletronicamente.

 

 



Teresina, 26/10/2023

Detalhes

Processo

0822492-79.2019.8.18.0140

Órgão Julgador

2ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

Órgão Julgador Colegiado

1ª Turma Recursal

Relator(a)

ELVANICE PEREIRA DE SOUSA

Classe Judicial

RECURSO INOMINADO CÍVEL

Competência

Turma Recursal

Assunto Principal

Defeito, nulidade ou anulação

Autor

STRANS - Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Teresina

Réu

LIVIA MARA DE MELO BATISTA

Publicação

30/10/2023