TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 4ª Câmara Especializada Cível
AGRAVO DE INSTRUMENTO (202) No 0761081-62.2022.8.18.0000
AGRAVANTE: AGOSTINHO RIBEIRO PINDAIBA
Advogado(s) do reclamante: CARLOS EDUARDO DE CARVALHO PIONORIO
AGRAVADO: BANCO PAN S.A.
RELATOR(A): Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
EMENTA
PROCESSUAL CIVIL - AGRAVO DE INSTRUMENTO – AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO, C/C DANOS MORAIS – VALOR DA CAUSA INFERIOR A SESSENTA SALÁRIOS MÍNIMOS – CONVERSÃO PELO JUIZ A QUO DO RITO ORDINÁRIO EM SUMÁRIO – IMPOSSIBILIDADE - FACULDADE DO AUTOR - RECURSO PROVIDO.
1. Mesmo sendo o valor da causa inferior a sessenta salários mínimos, é opção do autor propor ajuizar a sua demanda perante a Justiça Comum.
2. Agravo provido.
RELATÓRIO
AGRAVO DE INSTRUMENTO (202) -0761081-62.2022.8.18.0000
Origem:
AGRAVANTE: AGOSTINHO RIBEIRO PINDAIBA
Advogado do(a) AGRAVANTE: CARLOS EDUARDO DE CARVALHO PIONORIO - PI18076-A
AGRAVADO: BANCO PAN S.A.
RELATOR(A): Desembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
Trata-se de Agravo de Instrumento ajuizado para suspender e, posteriormente, cassar decisão proferida em sede de AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO C/C COM DANOS MORAIS proposta por AGOSTINHO RIBEIRO PINDAÍBA, ora agravante, contra BANCO PAN S/A, ora agravado.
A decisão combatida consiste, essencialmente, em designar audiência de conciliação e advertir ao agravante que o não comparecimento à audiência de conciliação acarretará extinção do processo, de acordo com o art. 139, VI, do CPC e art. 51, I, da Lei nº 9.099/95.
Inconformado, o agravante alega, em resumo, que cabe a parte a escolha entre ajuizar a ação na Justiça Comum ou no Juizado Especial, mesmo que a causa seja de menor complexidade, não cabendo ao Juízo obrigar ao postulante às restrições procedimentais previstas na Lei nº 9.099/95. Diz que a parte tem o direito de ser representada na audiência preliminar de conciliação por meio de advogado constituído nos autos, conforme destaca o § 10, do art. 334, do CPC.
Com base nos referidos argumentos e assegurando que estariam presentes, tanto a plausibilidade do direito invocado, quanto o perigo da demora, pede o deferimento de efeito suspensivo e, no final, o provimento do recurso.
Antecipação de tutela recursal concedida.
O agravado, embora regularmente intimado, deixou correr in albis o prazo para responder ao recurso.
É o quanto basta relatar, para se passar ao voto.
VOTO
O DESEMBARGADOR JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA (Votando): Senhores julgadores, segundo se viu, a decisão vergastada consistiu, essencialmente, em converter, de ofício, o rito processual para o do Juizado Especial, designando audiência de conciliação, advertindo ao agravante que o não comparecimento à audiência de conciliação acarretará extinção do processo, de acordo com o art. 139, VI, do CPC e art. 51, I, da Lei nº 9.099/95. Assevere-se de logo que assiste razão ao agravante, o que se espera restará demonstrado a seguir.
Com efeito, cabe mesmo à parte a escolha entre ajuizar a ação na Justiça Comum ou no Juizado Especial, mesmo que a causa seja de menor complexidade, não cabendo ao Juízo obrigar ao postulante às restrições procedimentais previstas na Lei nº 9.099/95.
No sentido da assertiva acima, os seguintes julgados do colendo Superior Tribuna de Justiça que bem se aplica ao caso sub examine, verbis:
PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE DE COBRANÇA. CONTROLE DE COMPETÊNCIA PELO TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS E JUSTIÇA COMUM. OPÇÃO DO AUTOR.
1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "tem-se que o ajuizamento da ação no âmbito daJustiça Comum vai de encontro aos interesses da própria parte porque impossibilita a solução ágil (por meio de procedimento mais simplificado) e gratuita, isenta de custas" (fl. 191, e-STJ) e "impõe-se a manutenção da sentença que reconheceu a inadequação do ajuizamento do feito perante a Justiça Comum" (fl. 202, e-STJ).
2. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento de que "o processamento da ação perante o Juizado Especial é opção do autor, que pode, se preferir, ajuizar sua demanda perante a Justiça Comum"
(REsp. 173.205/SP, Relator Ministro Cesar Asfor Rocha, Quarta Turma, DJ 14.6.1999). A propósito: REsp 331.891/DF, Rel. Ministro Antônio de Pádua Ribeiro, Terceira Turma, 21.3.2002; REsp 146.189/RJ, Rel. Ministro Barros Monteiro, Quarta Turma, DJ 29.6.1998.
3. Recurso Especial provido.
(REsp 1726789/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, 19.04.2018, publicado no DJe 23.05.2018).
***
PROCESSUAL CIVIL. COMPETÊNCIA. REINTEGRAÇÃO DE POSSE DE VALOR NÃO EXCEDENTE A 40 SALÁRIOS MÍNIMOS. JUIZADO ESPECIAL. FACULDADE DO AUTOR. ARTIGO 3º, § 3º, DA LEI N. 9.099/95.
O processamento da ação perante o Juizado Especial é opção do autor, que pode, se preferir, ajuizar sua demanda perante a Justiça Comum.
Precedentes.
Recurso conhecido e provido.
(REsp 173205/SP, Rel. César Asfor, Quarta Turma, 27.04.1999, publicado no Dj 14.06.1999).
EX POSITIS e sendo o quanto necessário asseverar, VOTO para que seja dado provimento a este AGRAVO, a fim de se cassar, agora em definitivo, a decisão vergastada.
Teresina, 11/09/2023
0761081-62.2022.8.18.0000
Órgão JulgadorDesembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
Órgão Julgador Colegiado4ª Câmara Especializada Cível
Relator(a)JOAO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
Classe JudicialAGRAVO DE INSTRUMENTO
CompetênciaCâmaras Cíveis
Assunto PrincipalEmpréstimo consignado
AutorAGOSTINHO RIBEIRO PINDAIBA
RéuBANCO PAN S.A.
Publicação13/09/2023