TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Câmara Especializada Cível
APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0801818-96.2018.8.18.0049
APELANTE: BANCO BRADESCO S.A., JULIA ROSA DE MOURA
Advogado(s) do reclamante: KARINA DE ALMEIDA BATISTUCI, FRANCISCO ROBERTO MENDES OLIVEIRA
APELADO: JULIA ROSA DE MOURA, BANCO BRADESCO S.A.
Advogado(s) do reclamado: FRANCISCO ROBERTO MENDES OLIVEIRA, KARINA DE ALMEIDA BATISTUCI
RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO EUFRÁSIO ALVES FILHO
EMENTA
EMENTA:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. RECONHECIMENTO DO VÍCIO. CONDENAÇÃO EM HONRÁRIOS SUCUMBENCIAIS DEVIDOS SOBRE O VALOR DA CONDENAÇÃO. ART. 85, §2º, DO CPC. VÍCIO SANADO.
I – O manejo dos Embargos de Declaração é admissível nos casos de obscuridade, contradição, omissão e erro material, a teor do art. 1.022, do CPC, razão por que se trata de recurso ordinário de fundamentação vinculada, que não pode ostentar a finalidade de rediscutir a matéria anteriormente julgada.
II – Na hipótese em exame, o acórdão embargado manteve a condenação do Embargante proferida pela sentença a quo, qual seja, a de restituição, na forma dobrada, dos valores indevidamente descontados na conta da Embargada, com compensação do valor disponibilizado, e majorou o pagamento de indenização por danos morais para o valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), razão pela qual, é devida a fixação dos honorários sucumbenciais sobre o valor da condenação e não do valor da causa.
III- Portanto, tendo em vista que, de fato, o acórdão embargado, ao majorar os honorários sucumbenciais utilizou como base, equivocadamente, o valor da causa, é de rigor a correção do referido vício, para que a condenação em honorários sucumbenciais seja fixada sobre o valor da condenação, retificando-se o dispositivo do acórdão.
IV – Embargos de Declaração conhecidos e providos.
RELATÓRIO
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
Gabinete Des. RAIMUNDO EUFRÁSIO ALVES FILHO
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA APELAÇÃO CÍVEL Nº 0801818-96.2018.8.18.0049.
Embargante : BANCO BRADESCO S/A.
Advogada : Karina de Almeida Batistuci (OAB/PI nº 7.197).
Embargada : JULIA ROSA DE MOURA.
Advogado: Francisco Roberto Mendes Oliveira (OAB/PI nº 7.459).
RELATOR : DES. RAIMUNDO EUFRÁSIO ALVES FILHO.
Vistos etc.,
Trata-se, in casu, de Embargos de Declaração (id 9527952) opostos pelo BANCO BRADESCO S/A, nos quais, aduz em suma, a existência de vício de erro material no acórdão de id nº 9421812.
Intimada, a Embargada apresentou contrarrazões, pugnando pelo desprovimento dos aclaratórios (id 9620635).
Constatando-se que o feito encontra-se apto para julgamento, encaminhem-se os autos ao Presidente da 1ª Câmara Especializada Cível deste TJPI, para a sua inclusão em pauta de julgamento, conforme o art. 1.024, §1º do CPC.
Cumpra-se, imediatamente.
Teresina/PI, data da assinatura eletrônica.
Des. RAIMUNDO EUFRÁSIO ALVES FILHO.
RELATOR
VOTO
V O T O
I – DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE
Em juízo de admissibilidade, CONHEÇO dos EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, por atenderem aos requisitos legais de sua admissibilidade, nos termos do art. 1.022 e seguintes, do CPC.
II – DO MÉRITO
Os Embargos de Declaração constituem espécie recursal de fundamentação vinculada, cuja discussão de mérito está condicionada à existência, ou não, dos vícios previstos no art. 1.022, do CPC, in verbis:
“Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para:
I - esclarecer obscuridade ou eliminar contradição;
II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a
requerimento;
“III - corrigir erro material.
Parágrafo único. Considera-se omissa a decisão que:
I - deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente
de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento;
II - incorra em qualquer das condutas descritas no art. 489, § 1º”.
In casu, aduz o Embargante a existência de erro no acórdão, tendo em vista que a condenação em honorários sucumbenciais teve por base o valor da causa e não da condenação.
Sobre o tema, dispõe o art. 85, §2º, do CPC:
“Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor.
§ 2º Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos:
(...)”
Desse modo, extrai-se do dispositivo supracitado que, em regra, os honorários sucumbenciais serão fixados sobre o valor da condenação e do proveito econômico obtido, e, somente quando não for possível mensurá-lo, é que será utilizado o valor atualizado da causa como base de indexador do ônus sucumbencial.
Na hipótese em exame, o acórdão embargado manteve a condenação do Embargante proferida pela sentença a quo, qual seja, a de restituição, na forma dobrada, dos valores indevidamente descontados na conta da Embargada, com compensação do valor disponibilizado, e majorou o pagamento de indenização por danos morais para o valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), razão pela qual, é devida a fixação dos honorários sucumbenciais sobre o valor da condenação e não do valor da causa.
Portanto, tendo em vista que, de fato, o acórdão embargado, ao majorar os honorários sucumbenciais utilizou como base, equivocadamente, o valor da causa, é de rigor a correção do referido vício, para que a condenação em honorários sucumbenciais seja fixada sobre o valor da condenação, retificando-se o dispositivo do acórdão, passando-se a ser lido da seguinte forma, in verbis:
“III – DO DISPOSITIVO
Por todo o exposto, CONHEÇO das APELAÇÕES CÍVEIS, por atender a todos os requisitos legais de sua admissibilidade, NEGO PROVIMENTO ao 1° Recurso interposto, e DOU PARCIAL PROVIMENTO ao 2° Recurso de Apelação, REFORMANDO parcialmente a SENTENÇA RECORRIDA, apenas para MAJORAR A CONDENAÇÃO POR DANOS MORAIS ficando o BANCO/1° Apelante responsável pelo pagamento de danos morais no importe de R$ 5.000,00 (cinco mil reais).
Que seja o 1° Apelante condenado ao pagamento de honorários advocatícios no importe de 15% (quinze por cento) SOBRE O VALOR DA CONDENAÇÃO.
Custas ex legis.
É o VOTO.”
III – DO DISPOSITIVO
Ante o exposto, CONHEÇO dos EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, e DOU-LHES PROVIMENTO, atribuindo-lhes apenas efeitos integrativos, para os fins de SANAR o vício de erro material na fixação dos honorários sucumbenciais, nos termos supramencionados, mantendo-se, na íntegra, os demais termos do acórdão impugnado.
É como VOTO.
Teresina-PI, data da assinatura eletrônica.
Des. RAIMUNDO EUFRÁSIO ALVES FILHO
RELATOR
Teresina, 11/09/2023
0801818-96.2018.8.18.0049
Órgão JulgadorDesembargador DIOCLÉCIO SOUSA DA SILVA
Órgão Julgador Colegiado1ª Câmara Especializada Cível
Relator(a)RAIMUNDO EUFRASIO ALVES FILHO
Classe JudicialAPELAÇÃO CÍVEL
CompetênciaCâmaras Cíveis
Assunto PrincipalEmpréstimo consignado
AutorBANCO BRADESCO S.A.
RéuJULIA ROSA DE MOURA
Publicação13/09/2023