Decisão Terminativa de 2º Grau

Empréstimo consignado 0827982-14.2021.8.18.0140


Decisão Terminativa

poder judiciário 
tribunal de justiça do estado do piauí
GABINETE DO Desembargador JOSÉ JAMES GOMES PEREIRA

PROCESSO Nº: 0827982-14.2021.8.18.0140
CLASSE: APELAÇÃO CÍVEL (198)
ASSUNTO(S): [Empréstimo consignado]
APELANTE: MERCANTIL DO BRASIL FINANCEIRA SA CREDITO FIN E INVEST
APELADO: MARIA JOSE DE SOUSA BARROS


DECISÃO TERMINATIVA

 

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO CONTRATUAL C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ACORDO JUNTADO AOS AUTOS PELAS PARTES. ACORDO HOMOLOGADO. EXTINÇÃO DO FEITO. Tendo em vista o acordo firmado entre as partes, homologo para que produza seus jurídicos e legais efeitos, via de consequência declaro extinta a ação com resolução do mérito, com base no art. 487, III, “b”, c/c o art. 924 II, do CPC.

Relatório

 

Trata-se de Recurso de Apelação de ID 7556230 interposto, por MERCANTIL DO BRASIL FINANCEIRA S.A CREDITO FIN E INVEST, em face da sentença de ID 7556216, proferida pelo Juízo de Direito da Vara cível da Comarca de Teresina– PI, nos autos da Ação Declaratória de Inexistência de Relação Contratual c/c Indenização por Danos Morais, ajuizada por MARIA JOSÉ DE SOUSA BARROS, em face do apelante.

Na peça inaugural, a autora alega que recebe um benefício previdenciário e analisando o Histórico de Consignações no benefício previdenciário foi surpreendido com um contrato de empréstimo nº 009857412, no valor de R$ 5.000,22, em que, se pretende que seja declarada sua inexistência, tendo em vista que em momento algum pretendeu contratá-lo.

Em sentença, ID Num. 7556216, o magistrado de primeiro grau, julgou procedente os pedidos da inicial, nos termos do inciso I do artigo 487 do CPC/2015, para determinar o cancelamento do contrato de empréstimo consignado objeto desta ação, tendo em vista sua nulidade, condenar a empresa ré a restituir em dobro os valores indevidamente descontados não prescritos, Determinar que o valor depositado pela parte ré em benefício da parte autora, seja atualizado monetariamente a partir da data de depósito e que o valor seja abatido do valor da indenização, condenar a parte ré a pagar o valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais),com os devidos acréscimos legais, a título de indenização por danos morais e ainda condenou o Requerido ao pagamento de honorários advocatícios ao procurador da Requerente, verba que fixo em 10% (dez por cento) do valor da condenação.

Inconformado, o réu interpôs recurso de Apelação ora sob análise, em que o Banco, apresentou o competente recurso apelatório, id. Num. 7556230, alegando preliminarmente a prescrição tendo em vista que o prazo de 5 (cinco) anos em relação à última parcela descontada foi desrespeitado com o ajuizamento da ação feito em 2020 e o contrato se iniciado em 10/01/2012, Aduzindo que a relação entre as partes foi regularmente contratada e o fato da parte autora ser analfabeta não lhe subtrai a capacidade de compreensão dos atos da vida civil, sendo que, no caso, não vicia o negócio nem retira sua capacidade de contratar. Por fim requereu que seja recebido e processado o presente recurso nos seus efeitos devolutivo e suspensivo para que seja reconhecida a prescrição, reformando a sentença a quo dando provimento ao presente recurso.

Devidamente intimada, a apelada apresentou contrarrazões ao recurso interposto (ID 7556236) requereu que seja negado provimento ao recurso interposto, com a condenação da parte apelante no pagamento de honorários advocatícios inerentes ao recurso.

O Ministério Público Superior, em parecer de ID Num. 8463930 devolveu os autos sem proferir manifestação, por não vislumbrar interesse no feito.

No julgamento do apelo, à unanimidade, votar pelo conhecimento do presente recurso mas negar-lhe provimento, mantendo a sentença incólume nos seus termos. Dessa forma, manter fixos os valores dos honorários, nesta fase processual, em 10% sobre o valor da condenação, nos termos do voto do Relator.”

As partes Apelante e apelado (ID 10698185), atravessaram Termo de Acordo Extrajudicial, pondo fim ao objeto discutidos nos autos, conforme às cláusulas constantes do acordo firmado, tendo o banco apelado realizado o pagamento do acordado no valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), de acordo com o comprovante anexado no ID 11093725.

Ao final requer a homologação do acordo, para que surta seus regulares efeitos na forma do art. 487, III, “b”, do CPC.

 

É o relatório.

Decido.

Da análise dos autos, verifica-se que as partes firmaram acordo Extrajudicial (ID 10698185), pondo fim ao litígio.

O presente feito trata-se de Ação Declaratória de Inexistência de Relação Contratual c/c Indenização por Danos Morais, sobre os quais as partes podem livremente transigir.

Consta dos autos, que o banco apelado realizado o pagamento do acordado no valor de R$ 30.000,00 (quatorze mil reais), comprovante anexado no ID 11093725.

Desse modo cabe ao Poder Judiciário tão somente homologar o acordo firmado entre as partes, haja vista não conter nele nenhuma cláusula que prejudique terceiros ou incapazes, ou que escapa da razoabilidade e da proporcionalidade, na forma do art. 487, III, “b”, do CPC.

Ante o exposto, homologo para que produza seus jurídicos e legais efeitos o acordo celebrado entre as partes, como destacado nas cláusulas do termo de acordo, assim, declaro extinto o feito, com base no art. 487, III, “b”, do CPC.

Custas e honorários sucumbenciais na forma acordada entre as partes.

Com a baixa na distribuição, determino a remessa dos autos ao juízo de origem para os fins necessários.

Cumpra-se.

Teresina, data e assinatura no sistema.

Des. José James Gomes Pereira

               Relator

 

 

 

 

 

(TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0827982-14.2021.8.18.0140 - Relator: JOSE JAMES GOMES PEREIRA - 2ª Câmara Especializada Cível - Data 28/07/2023 )

Detalhes

Processo

0827982-14.2021.8.18.0140

Órgão Julgador

Desembargador JOSÉ JAMES GOMES PEREIRA

Órgão Julgador Colegiado

2ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

JOSE JAMES GOMES PEREIRA

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Empréstimo consignado

Autor

MERCANTIL DO BRASIL FINANCEIRA SA CREDITO FIN E INVEST

Réu

MARIA JOSE DE SOUSA BARROS

Publicação

28/07/2023