TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Câmara Especializada Cível
APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0800161-57.2022.8.18.0089
APELANTE: ADRIANA NUNES DOS SANTOS
Advogado(s) do reclamante: LAIS BENITO CORTES DA SILVA
APELADO: MIDWAY S.A.- CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO
Advogado(s) do reclamado: NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES
RELATOR(A): Desembargador ADERSON ANTONIO BRITO NOGUEIRA
EMENTA
EMENTA
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE PRESCRIÇÃO DE DÉBITO C/C OBRIGAÇÃO DE FAZER. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS. FIXAÇÃO POR EQUIDADE. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.
1. O art. 85, §8º, do CPC, estabelece que nas causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou, ainda, quando o valor da causa for muito baixo, o juiz fixará o valor dos honorários por apreciação equitativa.
2. Considerando que, no presente caso, a fixação dos honorários advocatícios com base no valor atribuído à causa não se mostrou razoável e adequado aos elementos da demanda, a verba honorária deve ser fixada com base no que dispõem os §§ 2º e 8º do art. 85 do CPC.
3. Recurso conhecido e parcialmente provido.
RELATÓRIO
APELAÇÃO CÍVEL Nº 0800161-57.2022.8.18.0089
APELANTE: ADRIANA NUNES DOS SANTOS
APELADO: MIDWAY S/A CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO
RELATOR: DES. ADERSON ANTÔNIO BRITO NOGUEIRA
RELATÓRIO
Trata-se, in casu, de APELAÇÃO CÍVEL, interposta por BENITO CORTÊS SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA, contra sentença do Juízo da Vara Única da Comarca de Caracol/PI, proferida nos autos da AÇÃO DECLARATÓRIA DE PRESCRIÇÃO DE DÉBITO C/C OBRIGAÇÃO DE FAZER, ajuizada por ADRIANA NUNES DOS SANTOS em face de MIDWAY S/A CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO.
Na sentença (ID 11017567), o Juiz de 1º grau julgou procedente a ação, com fulcro no art. 487, inciso I, do CPC, para condenar a empresa demandada na obrigação de fazer formulada na inicial, no prazo de 10 (dez) dias, contados do trânsito em julgado, sob pena de pagamento de multa diária de R$ 500,00 (quinhentos reais), até o limite de R$ 10.000,00 (dez mil reais), a ser revertidos em favor da autora. Na ocasião, condenou a empresa ré ao pagamento de honorários advocatícios no percentual de 15% (quinze por cento) sobre o valor da causa.
Em suas razões recursais (ID 11017595), a SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA, que representou em juízo a autora, pretende, em síntese, a reforma da sentença para majorar a condenação em honorários advocatícios. Argumenta que em virtude do baixo valor da causa a verba sucumbencial ficou estabelecida em R$ 240,59 (duzentos e quarenta reais e cinquenta e nove centavos).
Intimado, o apelado apresentou contrarrazões (ID 11017599), argumentado que o processo se deu de forma eletrônica e o profissional que integra o polo ativo do recurso de apelação não precisou se deslocar de seu escritório para acompanhar o andamento processual, de modo que não possui direito à majoração do valor dos honorários advocatícios. Afirmou, ainda, que a causa não demandou maior complexidade. Por fim, requer seja mantida a condenação em honorários conforme estabelecida na sentença de primeiro grau.
Seguindo a orientação expedida através do OFÍCIO-CIRCULAR nº. 174/2021 – PJPI/TJPI/PRESIDÊNCIA/GABJAPRE/GABJAPRES2, remetido pelo proc. SEI nº. 21.0.000043084-3, deixei de determinar o envio do processo ao Ministério Público Superior, por não se tratar de hipótese que justifique a sua intervenção legal (ID 11031975).
É o relatório.
Encaminhem-se os presentes autos para sua inclusão em pauta de julgamento do Plenário Virtual da 1ª Câmara Especializada Cível, nos termos do art. 934, do CPC.
Cumpra-se, imediatamente.
Teresina/PI, Data registrada no sistema.
Desembargador ADERSON ANTONIO BRITO NOGUEIRA
RELATOR
VOTO
VOTO
Tendo em vista que a presente Apelação encontram-se os requisitos intrínseco e extrínsecos de admissibilidade, conheço da presente apelação.
II – DO MÉRITO
A questão posta nos autos consiste em verificar a possibilidade de majoração dos honorários sucumbenciais arbitrados na sentença recorrida.
Analisando os presentes autos, verifico que, de fato, a sentença merece reparos.
Acerca do tema, o art. 85 do CPC, estabelece que:
Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor.
§ 1º São devidos honorários advocatícios na reconvenção, no cumprimento de sentença, provisório ou definitivo, na execução, resistida ou não, e nos recursos interpostos, cumulativamente.
§ 2º Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos:
I - o grau de zelo do profissional;
II - o lugar de prestação do serviço;
III - a natureza e a importância da causa;
IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.
§ 8º Nas causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou, ainda, quando o valor da causa for muito baixo, o juiz fixará o valor dos honorários por apreciação equitativa, observando o disposto nos incisos do § 2º. (grifado).
No caso em exame, foi atribuído à causa o valor de R$ 1.603,96 (mil e seiscentos e três reais e noventa e seis centavos), de forma que a condenação em 15% (quinze por cento) sobre o valor da causa, no valor de apenas R$ 240,59 (duzentos e quarenta reais e cinquenta e nove centavos), não se mostra razoável.
Nesse sentido, inclusive a jurisprudência. Vejamos:
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE CONHECIMENTO. VALOR DA CAUSA MUITO BAIXO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FIXAÇÃO POR APRECIAÇÃO EQUITATIVA. § 8º DO ART. 85 DO CPC. APLICAÇÃO. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. 1 - Nos termos do § 8º do art. 85 do Código de Processo Civil, “nas causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou, ainda, quando o valor da causa for muito baixo, o juiz fixará o valor dos honorários por apreciação equitativa, observando o disposto nos incisos do § 2º”. 2 - Verificando-se que a fixação de honorários advocatícios com base em percentual do valor da causa não se mostra razoável e adequado aos elementos da demanda, mormente levando-se em conta o baixo valor atribuído à causa (R$ 100,00), a verba honorária deve ser fixada com base no que dispõem os §§ 2º e 8º do artigo 85 do CPC. Apelação Cível provida. (Acórdão 1320221, 07119438320198070018, Relator: ANGELO PASSARELI, 5ª Turma Cível, data de julgamento: 24/2/2021, publicado no DJE: 11/3/2021. Pág.: Sem Página Cadastrada.). (grifei)
Assim, a reforma da sentença é medida que se impõe.
III – DO DISPOSITIVO:
Por todo o exposto, CONHEÇO do presente recurso, por atender a todos os requisitos legais de sua admissibilidade e, no mérito, DOU-LHE PARCIAL PROVIMENTO, para reformar a sentença e estabelecer a condenação do apelado ao pagamento de honorários advocatícios de sucumbência fixados no valor de R$ 1.000,00 (mil reais), observando o disposto no art. 85, § 2º e §8º do CPC.
É como voto.
Des. ADERSON ANTÔNIO BRITO NOGUEIRA
Relator
Teresina, 24/02/2024
0800161-57.2022.8.18.0089
Órgão JulgadorDesembargador ADERSON ANTONIO BRITO NOGUEIRA
Órgão Julgador Colegiado1ª Câmara Especializada Cível
Relator(a)ADERSON ANTONIO BRITO NOGUEIRA
Classe JudicialAPELAÇÃO CÍVEL
CompetênciaCâmaras Cíveis
Assunto PrincipalPrescrição e Decadência
AutorADRIANA NUNES DOS SANTOS
RéuMIDWAY S.A.- CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO
Publicação25/02/2024