Acórdão de 2º Grau

Piso Salarial 0000583-56.2017.8.18.0084


Ementa

PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL - RECLAMAÇÃO TRABALHISTA - AGENTE DE COMBATE A ENDEMIAS - PISO SALARIAL - DIREITOS CONSTITUCIONALMENTE GARANTIDOS. 1. Não comprovado o adimplemento, a verba é mesmo devida. É assegurado aos Agentes Comunitários de Saúde e aos Agentes de Combate as Endemias o pagamento do piso salarial profissional nacional desde o início da vigência da Lei Federal n° 12.944/14, tratando-se de norma de aplicação imediata e desvinculado de regulamentação adicional. 2. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. (TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0000583-56.2017.8.18.0084 - Relator: HAROLDO OLIVEIRA REHEM - 1ª Câmara de Direito Público - Data 06/09/2023 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Câmara de Direito Público

APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0000583-56.2017.8.18.0084

APELANTE: MUNICIPIO DE BARRO DURO
REPRESENTANTE: MUNICIPIO DE BARRO DURO

Advogado(s) do reclamante: JOSE DA SILVA BRITO JUNIOR

APELADO: EDSON ALVES DA SILVA

Advogado(s) do reclamado: SHAYMMON EMANOEL RODRIGUES DE MOURA SOUSA

RELATOR(A): Desembargador HAROLDO OLIVEIRA REHEM

 


EMENTA


 

PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL - RECLAMAÇÃO TRABALHISTA - AGENTE DE COMBATE A ENDEMIAS - PISO SALARIAL - DIREITOS CONSTITUCIONALMENTE GARANTIDOS.

1. Não comprovado o adimplemento, a verba é mesmo devida. É assegurado aos Agentes Comunitários de Saúde e aos Agentes de Combate as Endemias o pagamento do piso salarial profissional nacional desde o início da vigência da Lei Federal n° 12.944/14, tratando-se de norma de aplicação imediata e desvinculado de regulamentação adicional.

2. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.

 

 

 


RELATÓRIO


 

APELAÇÃO CÍVEL (198) -0000583-56.2017.8.18.0084
Origem: 
APELANTE: MUNICIPIO DE BARRO DURO
REPRESENTANTE: MUNICIPIO DE BARRO DURO
 

APELADO: EDSON ALVES DA SILVA
Advogado do(a) APELADO: SHAYMMON EMANOEL RODRIGUES DE MOURA SOUSA - PI5446-A

RELATOR(A): Desembargador HAROLDO OLIVEIRA REHEM

 

Cuida-se de Apelação Cível interposta pelo MUNICÍPIO DE BARRO DURO-PI de decisão exarado na Ação de Cobrança de Verbas Trabalhista (Processo n° 0000583-56.2017.8.18.0084, Vara Única da Comarca de MUNICÍPIO DE BARRO DURO-PI, movida por EDSON ALVES DA SILVA, ora apelado.

Ingressou com esta ação alegando, em síntese, que visa com esta ação o pagamento do piso salarial dos agentes comunitários de saúde previsto na Lei nº 12.994/2014, referente ao período compreendido entre a entrada em vigor de referida lei até julho de 2015, quando fora implementado.

Pugna pelo pagamento da diferença salarial e seus reflexos.

O MUNICÍPIO DE BARRO DURO/PI contestou, ID 7746263, p. 45/60, pugnando pelo julgamento improcedente da demanda.

A parte autora replicou, ID 7746263, p. 76/80.

Por sentença, ID 7747078, p. 01/04, o d. Magistrado a quo JULGOU PROCEDENTE o pedido para, com fundamento no art. 9-A da Lei nº 12.994/2014, CONDENAR o réu a pagar ao autor as diferenças remuneratórias relativas ao cargo de agente de combate às endemias no período entre junho de 2014 e julho de 2015, alcançando o pagamento da diferença remuneratória ao 13º salário, gratificações, férias e terço constitucional de férias, com dedução da contribuição previdenciária (art. 43 da Lei nº 8.212/91) e do imposto de renda (art. 46 da Lei nº 8541/92), e acrescido de juros e monetariamente corrigido, desde a data da citação até a data do efetivo pagamento, na forma do art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, EXTINGUINDO o processo com resolução do mérito, na forma do art. 487, I do Código de Processo Civil.

 

 Irresignado, o Município apelou, ID 7747082, p. 01/19, pugnando pela reforma da sentença a fim de que a ação seja julgada improcedente.

Intimados, os autores apresentaram contrarrazões, ID 7747087, p. 01/11, requerendo a manutenção da sentença.

O Ministério Público do Piauí devolveu os autos sem exarar manifestação, ante a ausência de interesse público que justifique sua intervenção, ID 9614875, p. 01.

 

 É O RELATÓRIO.

 


VOTO


 

 O Recurso de Apelação merece ser conhecido, eis que se encontram os pressupostos da sua admissibilidade.

 

Insurge-se a parte ré contra a sentença que determinou o pagamento do piso salarial ao autor e seus reflexos no período compreendido entre a entrada em vigor de referida lei, em 17.06.2014, até julho de 2015

Pois bem, em junho de 2014 foi sancionada a lei que garante aos servidores da área da saúde e que compõe os quadros de agentes comunitários e agentes de combate a endemias um piso base inicial no valor, constituindo obrigação à União, Estados, Municípios e Distrito Federal, não podendo os estes entes pagar valor abaixo do previsto na referida lei, para uma jornada de 40 horas semanais, in litteris:

 

Art. 1o A Lei nº 11.350, de 5 de outubro de 2006, passa a vigorar acrescida dos seguintes artigos:

O Art. 90-A – O piso salarial profissional nacional é o valor abaixo do qual a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios não poderão fixar o vencimento inicial das Carreiras de Agente Comunitário de Saúde e de Agente de Combate às Endemias para a jornada de 40 (quarenta) horas semanais.

§ 1o O piso salarial profissional nacional dos Agentes Comunitários de Saúde e dos Agentes de Combate às Endemias é fixado no valor de R$ 1.014,00 (mil e quatorze reais) mensais.

§ 2o A jornada de trabalho de 40 (quarenta) horas exigida para garantia do piso salarial previsto nesta Lei deverá ser integralmente dedicada a ações e serviços de promoção da saúde, vigilância epidemiológica e combate a endemias em prol das famílias e comunidades assistidas, dentro dos respectivos territórios de atuação, segundo as atribuições previstas nesta Lei.”

 

O Município ré descumpriu com tal obrigação, passando a implementar o piso salarial somente em agosto de 2015, razão pela qual cumpre determinar, consequentemente, que o Município efetue o pagamento das gratificações, férias e terço constitucional de férias com base em referido salário base, como acertadamente o fez o d. Magistrado a quo.

 

Nesse sentido há julgado deste g. Tribunal, in verbis:

 

PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. RECLAMAÇÃO TRABALHISTA - AGENTE DE COMBATE A ENDEMIAS 13º SALÁRIO – PISO SALARIAL - DIREITOS CONSTITUCIONALMENTE GARANTIDOS. O 13º salário é direito constitucionalmente garantido a todos os trabalhadores independentemente da natureza do vínculo jurídico. Não comprovado o adimplemento, a verba é mesmo devida. É assegurado aos Agentes Comunitários de Saúde e aos Agentes de Combate às Endemias o pagamento do piso salarial profissional nacional, desde o início da vigência da Lei Federal nº 12.944/14, tratando-se de norma de aplicação imediata e desvinculada de regulamentação adicional. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.

(TJPI | Apelação Cível Nº 2017.0001.003812-0 | Relator: Des. Haroldo Oliveira Rehem | 1ª Câmara de Direito Público | Data de Julgamento: 07/03/2019)”

 

 

Diante do exposto, e sem a necessidade de outras assertivas, VOTO pelo IMPROVIMENTO do apelo, mantendo-se a douta sentença guerreada em todos os seus termos.

 

 

É o voto.

 



Teresina, 15/08/2023

Detalhes

Processo

0000583-56.2017.8.18.0084

Órgão Julgador

Desembargador HAROLDO OLIVEIRA REHEM

Órgão Julgador Colegiado

1ª Câmara de Direito Público

Relator(a)

HAROLDO OLIVEIRA REHEM

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras de Direito Público

Assunto Principal

Piso Salarial

Autor

MUNICIPIO DE BARRO DURO

Réu

EDSON ALVES DA SILVA

Publicação

06/09/2023