Acórdão de 2º Grau

Abatimento proporcional do preço 0803828-80.2021.8.18.0026


Ementa

EMENTA: CÍVEL. CONSUMIDOR. PROCESSO CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO c/c REPETIÇÃO DE INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS c/c PEDIDO DE LIMINAR. CONDENAÇÃO EM CUSTAS PROCESSUAIS E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. PRINCÍPIO DA SUCUMBÊNCIA. MANUTENÇÃO SENTENÇA. 1. De acordo com o princípio da causalidade, deve arcar com os honorários sucumbenciais aquele que deu causa à instauração do processo, o que comumente se confunde, em virtude do princípio da sucumbência, com o vencido. 2. A condenação da Recorrente em honorários sucumbenciais não está condicionada à conduta sua culposa ou dolosa, decorrendo do fato de que ajuizou demanda considerada improcedente. 3. Quanto às custas, a determinação de que o vencido irá com elas arcar provem de previsão legal, uma vez que, conforme art. 82, §2º, do Código de Processo Civil (CPC), “A sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas que antecipou”. 4. Recurso conhecido e improvido. (TJPI - APELAÇÃO CÍVEL 0803828-80.2021.8.18.0026 - Relator: JOSE RIBAMAR OLIVEIRA - 4ª Câmara Especializada Cível - Data 12/08/2023 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 4ª Câmara Especializada Cível

APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0803828-80.2021.8.18.0026

APELANTE: MARIA NATALIA SOUSA CHAGAS

Advogado(s) do reclamante: IANE LAYANA E SILVA SOARES, GILBERTO LEITE DE AZEVEDO FILHO

APELADO: BANCO PAN S.A.
REPRESENTANTE: BANCO PAN S.A.

Advogado(s) do reclamado: MARIA ELISA PERRONE DOS REIS TOLER, PAULO ROBERTO JOAQUIM DOS REIS

RELATOR(A): Desembargador JOSÉ RIBAMAR OLIVEIRA



EMENTA

 


EMENTA: CÍVEL. CONSUMIDOR. PROCESSO CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO c/c REPETIÇÃO DE INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS c/c PEDIDO DE LIMINAR. CONDENAÇÃO EM CUSTAS PROCESSUAIS E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. PRINCÍPIO DA SUCUMBÊNCIA. MANUTENÇÃO SENTENÇA. 1. De acordo com o princípio da causalidade, deve arcar com os honorários sucumbenciais aquele que deu causa à instauração do processo, o que comumente se confunde, em virtude do princípio da sucumbência, com o vencido. 2. A condenação da Recorrente em honorários sucumbenciais não está condicionada à conduta sua culposa ou dolosa, decorrendo do fato de que ajuizou demanda considerada improcedente. 3. Quanto às custas, a determinação de que o vencido irá com elas arcar provem de previsão legal, uma vez que, conforme art. 82, §2º, do Código de Processo Civil (CPC), “A sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas que antecipou”. 4. Recurso conhecido e improvido.


 


RELATÓRIO


Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL (ID 8955219) interposta por Maria Natalia Sousa Chagas em face da sentença proferida nos autos da AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO c/c REPETIÇÃO DE INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS c/c PEDIDO DE LIMINAR, ajuizada em desfavor de Banco Pan S/A, no processo n° 0803828-80.2021.8.18.0026.


Na sentença vergastada (ID 8955216), o juízo a quo julgou improcedente o pedido inicial, por entender que “ficou demonstrada, à saciedade, a existência e validade da relação jurídica entre as partes”.


Irresignada com a sentença, a Autora interpôs a presente Apelação, aduzindo que “não agiu com dolo ou culpa, tampouco no intuito de causar dano processual à parte contrária (improbus litigator), inexistindo a configuração de qualquer ato processual que justifique a aplicação em custas processuais, e também por custas e honorários a parte autora ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios no importe de 10% (dez por cento) sobre o valor da causa.” Requereu que “a condenação em custas seja indeferida, e em honorários sucumbenciais, e caso não seja, ao menos seja reduzida, tendo em vista que a parte autora não dispõe de condições financeiras para arcar com o que foi determinado.”


O Apelado apresentou Contrarrazões à Apelação (ID 8955225), defendendo, em tese, a validade do contrato celebrado entre as partes, a inexistência do direito à repetição do indébito e à condenação em danos morais.


É o relatório.

 


VOTO


Preliminarmente, verifico preenchidos todos os pressupostos subjetivos e objetivos de admissibilidade, razão pela qual conheço do recurso e passo à análise de mérito.


De acordo com o princípio da causalidade, deve arcar com os honorários sucumbenciais aquele que deu causa à instauração do processo, o que comumente se confunde, em virtude do princípio da sucumbência, com o vencido.


Como lecionam Rinaldo Mouzalas, João Otávio Neto e Eduardo Madruga (2020, p. 231)1 “Parte-se da ideia de que quem perdeu, no processo, causou indevidamente a necessidade de a parte vencedora comparecer perante o Poder Judiciário para ter sua esfera jurídica reparada ou respeitada.”.


Assim sendo, a condenação da Recorrente em honorários sucumbenciais não está condicionada à conduta sua culposa ou dolosa, decorrendo do fato de que ajuizou demanda considerada improcedente.


Quanto às custas, a determinação de que o vencido irá com elas arcar provem de previsão legal, uma vez que, conforme art. 82, §2º, do Código de Processo Civil (CPC), “A sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas que antecipou”.


Por fim, verificando-se que foi deferida à parte apelante o benefício da justiça gratuita, nos termos do art. 98, §3º, do CPC, encontra-se suspenso o pagamento da sucumbência, de modo que, se decorridos 5 anos, a insuficiência da recorrente perdurar estarão extintas suas obrigações.


Isso posto, ante as razões acima consignadas, voto pelo conhecimento e improvimento da Apelação Cível interposta por Maria Natalia Sousa Chagas, mantendo in totum a sentença recorrida.



1MOUZALAS, Rinaldo, TERCEIRO NETO, João Otávio, MADRUGA, Eduardo. Processo Civil Volume Único. 12 ed. Salvador: Ed. Juspodivm, 2020


 



ACÓRDÃO


Acordam os componentes da Egrégia 4ª Câmara Especializada Cível, do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, À unanimidade, conhecer e negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. 

Presentes os Excelentíssimos Senhores Desembargadores José Ribamar Oliveira, João Gabriel Furtado Baptista e Dr. Francisco Gomes da Costa Neto (Juiz Convocado através da Portaria (Presidência) Nº 127/2023 - PJPI/TJPI/SECPRE/PLENOADM).

Presente a Exma. Sra. Procuradora de Justiça, Dra. Teresinha de Jesus Marques.

Impedimento/suspeição: não houve.

Sustentação oral: não houve.

O referido é verdade e dou fé.

 

SALA DAS SESSÕES VIRTUAIS DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PIAUÍ, em Teresina, 28 de julho de 2023.


Desembargador JOSÉ RIBAMAR OLIVEIRA

Relator

Detalhes

Processo

0803828-80.2021.8.18.0026

Órgão Julgador

Desembargador ANTÔNIO REIS DE JESUS NOLLETO

Órgão Julgador Colegiado

4ª Câmara Especializada Cível

Relator(a)

JOSE RIBAMAR OLIVEIRA

Classe Judicial

APELAÇÃO CÍVEL

Competência

Câmaras Cíveis

Assunto Principal

Abatimento proporcional do preço

Autor

MARIA NATALIA SOUSA CHAGAS

Réu

BANCO PAN S.A.

Publicação

12/08/2023