PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
GABINETE DES. SEBASTIÃO RIBEIRO MARTINS
MANDANDO DE SEGURANÇA CÍVEL nº 0004634-18.2010.8.18.0000
Autoridade Coatora: Secretaria de Saúde do Estado do Piauí
Paciente: ANTONIO PRADO FILHO
Impetrante: Ministério Público do Estado do Piauí
Impetrado: ESTADO DO PIAUÍ
Procuradoria Geral do Estado do Piauí
DECISÃO
Trata-se de MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL, em face de ato coator do Secretário da Saúde do Estado do Piauí, impetrado pelo MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL, com o fito de manter o fornecimento do fármaco o MUSTARDA NITROGENADA para o paciente ANTONIO PRADO FILHO inscrito no CPF sob o nº 273.295.003-30.
O Impetrante, em consulta ao sistema Busca Integrada de Dados – BID, verificou o óbito do paciente, em 13/09/2012, conforme extrato do Sistema de Controle de Óbitos - SISOBI. Logo, requer a desistência do Mandado de Segurança, com a extinção do feito.
Dispõe o art. art. 485, § 5º, do Código de Processo Civil que “a desistência da ação pode ser apresentada até a sentença”, exigindo-se o consentimento do réu depois de oferecida a contestação (art. 485, § 4º, do CPC).
Não obstante o dispositivo legal, o Superior Tribunal de Justiça, ainda sob a égide do Código de Processo Civil de 1973, pacificou o entendimento de que “a desistência da ação de mandado de segurança pode ocorrer a qualquer tempo, independente da concordância da pessoa jurídica impetrada”.
Mais recentemente, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 669.367/RJ, sob a sistemática da repercussão geral – art. 543-B do Código de Processo Civil/1973 – firmou entendimento de que a desistência em mandado de segurança é prerrogativa de quem o impetra, podendo ocorrer a qualquer tempo antes do trânsito em julgado, sem a anuência da parte contrária e independentemente de já ter havido decisão de mérito, desfavorável ou favorável ao impetrante.
Confira-se o enunciado da Tese 530 do STF, firmada no referido recurso extraordinário: “É lícito ao impetrante desistir da ação de mandado de segurança, independentemente de aquiescência da autoridade apontada como coatora ou da entidade estatal interessada ou, ainda, quando for o caso, dos litisconsortes passivos necessários, a qualquer momento antes do término do julgamento, mesmo após eventual sentença concessiva do ‘writ’ constitucional, não se aplicando, em tal hipótese, a norma inscrita no art. 267, § 4º, do CPC/1973”. O dispositivo citado na tese corresponde ao já mencionado art. 485, § 4º, do vigente Código de Processo Civil de 2015.
Assim, tendo em vista o falecimento do paciente e o caráter personalíssimo do Mandado de Segurança, é evidente o cabimento da desistência do Impetrante.
Portanto, HOMOLOGO O PEDIDO DE DESISTÊNCIA para que produza os efeitos legais e extingo o feito sem resolução do mérito, nos termos do art. 485, VIII, do Código de Processo Civil.
ARQUIVEM-SE os autos, dando-se baixa no sistema processual eletrônico.
Cumpra-se.
Teresina, 06 de julho de 2023
Des. SEBASTIÃO RIBEIRO MARTINS
Relator
0004634-18.2010.8.18.0000
Órgão JulgadorDesembargador SEBASTIÃO RIBEIRO MARTINS
Órgão Julgador ColegiadoTribunal Pleno
Relator(a)SEBASTIAO RIBEIRO MARTINS
Classe JudicialMANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL
CompetênciaTribunal Pleno
Assunto PrincipalLiminar
AutorMINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PIAUÍ
RéuPIAUI SECRETARIA DE SAUDE
Publicação06/07/2023