Acórdão de 2º Grau

Contratos Bancários 0800431-47.2020.8.18.0026


Ementa

RECURSO INOMINADO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA/NULIDADE DE CONTRATO COM PEDIDO DE DEVOLUÇÃO EM DOBRO C/C DANOS MORAIS. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. COISA JULGADA. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA POR SEUS PRÓPRIOS E JURÍDICOS FUNDAMENTOS. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. (TJPI - RECURSO INOMINADO CÍVEL 0800431-47.2020.8.18.0026 - Relator: LEONARDO LUCIO FREIRE TRIGUEIRO - 1ª Turma Recursal - Data 14/07/2023 )

Acórdão


ÓRGÃO JULGADOR : 1ª Turma Recursal

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0800431-47.2020.8.18.0026

RECORRENTE: ANTONIA SEBASTIANA GOMES DIAS

Advogado(s) do reclamante: ANNE CAROLINE FURTADO DE CARVALHO

RECORRIDO: ADMINISTRADORA DE CONSORCIO NACIONAL HONDA LTDA
REPRESENTANTE: ADMINISTRADORA DE CONSORCIO NACIONAL HONDA LTDA

Advogado(s) do reclamado: JULIANO JOSE HIPOLITI

RELATOR(A): 3ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

 


EMENTA


 

 


RECURSO INOMINADO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA/NULIDADE DE CONTRATO COM PEDIDO DE DEVOLUÇÃO EM DOBRO C/C DANOS MORAIS. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. COISA JULGADA. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA POR SEUS PRÓPRIOS E JURÍDICOS FUNDAMENTOS. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.

 

 


RELATÓRIO


 

RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0800431-47.2020.8.18.0026
Origem: 
RECORRENTE: ANTONIA SEBASTIANA GOMES DIAS 
Advogado do(a) RECORRENTE: ANNE CAROLINE FURTADO DE CARVALHO - PI14271-A

RECORRIDO: ADMINISTRADORA DE CONSORCIO NACIONAL HONDA LTDA
REPRESENTANTE: ADMINISTRADORA DE CONSORCIO NACIONAL HONDA LTDA

Advogado do(a) RECORRIDO: JULIANO JOSE HIPOLITI - MS11513-A

RELATOR(A): 3ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

 

Trata-se de ação judicial na qual a parte autora alega que teve incluído nas parcelas de seu contrato de consórcio um “VALOR DOCUMENTAÇÃO”, sem seu consentimento. Requer, assim, a consequente condenação do réu à obrigação de fazer, consubstanciada no cancelamento da cobrança/contrato em questão; além do ressarcimento pelos danos materiais sofridos pelo autor, referentes à cobrança do “valor da documentação” não contratado, em dobro (art. 42, CDC), no valor de R$ 806,94 (oitocentos e seis reais e noventa e quatro centavos) a serem corrigidos e atualizados monetariamente, bem como incidir juros legais.

Sobreveio sentença (ID. N° 9670494), onde o juízo a quo julgou EXTINTO o feito sem resolução do mérito com arrimo no artigo 485, V, do Código de Processo Civil, verbis:

Compulsando os autos observo que assiste razão à ré. Os presentes autos discutem objeto idêntico ao já decidido na ação de número 0802007-12.2019.8.18.0026, na qual consta Certidão de trânsito em julgado em ID nº 12774976.

Assim, considerando a impossibilidade de reapreciação das questões ja decididas e acobertadas pela coisa julgada, a extinção do feito é medida que se impõe.

Ante o exposto, JULGO EXTINTO o feito sem resolução do mérito e o faço com arrimo no artigo 485, V, do Código de Processo Civil.

Sem custas ou honorários ex vi art. 55 da lei 9.099/95.

Inconformada com a sentença proferida, a requerida interpôs recurso inominado aduzindo, em síntese, que o MM Juiz, com a devida vênia, não se atentou para o fato de que o contrato de consórcio firmado tem embutida a contratação de seguro e valor documentação de maneira indevida pois constitui venda casada, em desrespeito ao consumidor conforme lei consumerista pátria (documentos comprobatórios acostados aos autos em sede de inicial, no próprio texto exordial e fora dele). Além da não contratação do seguro, a cobrança indevida imposta ao consumidor, está aliada ao desrespeito e abusividade da forma como foi incluída no contrato, evidenciando, portanto, o dano material e moral sofrido pelo autor. Ademais, no que tange aos danos morais o MM. Juiz sentenciante não aplicou a costumeira justiça, pois, ao não fixar de indenização por danos morais não atinge o caráter pedagógico da condenação, devendo esta ser revisada, sob pena de banalizar-se a dor alheia e desprestigiar o Judiciário frente ao poder econômico das concessionárias. Por fim, requereu o provimento do recurso com a total improcedência de pleito autoral.

Contrarrazões da parte recorrida em ID 9670508.

É a sinopse dos fatos.

 

 

 

 


VOTO


 

 

Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso.

Após a análise dos argumentos dos litigantes e do acervo probatório existente nos autos, entendo que a sentença deve ser mantida por seus próprios fundamentos, o que se faz na forma do disposto no artigo 46 da Lei 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão.



Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão.”.


Ante o exposto, conheço do recurso e nego-lhe provimento, mantendo a sentença por seus próprios e jurídicos fundamentos.

Ônus de sucumbência pela parte Recorrente nas custas e horários advocatícios, estes em 10% sobre o valor corrigido da causa. Porém, deve ser suspensa a exigibilidade do ônus de sucumbência, nos termos do artigo 98, §3º, do CPC, em razão do benefício da justiça gratuita.

É como voto.

Assinado e datado eletronicamente.

 

 



Teresina, 14/07/2023

Detalhes

Processo

0800431-47.2020.8.18.0026

Órgão Julgador

3ª Cadeira da 1ª Turma Recursal

Órgão Julgador Colegiado

1ª Turma Recursal

Relator(a)

LEONARDO LUCIO FREIRE TRIGUEIRO

Classe Judicial

RECURSO INOMINADO CÍVEL

Competência

Turma Recursal

Assunto Principal

Contratos Bancários

Autor

ANTONIA SEBASTIANA GOMES DIAS

Réu

ADMINISTRADORA DE CONSORCIO NACIONAL HONDA LTDA

Publicação

14/07/2023