Decisão Terminativa de 2º Grau

Enquadramento 0028859-55.2017.8.18.0001


Decisão Terminativa

poder judiciário 
tribunal de justiça do estado do piauí
GABINETE DO 2ª Cadeira da 2ª Turma Recursal

PROCESSO Nº: 0028859-55.2017.8.18.0001
CLASSE: RECURSO INOMINADO CÍVEL (460)
ASSUNTO(S): [Enquadramento]
RECORRENTE: FRANCISCO ALVES DA SILVA
RECORRIDO: ESTADO DO PIAUI


DECISÃO TERMINATIVA

 

 

Vistos.

Trata-se de Recurso Extraordinário interposto pelo ESTADO DO PIAUÍ, com fundamento no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal de 1988, combinado com os arts. 541 e ss. do Código de Processo Civil, em face do Acórdão que deu parcial provimento ao Recurso inominado oposto pelo autor, que reformou a sentença, para fins de julgar parcialmente procedente a demanda e condenar o recorrido a providenciar o seu enquadramento nos termos da Lei 6.560/2014 na Classe III, Padrão E, do grupo operacional técnico, cargo agente técnico de serviço, bem como implementação e respectivos reajustes no contracheque da recorrente, bem como no pagamento dos valores retroativos referentes à diferença remuneratória, conforme determinação contida na Lei Estadual nº 6.560, de 22 de julho de 2014, com juros moratórios ao mês a partir da citação, segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança, e correção monetária segundo o IPCA-E, desde a data em que o pagamento era devido, de acordo com a norma de regência.

Aduz a parte recorrente que o acórdão impugnado violou o art. 97 da CF c/c Súmula Vinculante nº 10 do Supremo Tribunal Federal. Requer, ao final, seja o presente recurso conhecido e provido, anulando-se o aresto, por falta de fundamentação, ou reformando-se o acórdão para julgar improcedente o pedido autoral, tendo em vista a contrariedade aos dispositivos da Constituição Federal.

A parte recorrida apresentou contrarrazões ao recurso requerendo, em síntese, o não recebimento e, se for o caso, o desprovimento do recurso extraordinário interposto pelo Recorrente por não existir violação à Constituição Federal, mantendo-se, in totum, a decisão vergastada.

É o relatório. Decido.

O apelo extraordinário atende aos pressupostos processuais genéricos de admissibilidade.

O Recurso Extraordinário tem como finalidade precípua o controle da aplicação da Constituição Federal aos casos concretos discutidos em processos de índole subjetiva, somente sendo possível versar sobre questões de direito, não sendo permitida a discussão referente à matéria fática nele tratada.

Nesta esteira, as hipóteses de cabimento do recurso em questão estão delimitadas pelo art. 102, inciso III, da CF/88, o qual confere competência para julgamento ao Supremo Tribunal Federal, o verdadeiro guardião da Constituição, em causas decididas em única ou última instância, com o esgotamento dos recursos ordinários, nas quais a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo da Constituição Federal; b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face da Constituição; ou d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal.

Além disso, o artigo 102, §3º, da CF/88 estabelece como requisito essencial ao conhecimento do apelo extraordinário a demonstração de existência de repercussão geral da questão constitucional discutida no processo, do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapasse os interesses subjetivos do processo (art. 1.035, §§ 1º e 2º, do CPC/2015).

No caso em questão, constato que o colegiado da 1ª Turma Recursal solucionou a controvérsia a partir do exame do contexto fático probatório do processo, o que impossibilita a revisão do julgado por meio do presente recurso, em face do disposto na Súmula 279 do STF, a qual prevê que “para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário.”.

Portanto, ante o exposto, nego seguimento ao recurso, com fundamento no artigo 1.030, inciso V, do Código de Processo Civil.

Intimem-se.

Teresina (PI), datado e assinado eletronicamente.

 

Dra. Maria das Neves Ramalho Barbosa Lima

Juíza Presidente da 2ª TRCC e de Direito Público

 

 

(TJPI - RECURSO INOMINADO CÍVEL 0028859-55.2017.8.18.0001 - Relator: MARIA DAS NEVES RAMALHO BARBOSA LIMA - 2ª Turma Recursal - Data 01/04/2023 )

Detalhes

Processo

0028859-55.2017.8.18.0001

Órgão Julgador

2ª Cadeira da 2ª Turma Recursal

Órgão Julgador Colegiado

2ª Turma Recursal

Relator(a)

MARIA DAS NEVES RAMALHO BARBOSA LIMA

Classe Judicial

RECURSO INOMINADO CÍVEL

Competência

Assunto Principal

Enquadramento

Autor

FRANCISCO ALVES DA SILVA

Réu

ESTADO DO PIAUI

Publicação

01/04/2023