TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 4ª Câmara Especializada Cível
APELAÇÃO CÍVEL (198) No 0834839-76.2021.8.18.0140
APELANTE: CRISTIANY AZEVEDO PORTELA DE CARVALHO
Advogado(s) do reclamante: HENRY WALL GOMES FREITAS REGISTRADO(A) CIVILMENTE COMO HENRY WALL GOMES FREITAS
APELADO: HOEPERS RECUPERADORA DE CREDITO S/A
Advogado(s) do reclamado: DJALMA GOSS SOBRINHO
RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR
EMENTA
PROCESSUAL CIVIL – APELAÇÃO – CAUTELAR DE PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVA – EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO -ILEGITIMIDADE PASSIVA ‘AD CAUSAM’ DA PARTE REQUERIDA – MERA INTERMEDIÁRIA NA COBRANÇA DA DIVIDA - RECURSO DESPROVIDO.
1. Constatada a ilegitimidade passiva ‘ad causam’ da parte, o correto é extinguir o processo, sem julgamento de mérito. Incidência do art. 485, IV, do CPC.
2. A empresa contratada, para o fim único e exclusivo de intermediar uma cobrança, não pode ser considerada parte legítima, para figurar no polo passivo de uma ação intentada a pelo devedor, que se deve voltar contra aquele a quem alega nada dever.
3. Sentença mantida.
RELATÓRIO
APELAÇÃO CÍVEL (198) -0834839-76.2021.8.18.0140
Origem:
APELANTE: CRISTIANY AZEVEDO PORTELA DE CARVALHO
Advogado do(a) APELANTE: HENRY WALL GOMES FREITAS - PI4344-A
APELADO: HOEPERS RECUPERADORA DE CREDITO S/A
Advogado do(a) APELADO: DJALMA GOSS SOBRINHO - SC7717-A
RELATOR(A): Desembargador RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR
Em exame APELAÇÃO interposta por CRISTIANY AZEVEDO PORTELA DE CARVALHO, para o fim de reformar a sentença pela qual fora julgada a AÇÃO DE PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVA aqui versada, que propôs contra a empresa HOEPERS RECUPERADORA DE CRÉDITO S/A.
A sentença, resumidamente, consiste em julgar improcedente a ação, sem resolução de mérito, por considerar parte ilegítima passiva a apelada. Condena ainda o apelante no pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, estes fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor da causa, nos termos do art. 85, §2º, do CPC.
Para tanto, entende o douto magistrado sentenciante que o contrato impugnado pelo apelante, objeto da cautelar, fora firmado com outra instituição financeira. Atribui à apelada, enfim, a condição de mera responsável pela cobrança do débito.
Inconformado, o apelante alega que a negativação do seu nome junto ao SERASA, conforme teria informado esta empresa de proteção ao crédito, se dera em virtude de contrato existente com a apelada. Quer, por tais razões, o provimento do recurso, com a consequente reforma da sentença, renovando também o pedido de gratuidade judiciária, já deferido em primeiro grau de jurisdição.
Embora regularmente intimada, a apelada deixa correr in albis o prazo para as contrarrazões.
Sem opinativo do Parquet.
É o quanto basta relatar, a fim de se passar ao VOTO, prorrogando-se antes a gratuidade judiciária deferida à apelante, para efeito de admissão do recurso.
VOTO
O SENHOR DESEMBARGADOR RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR (Votando): Senhores julgadores, o fundamento ao qual a apelante se apega, ou seja, o de que a apelada teria legitimidade, para figurar no polo passivo da ação, não procede. O douto magistrado sentenciante, portanto, agira com inteiro acerto ao extinguir o processo, sem julgamento de mérito, nos termos do art. 485, IV, do CPC.
Realmente, pelo documento id. 7165434, trazido aos autos pelo próprio apelante, pode-se concluir que a dívida fora contraída junto à empresa Losango, sendo esta, portanto, a legítima detentora do crédito objeto da lide. Logo, resta evidente que a participação da apelada fora de mera intermediária na cobrança, o que não tem o condão de legitimá-la passivamente para a causa.
EX POSITIS e sendo o quanto necessário asseverar, VOTO pelo não provimento da APELAÇÃO, a fim de que se mantenha incólume a SENTENÇA, pelos seus próprios fundamentos, majorando-se ainda os honorários advocatício, com os quais deve arcar o apelante, em mais 5% (cinco por cento), obrigação, no entanto, que deverá ficar suspensa por lhe ter sido deferido o beneplácito da gratuidade de justiça.
Teresina, 28/03/2023
0834839-76.2021.8.18.0140
Órgão JulgadorDesembargador JOÃO GABRIEL FURTADO BAPTISTA
Órgão Julgador Colegiado4ª Câmara Especializada Cível
Relator(a)RAIMUNDO NONATO DA COSTA ALENCAR
Classe JudicialAPELAÇÃO CÍVEL
CompetênciaCâmaras Cíveis
Assunto PrincipalDever de Informação
AutorCRISTIANY AZEVEDO PORTELA DE CARVALHO
RéuHOEPERS RECUPERADORA DE CREDITO S/A
Publicação28/03/2023