TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ
ÓRGÃO JULGADOR : 3ª Turma Recursal
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) No 0802636-92.2021.8.18.0162
RECORRENTE: VALTER MILTON DE SA COUTINHO CHAVES
REPRESENTANTE: DEFENSORIA PUBLICA DO ESTADO DO PIAUI
RECORRIDO: OI MOVEL S.A. - EM RECUPERACAO JUDICIAL
Advogado(s) do reclamado: MARIO ROBERTO PEREIRA DE ARAUJO
RELATOR(A): 3ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
EMENTA
RECURSO INOMINADO. RELAÇÃO DE CONSUMO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. TELEFONIA MÓVEL. RESGASTE DE CHIP. RÉ CONDICIONOU O RESGASTE A NOVA CONTRATAÇÃO. CONTRATAÇÃO CANCELADA EM MOMENTO POSTERIOR. COBRANÇA INDEVIDA DOS DÉBITOS PROVENIENTES DO REFERIDO NEGÓCIO. DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO. DANOS MORAIS NÃO CONFIGURADOS. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.
RELATÓRIO
RECURSO INOMINADO CÍVEL (460) -0802636-92.2021.8.18.0162
RECORRENTE: VALTER MILTON DE SA COUTINHO CHAVES
REPRESENTANTE: DEFENSORIA PUBLICA DO ESTADO DO PIAUI
RECORRIDO: OI MOVEL S.A. - EM RECUPERACAO JUDICIAL
Advogado do(a) RECORRIDO: MARIO ROBERTO PEREIRA DE ARAUJO - PI2209-A
RELATOR(A): 3ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
Trata-se de AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS em que a parte autora aduz que foi enganado pela empresa demandada pois esta condicionou o resgate de seu chip de celular a formalização de contrato de prestação de serviços de internet OI TOTAL CONECTADO FIBRA e pagar 3 mensalidades.
Sobreveio sentença que julgou PROCEDENTES EM PARTE os pedidos da inicial, para fins de declaração de inexistência do débito objeto da lide referente à cobrança atinentes ao plano objeto da lide, de sorte que deve o réu abster-se de continuar a cobrança de tal valor à parte autora. Improcedente o pedido de danos morais.
A parte autora interpôs recurso inominado pleiteando, em síntese, a reforma da sentença para julgar procedente o pedido inicial de indenização por danos morais.
O recorrido apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção da sentença.
É o relatório.
VOTO
Presentes os pressupostos de admissibilidade, passo à análise do recurso.
Consigna-se que a relação entre as partes é de consumo, portanto, regida pelo CDC, em que a responsabilidade civil dos fornecedores de serviços é objetiva, fundada no risco da atividade desenvolvida (CDC, art. 14; CC, arts. 186, 187 e 927), não se fazendo necessário perquirir acerca da existência de culpa.
Compulsando os autos, verifica-se pela análise da conjuntura fático probatória dos autos que não houve contratação voluntária por parte do autor, vez que a este foi imposta uma condição pela parte requerida no sentido de exigência de contratação de um plano como condição para o cancelamento de chip. Desse modo, o autor faz jus a declaração de inexistência do débito.
No entanto, no que se refere aos danos morais, entendo que estes não são devidos, uma vez que, para fazer jus à indenização a tal título, é preciso que haja demonstração de alguma situação aflitiva em grau significativo a ponto de lesar direitos da personalidade da parte autora/recorrente, o que não foi demonstrado no processo.
Assim, considerando que meros dissabores vividos em face da cobrança indevida não se revelam suficientes à configuração de dano moral, agindo acertadamente a sentença.
Forte nestas razões, entendo que a sentença merece ser confirmada por seus próprios fundamentos, o que se faz na forma do disposto no artigo 46 da Lei 9.099/95, com os acréscimos constantes da ementa que integra este acórdão.
Art. 46. O julgamento em segunda instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão.
Diante do exposto, voto pelo conhecimento do recurso inominado para negar-lhe provimento, mantendo a sentença em todos seus termos.
Ônus de sucumbência pela recorrente nas custas e honorários advocatícios, sendo estes em 20% sobre o valor atualizado da condenação.
Teresina, datado e assinado eletronicamente.
Teresina, 05/04/2023
0802636-92.2021.8.18.0162
Órgão Julgador3ª Cadeira da 3ª Turma Recursal
Órgão Julgador Colegiado3ª Turma Recursal
Relator(a)FRANCISCO JOAO DAMASCENO
Classe JudicialRECURSO INOMINADO CÍVEL
CompetênciaTurma Recursal
Assunto PrincipalPráticas Abusivas
AutorVALTER MILTON DE SA COUTINHO CHAVES
RéuOI MOVEL S.A. - EM RECUPERACAO JUDICIAL
Publicação05/04/2023